Paula Gama

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Carro de corretor? Por que Pablo Marçal provocou fúria dos donos de BMW

Recentemente um vídeo do coach, empresário e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal dando a sua opinião sobre marcas de carro viralizou nas redes sociais. Durante uma palestra, ele argumentou que possuir um "bom veículo" é crucial para fechar negócios, aumentar a autoestima e melhorar a imagem da marca pessoal. Em seu discurso, afirma que BMW é "automóvel de corretor de imóveis", enquanto modelos da Land Rover ou Mercedes-Benz são mais adequados para empreendedores de alto nível.

"O bom carro ajuda a fechar contrato, aumenta a sua autoestima, o branding, fecha o contrato, faz tudo. Todo o carro tem um perfil. BMW carro de corretor de imóveis. Se você mexe com empreendedor e fecha negócio com os caras, precisa de, no mínimo, uma Land Rover. Mercedes mais executiva. Mercedes é melhor que BMW na visão empresarial. BMW é corretor de imóveis, mas está infinitamente melhor do que o Corsa", diz o influenciador.

Essa fala gerou uma enxurrada de reações. Alguns espectadores do vídeo concordaram, outros acharam engraçado, mas houve também proprietários de BMW e corretores de imóveis que se sentiram ofendidos. "Aposto que nenhum aluno desse boçal tem um iX6 igual ao meu na garagem. Um desrespeito com uma marca icônica e com os corretores de imóveis", comentou um "bimmer" no Instagram.

Outro usuário da rede social, corretor de imóveis, também se chateou: "Sou corretor, não tenho um BMW, mas ganho muito imóvel no meu nome. Que fala mais idiota, o que importa é o dinheiro na conta, mesmo andando de Kwid".

A marca, no entanto, preferiu não comentar o caso. A BMW é a marca de veículos de luxo que mais vende no Brasil e no mundo, com preços que variam de R$ 299 mil a mais de R$ 1,3 milhão, sem contar os acessórios e equipamentos adicionais. Também por isso, é a marca com o maior número de carros usados à disposição, tornando-se mais "comum", por causa da quantidade.

A realidade é que o discurso de Marçal reflete uma prática comum entre coachs de carreira. Falas como essa evidenciam a cultura do brasileiro de avaliar o sucesso de uma pessoa pelo carro que ele dirige, e também a tendência de confiar mais - ao menos nos negócios - em pessoas que parecem bem sucedidas.

O próprio coach explica "você vai encostar o carro num negócio e a pessoa já vai olhar. Mano, é o Brasil". Procurada pelo UOL Carros, a assessoria do coach não retornou aos contatos.

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'Ostentação' vale a pena?

Nessa onda de "impressionar" clientes, parceiros de negócios e seguidores nas redes sociais, muitas pessoas com o orçamento um pouco mais "limitado" apostam no chamado "resto de rico", ou seja, carro de luxo com alguns anos de rodagem. Há, por exemplo, ofertas de modelos da Land Rover, ano 2008, por R$ 60 mil. Ou na faixa de R$ 100 mil, para veículos de 2010.

A proposta de comprar um carro de "rico" usado, mesmo sem estar com a conta bancária cheia, pode parecer tentadora. Do ponto de vista da estética, conforto, nível de equipamentos e diversão ao dirigir, pode ser uma maravilha ter na garagem o carro dos sonhos que seria inalcançável em uma versão mais nova.

No entanto, a realidade pode ser dura: devido aos equipamentos e tecnologias, a manutenção desse veículo será, pelo menos, três vezes mais cara do que a de um modelo generalista. Se esse for o único carro da família, a fantasia pode virar uma imensa cilada.

O presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), Enilson Sales, explica que tem uma afirmação pessoal sobre o assunto: quanto mais caro é um carro, mais cara será a manutenção dele. E é exatamente por isso que esses modelos de luxo desvalorizam tanto com o passar dos anos, a ponto de ficarem "acessíveis": fica pesado mantê-los.

"É algo básico: o número de equipamentos faz o carro ficar mais caro. Para muitos, os olhos brilham quando veem um veículo desse ao seu alcance, mas esquecem que a revisão e as inevitáveis trocas de peças demandam muito dinheiro, no mínimo, três vezes mais, dependendo do conserto."

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E não adianta tentar se convencer com a ideia de que "carro bom não quebra", existem itens de desgaste natural que demandam uma substituição, como pneus, pastilhas de freio, filtros, entre outras. E, é claro, quanto mais rodado o modelo estiver, mais peças terá que trocar.

No entanto, há casos em que dinheiro não é a única questão. Algumas pessoas passaram a vida sonhando com um carro e, anos depois, com uma situação financeira mais confortável, podem realizar o desejo antigo. Para esse grupo, pagar mais caro em combustível, seguro e manutenção não é grande coisa perto do prazer de dirigir o seu sonho de consumo. Por isso, ninguém melhor para assumir um "resto de rico" do que outro rico.

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