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Chevrolet Tracker x Fiat Strada: qual é o principal lançamento de 2020?

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

16/03/2020 04h00

O período de março e abril terá, no mercado automotivo, dois candidatos a principais lançamentos do primeiro semestre. Ambos em novas gerações. De um lado, o Chevrolet Tracker, SUV compacto da marca líder do Brasil. De outro, a Fiat Strada, picape que há anos ocupa ótimas posições na lista dos dez carros mais vendidos do Brasil.

Qual deles vai gerar mais impacto para ser o lançamento mais importante do semestre (e talvez do ano)? O Tracker tem a seu favor o fato de ser integrante do segmento que, se não é o mais vendido, é o mais desejado do País.

Mas a Strada tem bons argumentos para pleitear o posto. Afinal, no ano passado, vendeu mais que o SUV mais emplacado, o Jeep Renegade. E, na geração que está dizendo adeus, seu impacto é muito mais alto que o do, até agora, humilde Tracker.

Tracker aposta na volta por cima

O Tracker de hoje luta por um papel de destaque até mesmo entre os coadjuvantes do segmento de SUVs compactos. Em uma categoria cada vez mais "povoada", o carro mal consegue ficar entre os dez mais emplacados.

Mas devemos pensar que o Tracker vai continuar sendo um coadjuvante? Pelo contrário. Ele vem para lutar pelas primeiras posições com o quinteto formado por Renegade, T-Cross, Kicks, Creta e HR-V. Como na geração anterior, o modelo é feito sobre a base do Onix.

Mas ele passa a ter um ingrediente especial: o total controle da Chevrolet do Brasil. É que até agora o carro vem do México. Apesar da isenção de imposto de importação, há limitação de unidades trazidas com esse benefício.

Além disso, como a produção estava a cargo de uma subsidiária estrangeira, a do Brasil não tinha autonomia para traçar estratégias que envolvessem a cadeia produtiva. Com a nacionalização - o carro passa a ser feito em São Caetano do Sul (SP) -, esses problemas desaparecem.

E quando a GM se propõe a investir forte em segmentos de alto volume, com total autonomia, não dá ponto sem nó. O foco da marca é tirar a imagem de SUV que não despertou grande entusiasmo da geração atual. E minha aposta: vai conseguir.

Como? Fazendo o que já fez com Onix e, agora, com Onix Plus: investindo em coisas que realmente fazem a diferença para o consumidor no dia a dia. O carro será o melhor do segmento? Se seguir as diretrizes da linha Onix, provavelmente não. Ele terá itens essenciais para cativar o cliente? Sim.

O Tracker deverá vir com Wi-Fi a bordo, assistência ao estacionamento e carregador de celular por indução (sem fio). Entre outras facilidades que a concorrência não tem. São coisas simples que fazem a diferença e podem determinar a decisão de compra.

Além disso, não é arriscado apostar em uma relação preço-equipamentos superior à da concorrência. Onix e Onix Plus apostam nesse diferencial. Se a GM seguir direção oposta com o novo Tracker, será um tiro no pé.

Mas há um fator no Tracker que pode atrapalhar sua carreira: porta-malas. O do modelo atual é bem limitado. O do novo ficou melhor, segundo fontes que tiveram contato com o carro.

Ainda assim, não chega a 400 litros, capacidade inferior à de quatro dos cinco líderes. E, também de acordo com fontes, não traz soluções no banco traseiro para ampliar a capacidade, como ocorre com o T-Cross.

Strada, a rainha das picapes

Divulgação
Imagem: Divulgação

O segmento do qual faz parte a Strada não tem muitos representantes. Além da picape da Fiat, agora há apenas a Volkswagen Saveiro.

Porém, isso ocorreu porque a Strada é tão dominante que anulou a concorrência. E o segredo do modelo da Fiat é bem semelhante ao do sucesso do Chevrolet Onix: sair na frente na missão de oferecer coisas que fazem a diferença para o consumidor. As rivais estão de olho, e novos modelos na categoria são esperados.

Mas a Strada se antecipa aos lançamentos da concorrência. Após ser a primeira com cabine dupla, e a primeira com três portas, agora chega com uma opção de cabine dupla de verdade. Além de espaço mais amplo, passa a oferecer quatro portas nessa configuração.

Com a nova Strada, a Fiat pretende manter o apelo de veículo de trabalho que o carro sempre teve. Mas vai além: investe em um novo público, aquele que procura uma picape por estilo de vida, não por necessidade.

Essa missão já é cumprida pela Toro, caso bem-sucedido de picape com estilo e algumas funcionalidades de média, mas feita em base de carro de passeio. A nova Strada, na versão de cabine dupla, passa a ser alternativa para quem quer a Toro, mas precisa investir um pouco menos.

Isso pode afetar as vendas da Toro? Pode sim. Mas na conta da Fiat, provavelmente pesa o fato de que a picape maior ainda não tem rivais à altura - algo que pode mudar a partir de 2021.

E quanto ao preço? É possível que, em versões equivalentes, a Fiat mantenha valores próximos aos atuais. Já a cabine dupla, de olho em uma ampliação de público, pode vir com um reajuste maior.

Nos bastidores, já há em informações de que a Strada pode se aproximar dos R$ 100 mil nas versões de topo. A conferir.

O Tracker chega ao mercado ainda no mês de março. O lançamento ocorre nesta semana. Já as vendas da nova Strada começam em abril.

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