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Empresas se preparam para provável "boom" de venda de bicicletas

Uso de bikes deve aumentar depois da reabertura das grandes cidades brasileiras - Junior Lago/UOL
Uso de bikes deve aumentar depois da reabertura das grandes cidades brasileiras Imagem: Junior Lago/UOL
Diego Salgado

Repórter do UOL desde 2015, com passagens por Estadão e Portal 2014. Ciclista há 20 anos na cidade de São Paulo, já pedalou por 10 países e atravessou sozinho a América do Sul e a Europa. A Oceania é o próximo desafio.

17/06/2020 11h00

A nova era das bicicletas já está em curso na Europa, com medidas governamentais sólidas e a adesão maciça de ciclistas diante de incentivos. No Brasil, esse processo ainda não começou, mas existe uma forte expectativa em torno de um "boom" de vendas de bike por aqui depois de medidas de flexibilização mais intensas.

A Coluna Pedala escutou três executivos do mercado para comentar o assunto: Rafael Papa, fundador da semexe, plataforma online de compra e venda de produtos, Vitor Borba, gerente de marketing da Caloi, e Rogério Tancredi, gerente de marketing da Shimano.

A avaliação dos três é parecida em relação à demanda futura. Os resultados dos dois últimos meses sinalizam um "boom" de vendas depois da reabertura, já que o uso da bicicleta é um modo de evitar aglomerações em meio à pandemia do novo coronavírus.

Segundo Papa, no mês passado, as vendas da semexe aumentaram 1.200% na comparação com maio de 2019. Elas foram impulsionadas, sobretudo, pela comercialização dos rolos, que permitem que ciclistas treinem em casa. A prática também indica que muitos desses ciclistas irão às ruas depois.

Na Caloi, após um mês de março marcado por cautela dos consumidores, a demanda aumentou em abril e maio. De acordo com Borba, o aumento em relação ao mesmo período do ano passado chegou aos dois dígitos. Já Tancredi explica que as vendas da Shimano aumentaram à medida que as lojas de bicicletas ganharam permissão para funcionamento, depois de serem consideradas um serviço essencial.

Por isso, Shimano e Caloi criaram um plano para atender a demanda dos próximos meses. "Fizemos um bom planejamento com a nossa cadeia de fornecedores locais e internacionais e acreditamos que não teremos problemas nesse quesito", contou Borba.

"Estamos enxergando a demanda crescente para os próximos meses e preparou um plano de emergência junto às suas fábricas com o objetivo de atender o máximo possível dos pedidos globais por componentes", disse Tancredi.

Já a semexe procurou expandir parcerias com bikeshops e marcas nacionais, a fim de aumentar a gama de produtos na plataforma. "Durante a pandemia dobramos o número de pessoas focadas em trazer novos produtos para o site, e organicamente crescemos 500% o número de pessoas físicas que colocaram produtos diretamente no site", disse.

Nova era no Brasil

Os três também frisaram que as mudanças no dia a dia das cidades brasileiras já estão em andamento, embora uma grande disparidade em relação aos países europeus.

"Com certeza já estamos nessa nova era, obviamente em proporções muito menores que a Europa. Crescemos bastante o número de ciclofaixas na cidade, e de pessoas que pedalam para ir trabalhar e também para lazer", ressaltou Papa.

"Quando os brasileiros entenderem que a bike pode ser o seu meio de transporte de todo o dia, mais saudável e menos poluente, haverá uma pressão maior, inclusive nos nossos governantes para que esses incentivos sejam aplicados por aqui também", completou o fundador da semexe.

Para Borba, a reabertura das cidades brasileiras é uma oportunidade de mudança profunda, que se torne um legado para os próximos anos.

"Criar a infraestrutura necessária para deslocamento urbano com bicicletas seria uma estratégia muito inteligente de qualquer governo. Além de ajudar a evitar aglomeração em um momento de pandemia, ciclovias abundantes contribuem para que existam menos poluição sonora, menos poluição do ar e menos trânsito", disse o gerente da Caloi.

Tancredi também ressalta que a ação do governo é fundamental para a consolidação dessa nova era. Com mais estrutura nas ruas e um debate mais presente no dia a dia, mais pessoas se sentirão mais seguranças em adotar a bicicleta como meio de transporte.

"Meu sentimento é que ainda precisamos de muito mais atenção do poder público, não se trata apenas de investimentos. Eu sinto muita falta do governo em discutir amplamente o uso da bicicleta como um modal alternativo de transporte. Na parte de infraestrutura ainda se faz necessário o crescimento de ciclovias e planejamento urbano que favoreça o uso. Mesmo o uso combinado da bicicleta com outros modais é muito baixo no nosso país", destacou o gerente da Shimano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.