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Audi, BMW e Mercedes-Benz: qual é a melhor marca alemã de luxo?

BMW é líder de vendas entre as marcas premium no Brasil - Divulgação
BMW é líder de vendas entre as marcas premium no Brasil Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

25/06/2020 04h00

Este texto é fruto de mais um bom debate que ocorreu em meu perfil no Instagram. Aqui, vamos falar em uma das maiores rivalidades da história da indústria automobilística mundial: BMW x Mercedes-Benz. Nos últimos anos, esse duelo virou uma briga de três, pois a Audi também entrou com força na disputa.

Mas qual das três marcas alemãs é melhor? Antes disso, vamos contextualizar as características atribuídas historicamente pelo consumidor a essas montadoras.

Nesse aspecto, é mais fácil posicionar a BMW e a Mercedes-Benz. A primeira sempre foi mais associada à esportividade. A segunda, ao luxo, conforto e até a um certo conservadorismo. Nos últimos anos, as duas montadoras vêm tentando não mudar suas "famas", mas mostrar uma diversidade maior em suas gamas e estratégias de comunicação.

Difícil dizer se o consumidor vem assimilando as novas comunicações de Mercedes-Benz e BMW. Mas é fato que uma vem conseguindo se aproximar mais da esportividade, enquanto a outra está cada vez mais direcionando seus esforços para a mobilidade limpa (veja mais abaixo).

E a Audi? Por chegar depois, a marca do Grupo Volkswagen vem sendo encarada como uma intermediária entre BMW e Mercedes-Benz. Ela seria um "mundo" nem tão conservador, nem tão esportivo. Isso é o que tenho lido sobre a montadora em redes sociais e fóruns de debates sobre automóveis.

O atual momento das três marcas alemãs

A BMW faz questão de manter a esportividade mesmo em seus carros que não são esportivos. Quando se olha para o Série 3, por exemplo, ele não se rendeu à tração dianteira. A do sedã é traseira.

Além disso, o modelo tem uma posição inclinada de dirigir que é mais típica dos cupês que dos sedãs. Só que ser uma marca conhecida pela esportividade em um universo em que a mobilidade está mudando e ficando mais racional pode não ser interessante a médio e longo prazo.

Assim, a BMW foi uma das montadoras que saíram na frente na corrida pela eletrificação. Entre as europeias, foi a primeira a criar uma divisão destinada exclusivamente a modelos híbridos e elétricos, a "i". No Brasil, vem investindo muito no marketing relacionado a esse tipo de produto.

A eletrificação, na prática, não está totalmente desconectada da esportividade. As marcas vêm trabalhando para mostrar que dá para ser elétrico e esportivo. Essa associação, no entanto, ainda não está totalmente formada na cabeça do consumidor, algo que deve mudar nos próximos anos.

A Mercedes-Benz, por sua vez, vem tentando há anos fugir da imagem conservadora, mas sem perder o apelo com seus tradicionais clientes. A montadora, sempre associada a carros luxuosos e confortáveis, vem investindo forte na esportividade e em modelos feitos para cativar o público mais jovem.

Entre eles está a família de carros com tração dianteira, que inclui Classe A, CLA e GLA, entre outros. Até o visual moderno dessa gama de modelos é uma grande ruptura com os padrões da marca - que mantém o conservadorismo em carros como Classe C e Classe E de atual geração.

Outro passo da Mercedes em prol do rejuvenescimento da imagem e maior associação à esportividade é sua atuação - muito bem sucedida - na Fórmula 1.

A Audi, por ser uma marca mais jovem, ainda não tem "estigmas" tão fortes quanto os de BMW e Mercedes. Para a montadora sediada em Ingolstadt (Alemanha), e formada a partir da fusão de quatro empresas mais antigas, associar sua imagem a uma determinada diretriz é mais fácil que para BMW e Mercedes.

