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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rali Dakar: e no final, como sempre, os experientes superam os afoitos

ASO - F.Gooden/DPPI - diivulgação
Imagem: ASO - F.Gooden/DPPI - diivulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

16/01/2022 19h14

Sam Sunderland, britânico, 32 anos, piloto oficial da GasGas, se sagrou vitorioso na 44º edição do Rali Dakar, que pelo terceiro ano consecutivo foi realizado nas areias (e pedras...) da Arábia Saudita. Sunderland já havia vencido o Dakar, em 2017, quando a prova era ainda disputada na América do Sul.

Nestas quatro décadas de rali, apenas 16 pilotos ganharam o Dakar, onze deles mais de uma vez. O recordista é o francês Stéphane Peterhansel, que faturou seis vezes a maratona de moto. Isso permite afirmar que o Dakar premia gente experiente, e não os afobados e/ou novatos. Sunderland fez um rali cerebral, tático, e se deu bem. Pilotou uma GasGas, marca de origem espanhola, que nada mais é que uma KTM pintada de vermelho.

Marca de nicho de origem espanhola, especializada em motos off-road, a GasGas em 2019 foi adquirida pelo Peirer Group, também proprietário da gigante austríaca KTM e da Husqvarna, sueca na origem. Por trás de toda a operação está Stefan Pierer, homem que aplicou um conceito manjado da indústria de automóveis: uma só tecnologia, marcas de identidade e marketing diferentes.

Em 2021 o trio de marcas de Peirer vendeu 332 mil motos no planeta, reafirmando-se como maior fabricante de motocicletas europeu. À titulo de comparação, a poderosa BMW encerrou 2021 com 194 mil motos vendidas.

Volto ao Dakar 2022: foi um rali disputado e emocionante, e até a etapa final, três ou quatro pilotos ainda tinham chance de faturar a corrida. Sunderland bateu o chileno Pablo Quintanilla, piloto da Honda (vencedora das últimas duas edições do Dakar) no fio da navalha, por uma ínfima vantagem de 3 minutos e 27 segundos, um nada depois de mais de 8 mil quilômetros percorridos dos quais metade de mão no fundo. Talvez a mais estreita diferença entre 1º e 2º colocado nas motos desde sempre (desde 1995 com certeza).

Brasileiros? Nas motos, em 2021 e 2022, nenhum. O que é de se estranhar pois não só temos uma forte indústria motociclística instalada no Brasil como um potente motociclismo fora de estrada. Além disso, brasileiros fizeram história neste rali: dos pioneiros André Azevedo e Klever Kolberg ao mais bem sucedido de todos (e ainda em atividade no Brasil) Jean Azevedo, muitos outros se arriscaram no rali, seja na África ou nos anos de América do Sul - de 2009 até 2019. Luiz Mingione, Maurício Fernandes, Luizão Azevedo, Felipe Zanol, Zé Hélio e Lincoln Berrocal são alguns dos muitos nomes que assinaram o Rali Dakar, sem dúvida a mais dura prova do motociclismo mundial.

Fato a destacar na edição 2022: a espetacular estréia de Danilo Petrucci, piloto da MotoGP, que conseguiu a proeza de vencer uma etapa, fato inédito e pleno de significados. Fora isso, uma reclamação geral, dando conta de que o Dakar cada vez mais perde sua aura de corrida que mistura profissionais com amadores, e na qual haveria um "espírito" de coleguismo entre participantes de diferentes calibres técnicos.

Profissionalizado ao extremo, de acordo com muitos participantes atuais, se você estiver parado à beira do caminho e precisar de ajuda, vai continuar assim. Parado e precisando de ajuda. O Dakar mudou, não é mais o mesmo, mas... continua fascinante!