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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rali Dakar começa no dia 1º; o que esperar da edição de 2022?

Piloto argentino Kevin Benavides em ação durante o Rali Dakar de 2020, a bordo de moto da equipe Monster Energy Honda - Florent Gooden/Divulgação
Piloto argentino Kevin Benavides em ação durante o Rali Dakar de 2020, a bordo de moto da equipe Monster Energy Honda Imagem: Florent Gooden/Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

31/12/2021 04h00

Foi no final dos anos 1970 que os franceses, que sempre tiveram um fraco pela África, inventaram ralis que rasgavam o continente durante semanas, engajando alguns pilotos profissionais e, principalmente, uma legião de amadores sedentos por aventura. Gente que jamais se arriscaria colocar o pé fora de casa em uma noite chuvosa se viu motivada a encarar o desconhecido, a enfrentar um desafio sedutoramente ilógico, perigoso, mas cheio de fascínio.

Trocar o janeiro gelado na frente da lareira de casa e calefação do escritório pela chance de pegar no guidão ou volante para encontrar tuaregues de verdade, cruzar o Sahara e conhecer localidades com nomes mágicos como Iferouane, Tombouctou, Agadez e, claro, Dakar, atraiu centenas. Mas foram os milhões de pessoas que colaram o olho na TV, nas revistas e nos jornais sobre a competição que a tornaram um evento midiático de proporções mundiais.

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O "Dakar" bombou, e assim foi até a África se tornar um lugar perigoso demais para correrias capitalistas, o tal do "desfile de riqueza no meio da pobreza", ironicamente ansiado pelos pobres locais que, com a passagem - e as migalhas - do tal desfile melhoravam suas vidas, rezando para ter um rali por mês e não um por ano.

Mas a insegurança política levou o Dakar para a bem mais segura (e bem mais sem graça) América do Sul, onde de 2009 até 2019 a correria do "Dakar Rali" - sim, o nome da capital do Senegal permaneceu! - teve continuidade. Ainda com alguns pilotos amadores, ainda difícil, perigoso, mas sem o charme original, sem dar chance aos competidores de dizer "c'est l'Afrique.." quando algo dava errado.

Sim, sem charme, mas ainda um bom business para fabricantes de motos, quadriciclos, carros, caminhões e tudo mais com rodas que pudesse participar de duas semanas de corrida em meio a paisagens lunares e terrenos desgraçadamente ruins. A grande mídia se cansou de falar do rali, pois princesas, filhos de ministras, cantores famosos ou estrelas do cinema inscritos, personagens exóticos dos primeiros ralis, não mais atraíam atenção.

Deste modo, o rali Dakar passou a ser o que sempre foi em sua essência: uma corrida. Uma corrida maluca, a bem da verdade, mas apenas uma corrida. E nesta condição, o foco passou a ser o esportivo, com as notícias do rali sendo dadas pela mídia especializada - a não ser quando alguém morria, claro.

Fabricantes de veículos há muito entenderam que o rali Dakar, e outros deste gênero, os ajuda. Não tanto pelo aspecto do marketing, mas muito pelo lado técnico. Duas semanas no limite em terrenos mais do que inóspitos oferecem um precioso pacote de informações técnicas a ser aplicado na produção. Pneus melhoraram, motores melhoraram, suspensões melhoraram depois que o rali Dakar/corrida maluca passou a existir.

Largada na Arábia Saudita

Neste dia 1º de janeiro, o Dakar mais uma vez largará. Não mais na América do Sul, que há três anos foi abandonada em prol das dunas, areia (e dinheiro...) da Arábia Saudita. E, ao cabo de duas semanas de correrias, os campeões desta que será a 43ª edição do rali mais difícil do planeta serão conhecidos.

Nas motos, o braço de ferro será entre a equipe oficial Honda, vitoriosa nos dois últimos ralis, contra a austríaca KTM, que venceu consecutivamente de 2001 até 2019, e, agora pulverizou seu esquadrão em outras marcas (além da KTM, claro), como Husqvarna e Gas-Gas. Mesma moto, nomes diferentes, estratégias de mercado que não me convencem. Mas o alvo é bater a Honda. A Yamaha, outrora protagonista do Dakar, há anos não se coloca como possível candidata ao topo. Será neste 2022? Veremos.

Eu, como sempre, há 43 anos, vou seguir o rali como o rabo segue o cometa. Pois, seja em qual continente for disputada essa competição, eu a sigo como se fosse... o rabo do cometa! Se lhes interessa, venham comigo. Teremos duas semanas de assunto...

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL