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Mora nos Clássicos

REPORTAGEM

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Volkswagen completa 69 anos no Brasil; relembre trajetória da marca

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Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

26/03/2022 04h00

(SÃO PAULO) - Na última quarta-feira, 23, a Volkswagen completou 69 anos de atividades no Brasil. Nesse dia, em 1953, os primeiros Fuscas montados pela empresa saíam de um galpão na Rua do Manifesto, no bairro paulistano do Ipiranga. O carro vinha desmontado e encaixotado da Alemanha e aqui 12 funcionários juntavam suas peças.

De acordo com a VW, foram 2.268 unidades do Sedan (o nome oficial do Fusca) e 552 da Kombi feitas ali entre 1953 e 1957, ano em que a Volkswagen mudou do modesto galpão para a atual fábrica, às margens da Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo. O primeiro produto da nova casa foi a Kombi, que ganhou as ruas em 2 de setembro de 1957. Dali, o primeiro Fusca só sairia no dia 3 de janeiro de 1959.

VW Manifesto - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Contudo, a história de Fusca e Kombi por aqui começou bem antes.

Fundada em 1945, a Companhia Distribuidora Geral Brasmotor foi a importadora e distribuidora oficial da Chrysler por aqui, pouco mais de uma década antes da criação efetiva da indústria automotiva nacional - o que aconteceria apenas em 16 de agosto de 1956, com a formalização do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), cujo destino era estimular a produção local.

A experiência com a Chrysler levou a Brasmotor a representar também a Volkswagen, a partir de 1949, e assim importar as primeiras unidades de Fusca e Kombi, que desembarcaram no Porto de Santos em 11 de setembro de 1950. Poucos meses depois da chegada oficial da Volkswagen ao Brasil, as duas empresas se separam e a Brasmotor seguiu adiante produzindo eletrodomésticos, como os da Brastemp, marca criada por ela em 1954. Já a parceria com a Chrysler foi até 1957.

Para comemorar a data, a marca preparou uma linha do tempo destacando seus feitos por aqui.

Anos 50 - VW democratiza o automóvel

Com a inauguração da fábrica em São Bernardo do Campo (SP), iniciou-se o processo de nacionalização da marca no Brasil. Em 1959, a Kombi tinha 50% de suas partes produzidas localmente, com o maior índice de nacionalização no segmento automotivo à época. Naquele ano, o Fusca entrou para o time dos nacionalizados, passando a receber 54% das peças fabricadas localmente. Tudo isso permitiu que os dois modelos fossem disponibilizados para o consumidor brasileiro com preços mais acessíveis, democratizando o automóvel e a mobilidade nos anos 50.

Anos 60 - Uma Volkswagen "Made in Brazil"

Em 1965, a VW foi pioneira no Brasil com a inauguração do primeiro Centro de Desenvolvimento, Pesquisa e Design na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). O Centro foi aberto com objetivo de criar produtos novos, incluindo projetos, confecção de modelos em escalas natural e reduzida, desenvolvimento de ferramental e construção de protótipos.

Durante este período, foram lançados projetos como o Karmann-Ghia, em parceria com a empresa alemã que levava o mesmo nome, além do início de design e pesquisa de modelos que marcaram a história da VW, como o SP e o Brasília, que seriam lançados na década seguinte.

Anos 70 - Nova era para a Volkswagen

No início da década, em 1972, chegavam às concessionárias o SP1 e o SP2, trazendo um design esportivo e ousado, sem abrir mão da funcionalidade, com motores 1.6l (SP1) e 1.7l (SP2). Até hoje, ambos são reconhecidos por entusiastas como o design mais belo da história da VW.

Um ano depois, em 1973, a marca se colocou um passo à frente com o lançamento do Brasília, apresentando um conceito moderno de carroceria hatchback, o primeiro no País. Anos mais tarde, o tipo de carroceria inaugurado no Brasília se tornou o mais comercializado no mercado nacional.

Completando o início da Nova Era, em 1974, foi apresentado o Passat, dando um salto tecnológico na aplicação do novo trem de força dianteiro com refrigeração líquida, aliado as novas molas helicoidais da suspensão, entregando um conjunto mais dinâmico, confortável e responsivo.

Anos 80 - Nasce uma lenda, o Gol

Em 1980, a VW inaugurou uma nova fase na indústria automobilística nacional, trazendo uma nova família de modelos, liderada pelo Gol na sua primeira geração. O sucesso foi tanto que o modelo se manteve na liderança por 27 anos consecutivos e até hoje é o modelo mais produzido, vendido e exportado do mercado brasileiro.

Ainda em sua primeira geração, o VW Gol se tornou o primeiro carro com injeção eletrônica de combustível do Brasil, com a chegada da versão GTi equipada com motor 2.0l, quatro cilindros, gerando 120 cv e 18,4 kgfm de torque, aliado ao câmbio manual de cinco marchas, no fim dos anos 80.

Antes disso, em 1984, a VW chegou ao segmento superior com o Santana. Baseado no Passat europeu, o sedã foi projetado e desenvolvido por engenheiros e desenhistas brasileiros com pacote de alta tecnologia, revolucionando a segurança automotiva na década de 90.

Anos 90 - Salto tecnológico

Em sua segunda geração, o VW Santana trouxe, em dois anos seguidos, inovações pioneiras nos itens de segurança e motorização. Em 1991, o modelo foi o primeiro veículo nacional a oferecer freios ABS. No ano seguinte, em 1992, o Santana quatro portas foi equipado com catalisadores no sistema de escape, para motorizações a etanol ou a gasolina, antecipando as determinações do Conselho Nacional do Meio Ambiente que entrariam em vigor na sequência.

Em 1994, a história do Gol ficou marcada com a chegada da sua segunda geração, carinhosamente chamada de "Bolinha" por conta das linhas de design mais arredondadas em relação a versão anterior, trazendo uma linguagem global da VW. O Gol Bolinha também ficou responsável pela popularização da injeção eletrônica.

Anos 2000 - Agora tanto faz, pode ser etanol ou gasolina

Ainda no início da década, em 2002, a VW cravou a revolução no segmento de compactos premium com a chegada do Polo na planta de São Bernardo do Campo, inaugurando a nova plataforma "PQ-24", o primeiro da marca a receber direção eletro-hidráulica e a introdução de soldas a laser, proporcionando uma carroceria mais rígida e segura.

A terceira geração do Gol, em 2003, inovou ao inaugurar a primeira motorização flex (abastecimento com etanol ou gasolina) do Brasil, sob a motorização 1.6l. Nomeada de "Total Flex", a tecnologia lançada pela VW marcou uma mudança de paradigma na indústria automotiva brasileira, e que permanece presente até hoje em toda a linha nacional da Volkswagen.

No mesmo ano de 2003, a família de compactos cresceu com a chegada do Fox, o primeiro compacto "high roof" (teto alto) do Brasil. Ele foi inteiramente projetado e desenvolvido no País, além de comercializado também na Europa.

Já em 2007, com a chegada do Passat importado da Alemanha, a VW definiu nova tendência de propulsores com a inauguração dos motores TSI no portfólio brasileiro. Essas e outras variações da linha TSI se consolidaram e, hoje, estão presentes em praticamente toda linha comercializada no Brasil.

Anos 2010 - O primeiro nota máxima em segurança

O modelo up!, lançado em 2014, foi o primeiro veículo do mercado de compactos de entrada a alcançar a nota máxima nos testes de colisão do Latin NCAP. Produzido em Taubaté (SP), o modelo conquistou as cinco estrelas e deu sequência à história de sucesso da marca quando o assunto é segurança, iniciada com o lançamento do Golf em 2013. Em suas épocas de lançamento, Polo, Virtus, T?Cross, Taos e Jetta também gabaritaram os testes do instituto, seguindo os protocolos de cada período, sendo o Taos o único modelo do Brasil a receber as cinco estrelas nos novos protocolos do Latin NCAP.

Em 2015, a fábrica de São Carlos (SP) passou a produzir, também, os motores TSI, que fazem parte da família EA211, marcando uma revolução no mercado de propulsores em termos de performance, baixo consumo de combustível e prazer ao dirigir.

Com o Novo Polo (2017) e o Virtus (2018), foi lançada uma nova Volkswagen, inaugurando a plataforma modular MQB, referência em rigidez e segurança, base em que modelos como T?Cross e Nivus foram construídos posteriormente. Nesse período, a empresa fez a maior renovação de portfólio da sua história no Brasil.

Anos 2020 - A década da conectividade

A chegada do Nivus, em 2020, ficou marcada por uma revolução completa em design e conectividade. O modelo, totalmente desenvolvido no Brasil, foi o primeiro SUV com linhas cupê do segmento. No interior, foi o primeiro modelo que recebeu a nova central multimídia da marca, o VW Play, trazendo interface intuitiva, conexão com smartphone sem fio e aplicativos nativos. O SUVW é o primeiro veículo totalmente desenvolvido no Brasil que está sendo produzido e comercializado na Europa, sob a alcunha de Taigo.

Em 2021, foi o momento do Taos, SUVW produzido na Argentina, referência em design, conectividade, espaço interno e segurança, sendo o único modelo a conquistar nota máxima nos testes do Latin NCAP, seguindo o novo protocolo.

Esta década trará ainda novidades muito importantes, com foco em digitalização e descarbonização da marca. Os testes com carros elétricos já começaram, incluindo os modelos da família ID.. Além disso, a empresa estuda também os modelos híbridos flex, com baixa pegada de carbono. E em 2023 será a inauguração de uma nova família de modelos de entrada, começando com a chegada do Polo Track.