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As ciclovias e o senso de compartilhamento do espaço nas ruas

Ciclovia da Henrique Schaumann, na zona oeste de São Paulo - Diego Salgado/UOL Esporte
Ciclovia da Henrique Schaumann, na zona oeste de São Paulo Imagem: Diego Salgado/UOL Esporte
Diego Salgado

Repórter do UOL desde 2015, com passagens por Estadão e Portal 2014. Ciclista há 20 anos na cidade de São Paulo, já pedalou por 10 países e atravessou sozinho a América do Sul e a Europa. A Oceania é o próximo desafio.

23/10/2020 08h56

É muito comum na rotina dos ciclistas: um pedestre distraído caminha lentamente na ciclovia, forçando, involuntariamente, uma diminuição de velocidade e atenção redobrada para uma ultrapassagem pelo lado esquerdo.

Já escrevi sobre isso aqui nesta coluna e repito. Respeito todos os pedestres na maior parte das ciclovias, pois não sabemos se é lá que ele se sente mais seguro. Sim, falando especificamente da cidade de São Paulo, é compreensível. As calçadas muitas vezes são praticamente inexistentes, sem contar falta de iluminação e outras condições precárias.

Respeitar o pedestre na ciclovia é saber compartilhar espaço. E serve de exemplo aos outros envolvidos no trânsito. Explico: a atitude dos motoristas precisa ser a mesma quando uma bicicleta trafega no bordo da pista, como diz o Código Brasileiro de Trânsito.

Infelizmente, tal entendimento é raro nas grandes metrópoles brasileiras. Um grande exemplo se deu recentemente, com o aparecimento da ciclovia da avenida Rebouças, da Faria Lima até a Paulista. Esse novo espaço destinado aos ciclistas tem 3,4 km de extensão, com uma faixa dos dos dois lados das pistas, sentidos centro e bairros.

Mesmo sinalizado, mas sem os tachões no piso, o espaço era invadido por motoristas. Dias depois, com os tachões delimitando a área, a ciclovia ficou livre aos ciclistas.

A avenida, depois da abertura das pistas para a bikes, virou um símbolo do compartilhamento do espaço. Agora, todos têm espaço: ônibus, carros, motos e bicicletas. Com paciência e respeito, é possível encontrar harmonia no trânsito.

Um lembrete: a velocidade máxima nas ciclovias é 20 km/h. Além de respeitar esse limite, é interessante ter paciência com os ciclistas mais novos. Precisamos de mais gente com bikes. Tal postura é um convite a eles.

Mais uma coisa. Lembre-se da regra "o mais forte cuida do mais fraco". Motoristas devem zelar pelos ciclistas, que devem cuidar dos pedestres. Carro deve respeitar o espaço das bikes, que devem respeitar a área dos pedestres. Dessa forma, bicicleta na calçada é só desmontado. Um ciclista com a bike ao lado é um pedestre.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.