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Paula Gama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Carro usado blindado é proteção mais acessível ou arma no trânsito? Entenda

Se não passar pela manutenção correta, proteção contra tiros em carros mais velhos pode custar a segurança no trânsito - Avener Prado/Folhapress
Se não passar pela manutenção correta, proteção contra tiros em carros mais velhos pode custar a segurança no trânsito Imagem: Avener Prado/Folhapress
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Paula Gama

Jornalista especializada no mercado automotivo desde 2014, Paula Gama tem 28 anos e avalia diversos modelos no Brasil e no exterior. Nesta coluna, você terá opiniões sinceras sobre os lançamentos, cultura automotiva, tendências e análises de comportamento do consumidor.

Colunista do UOL

18/03/2022 04h00

Mandar blindar um veículo novo é algo que não cabe no bolso da maioria dos brasileiros. O preço do serviço parte de R$ 50 mil, fora o custo do carro, é claro. No entanto, ao voltar os olhos para o mercado de usados a coisa muda de figura: a blindagem perde seu valor e o veículo custa praticamente o mesmo que um sem a camada de proteção. Afinal, a pechincha vale a pena?

Para começo de conversa, é preciso estar ciente de que um veículo blindado pesa, no mínimo, 130 kg a mais, podendo chegar a mais de 500 kg, dependendo do modelo e do tipo de proteção. Isso significa que ele precisará de mais atenção na manutenção dos itens de desgaste, como pneus, pastilhas e discos de freio, bem como amortecedores e outros itens de suspensão.

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"Comprando usado, por um lado, você ganha a blindagem. Por outro, gasta um pouco mais com a manutenção. Também é importante verificar o tratamento que o antigo dono deu a esse veículo, se fez as manutenções corretas, exigidas pelo peso extra que o carro carrega. Outro cuidado é conferir se o carro está regularizado no Detran e no Exército Brasileiro, como todos os blindados devem estar", orienta Cláudio Marmo Conte, diretor comercial da BSS Blindagens.

Também é preciso ter em mente que, com o passar do tempo, a blindagem pode sofrer delaminação, que é um processo de descolamento das lâminas de vidro cristal float ou do policarbonato que compõem o pacote balístico do vidro blindado. Segundo Marmo Conte, isso não interfere no desempenho da proteção em relação à balística, mas prejudica a visibilidade do motorista, podendo causar acidentes. Em geral, a blindagem precisa ser reavaliada a cada oito ou dez anos. Em alguns casos, é necessário trocar os vidros.

Vida real

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Na prática, não é difícil identificar um veículo blindado antigo no trânsito. Na maioria dos casos, os vidros chamam bastante atenção e, se mal cuidado, o veículo fica com aspecto de "sambado". Nesta semana, eu andava pelas ruas de Salvador quando um Mitsubishi ASX, da primeira geração vendida no Brasil, chamou minha atenção por estar completamente sem estabilidade nas curvas. O vidro traseiro exibia delaminação e o carro, que não deve ter passado por uma manutenção adequada nos últimos anos, sofria a cada quebra-molas ou imperfeição no solo.

Dirigir um veículo como aquele pode até dar uma sensação de segurança aos ocupantes em possíveis assaltos, mas põe em xeque a vida de todos eles, e demais transeuntes - já que o carro poderia, claramente, sair do controle do condutor em uma situação de emergência.

Por isso, antes de pensar que um blindado com anos de uso pode ser uma "pechincha", avalie se terá condições de dar ao veículo toda manutenção de que ele precisa. E, é claro, se os donos anteriores fizeram o mesmo. Caso contrário, todo esforço pode ser válido apenas para mudar a causa da morte.

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