Audi e-tron - Divulgação/Audi - Divulgação/Audi
Imagem: Divulgação/Audi
No momento, a Audi está no mesmo caminho da BMW, apostando forte na eletrificação. É uma diretriz do Grupo Volkswagen, do qual a montadora de luxo faz parte. O e-tron, recém-lançado no Brasil, é um dos elétricos com maior autonomia do mercado.

Antes da onda elétrica do Grupo VW, a Audi estava bastante focada em reforçar uma imagem esportiva. Para isso, tinha como principal palco o Campeonato Mundial de Endurance, do qual faz parte a 24 Horas de Le Mans, corrida na França.

O Endurance era uma excelente plataforma para a Audi mostrar a eficiência de seu sistema de tração nas quatro rodas, assim como o avanço no desenvolvimento de motores a diesel - tecnologia que se tornou praticamente um assunto proibido na VW após o Dieselgate.

Por esse nome ficou conhecido o escândalo da fraude a testes de emissões em carros a diesel das marcas do Grupo VW.

Mas, afinal, qual é a melhor?

Quando o assunto é Audi, BMW e Mercedes-Benz, os carros sobressaem uns aos outros dependendo da categoria. Além disso, a maioria dos modelos está na vanguarda da tecnologia.

Então, em um mesmo segmento, a resposta depende também do perfil do consumidor. Aqui, vou dar uma opinião imparcial, mas claro que meu gosto pessoal pode influenciar um pouco essa escolha.

Quando o assunto é tecnologia, eu voto na Audi. Além de estar, junto com o Grupo VW, assumindo a vanguarda na corrida pela eletrificação, a marca também está avançando bastante no desenvolvimento de tecnologias autônomas.

Foi a Audi a primeira a lançar, por exemplo, um carro com retrovisores externos digitais (o e-tron). Trata-se de uma solução que pode ser bem aceita, por aprimorar segurança e aerodinâmica.

A montadora das quatro argolas se destaca ainda no segmento de superesportivos. Graças mais uma vez ao Grupo VW, do qual faz parte a Lamborghini, o R8 usa a plataforma do Huracán.

O carro da Audi é um superesportivo nato, visceral e arisco. Considerando a essência do segmento, supera a linha AMG GT, da Mercedes-Benz.

Mas já quando o assunto é divisão de preparação esportiva, a vantagem é da Mercedes. Os AMG se distanciam muito mais de suas versões "civis" que os M, da BMW, ou os RS, da Audi. A sensação de dirigir um C 63 AMG é bem diferente à experiência ao volante dos Classe C sem preparação.

Mercedes AMG A 45 - Mercedes-Benz/Divulgação - Mercedes-Benz/Divulgação
Imagem: Mercedes-Benz/Divulgação

No caso dos M e RS, a proximidade com as versões não preparadas é maior. Eles são menos viscerais que os AMG.

E a BMW? Em minha opinião, é a que tem os melhores carros "civis" (fora dos segmentos de esportivos, superesportivos e eletrificados). A dirigibilidade é bem superior, no caso desses modelos, à dos rivais.

E, embora a Audi tenha mais tecnologia, a BMW também traz um amplo pacote tecnológico em seus veículos. Fora isso, o acabamento dos carros da marca, que no passado era alvo de críticas, deu um salto de qualidade nos últimos anos. O interior dos BMW de nova geração ficou mais luxuoso.

Marcas alemãs de luxo no mercado brasileiro

Nos últimos dez anos, Audi, BMW e Mercedes-Benz se alternaram na liderança do mercado brasileiro. A Mercedes ficou mais tempo nessa posição, mas em 2019 a BMW virou o jogo.

A marca foi a premium que mais vendeu carros no Brasil no ano passado, com 13.142 emplacamentos, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A Mercedes, com 10.089 unidades emplacadas, ocupou o segundo lugar, com a Audi na terceira posição (8.707).

Em 2020 a briga está acirrada. A BMW vendeu 3.329 exemplares até maio, com vantagem de poucos menos de 400 unidades para a Mercedes. A Audi é apenas quarta colocada - foi ultrapassada pela sueca Volvo.