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Cupês de quatro portas ou sedãs cupês: quem são eles e para que servem?

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

29/05/2020 04h00

Cupê é, por definição, um carro de duas portas. Os sedãs têm quatro, mas já existiram os de duas, e ainda há modelos dessa configuração em segmentos de nicho - o BMW M2 é um dos exemplos. Mas e quando o carro tem quatro portas e os traços da carroceria são de cupê? Como defini-los?

Sedãs cupês ou cupês de quatro portas? Quando chamamos Porsche Panamera, Mercedes-Benz CLS e CLA ou os Audi A7 e A5 Sportback de cupês de quatro portas, os puristas não gostam, argumentando que cupê necessariamente tem duas portas. Já sedãs cupês é uma invenção de marketing, como os SUVs cupês.

A verdade é que, sempre que se tem um segmento com carroceria fora do convencional (hatch, sedã, perua, picape e utilitário-esportivo, entre outros), cria-se uma dificuldade de definição técnica. Tecnicamente, SUVs cupês e sedãs cupês são crossovers, mesmo nada tendo a ver com utilitário-esportivo (categoria a qual o termo é normalmente associado).

Crossover não é SUV. Crossover é qualquer carro cuja carroceria tenha características de dois ou mais segmentos. Mas se não são sedãs nem cupês, para que servem esses carros? E quem são eles?

Para que eles servem

Criar novidades e sair do convencional é obrigatório para empresas de todos os setores. Ao ousar, há a chance de errar. Mas, se houver acerto, o sucesso é inevitável. E, no caso das montadoras, que atuam em um segmento no qual leva-se anos para a concorrência conseguir criar um rival, reina-se sozinho por muito tempo.

Há dois ótimos exemplos no Brasil. O EcoSport, que é SUV, mas também crossover, ousou ao ser o primeiro utilitário-esportivo derivado de carro popular, deixando o segmento acessível a mais pessoas. A Toro, uma picape média produzida sobre base de carro de passeio, ainda não tem concorrentes, e suas vendas são absurdamente altas.

No caso dos sedãs cupês, ou cupês de quatro portas (eu prefiro chamá-los assim), o objetivo é ser o carro de quem deseja desfrutar do apelo esportivo de um cupê, mas precisa de espaço e um porta-malas ótimo ou, ao menos, razoável. Ou de quem gosta de sedãs, mas não é fã da imagem de "carro de tiozão" geralmente atribuída a esses modelos.

O que diferencia um cupê de quatro portas

Um cupê de quatro portas é aquele carro que tem a parte de trás do teto rebaixada e apenas dois volumes. Ou seja: diferentemente do que ocorre nos sedãs, que têm três volumes, a seção do porta-malas é integrada à cabine.

No Brasil, só há cupês de quatro portas no segmento de luxo. Recentemente, testei duas opções, o Mercedes-Benz CLS 53 AMG e o Audi A7. Ambos têm em comum, além de serem integrantes do mesmo segmento, a posição de dirigir mais inclinada que de sedãs - característica típica de modelos esportivos.

Audi A7 Sportback - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Audi A7 Sportback tem motor de 340 cv
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Além disso, se destacam por seus amplos porta-malas que, apesar de um pouco mais baixos que o de sedãs, têm mais amplitude e menos protuberâncias que dificultam a acomodação de bagagens. O do A7 oferece 535 litros de capacidade e o do CLS, 490 litros.

O A7, porém, não é um esportivo. Tem apenas um apelo mais emocional que seu irmão, o sedã A6. A suspensão é um pouco mais firme e as respostas de direção, mais empolgantes. O carro custa R$ 460 mil e tem motor 3.0 V6 de 340 cv.

A versão esportiva do A7, RS7, ainda não chegou ao Brasil. No caso do CLS, apesar de ser um 53 AMG, com preparação mais fraca que as dos 63 AMG, estamos falando de um verdadeiro carro esportivo.

Preparado pela divisão AMG, da Mercedes, ele mantém a elegância de suas versões "civis", mas "voa" com seu seis-cilindros de 435 cv, além de ter um ajuste de suspensão tão firme que passa até a impressão que não estamos ao volante de um carro de 5 metros e 1.905 kg. O cupê de quatro portas custa R$ 644 mil.

Mercedes-Benz CLS 63 AMG - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Mercedes-Benz CLS 53 AMG tem preparação esportiva
Imagem: Rafaela Borges/UOL
E, como tem carroceria com linhas de cupê, o CLS 53 AMG chama ainda mais a atenção do que os sedãs Classe C e Classe E preparados, que são modelos 63 AMG. Aliás, o Mercedes e o Audi não são carros para quem quer discrição. Chamar a atenção é um item de série dos dois modelos.

Na mesma categoria dos cupês de quatro portas grandalhões, há o Porsche Panamera. Para quem procura um modelo médio, a opção é o Audi A5 e, entre os menores, a atual geração do CLA deixou abandonou de vez as características de sedã puro. Agora, ele é um autêntico cupê de quatro portas.