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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ducati, campeã mundial de construtores da MotoGP

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Imagem: Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

09/11/2021 10h18

Em setembro de 1983 visitei a fábrica da Ducati pela primeira vez e a impressão não foi das melhores. Também pudera: a marca de Bolonha estava sendo administrada desde 1975 pelo governo italiano, resgatada de anos de má administração, salva de uma provável falência visando preservar o emprego de seus colaboradores em uma região da Itália onde o poder dos sindicatos sempre foi significativo.

Naquela época a Ducati já era notória pelos motores bicilíndricos desmodrômicos, uma tecnologia requintada, mas de pouco - ou nenhum! - apelo de vendas. Vendas estas que caiam, caiam e... caiam. No ano seguinte, a Ducati chegou ao fundo do poço, vendendo pouco ou quase nada. O fim estava próximo, os técnicos do governo já planejavam matar produção de motos e usar a estrutura fabril para produzir motores diesel.

Neste momento, 1985, apareceu um comprador: a Cagiva, marca italiana de motos bem menos histórica que a Ducati, mas que à época atravessava um momento financeiro excelente, e os tempos difíceis da Ducati terminaram. Os donos da Cagiva, os irmãos Claudio e Gianfranco Castiglioni, revolucionaram a Ducati. Investiram em design, no aperfeiçoamento do motor desmodrômico e em atividades esportivas. E a máxima do marketing esportivo - "vença no domingo, venda na segunda" - se materializou.

O domínio no Mundial de Superbikes, o campeonato para superesportivas derivadas de motos de normal venda ao público, deu a Ducati uma aura de máquina especial, e clientes em todo o mundo. Afinal, bater os gigantes japoneses - Honda, Kawasaki, Suzuki e Yamaha - era algo realmente digno de nota. E ainda é.

Domingo passado a Ducati se sagrou pela terceira vez Campeã Mundial de Construtores da MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. Em 2007, ano de seu primeiro título de construtores, quebrou uma escrita que durava desde 1974, período onde só japoneses paparam o título, 33 longos anos.

Campeã em 2007 (ano em que também fez o campeão mundial de pilotos, Casey Stoner), campeã em 2020 e em 2021, a Ducati é um bicho papão das pistas e marca de nicho de enorme sucesso. Dissemina tecnologias, cria tendências e é vista como uma das principais bandeiras do famoso "Made in Italy". Uma Ferrari em duas rodas, que nos últimos tempos, aliás, vence bem mais do que a própria Ferrari.

Ducati Made in Italy? Sim, todas elas saem da fábrica de Borgo Panigale, na periferia de Bolonha, aquela mesma que visitei em 1983 e estava quase às moscas. No entanto, desde 1996 o sucesso da empresa atraiu investidores de todo o mundo, que compraram fatias maiores e menores da Ducati. Isso durou até uma década atrás, quando a marca italiana voltou a ter um dono só, adquirida pela fabricante de automóveis alemã Audi, do Grupo Volkswagen.

Sabiamente, os alemães de Ingolstadt deixaram a administração de boa parte da Ducati - produção, desenvolvimento e atividades esportivas - nas apaixonadas mãos de italianos, e para comprovar esta opção basta ler os nomes de quem manda na Ducati atualmente: Claudio Domenicali, Paolo Ciabatti, Davide Tardozzi e Luigi Dall'Igna, entre outros.

Domingo passado, no GP do Algarve, venceu uma Ducati, pela sexta vez no ano. Não há dúvida que o marketing das pistas, e a tecnologia decorrente delas aplicada ao produto final, resulta em sucesso comercial. Nomes como Monster, Panigale, Desmosedici, Diavel e Scrambler batizam as Ducati que eu e você podemos comprar, e que certamente trazem uma boa dose dessa excelência técnica que tornou a marca de Bolonha campeã do Mundial de Construtrores da MotoGP.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL