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Mora nos Clássicos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exclusivo: mercado nacional de veículos antigos movimentou R$ 32 bi em 2019

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Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

09/12/2021 12h00

(SÃO PAULO) - Uma pesquisa socioeconômica encomendada pela FIVA (Federation Internationale Vehicules Anciens) e executada pela JDA Research revelou que o mercado de antigomobilismo no Brasil movimentou R$ 32,6 bilhões em 2019.

De acordo com o estudo da consultoria britânica, o montante é composto por R$ 16,1 bi gastos com seguros, manutenção, restauração, armazenamento e combustível, entre outros serviços; R$ 12,3 bi em compra e venda de veículos históricos, R$ 3,5 bi em eventos de veículos históricos (hotelaria, alimentação e inscrições) e R$ 768 milhões em gastos considerados indiretos, como mensalidades de clubes, revistas especializadas e souvenirs.

Ainda segundo a FIVA, a pesquisa foi conduzida virtualmente entre agosto e novembro de 2020 e entrevistou cerca de 55.000 pessoas em todo o mundo, coletando cerca de 120.000 avaliações detalhadas de veículos históricos. Descreve as principais descobertas para o Brasil e se baseia em 1.097 pesquisas com proprietários e entusiastas e em 3.080 avaliações dos veículos históricos de sua propriedade.

Outros dados importantes coletados pela JDA mostram que:

- Existem ao menos 3,2 milhões de veículos históricos (3% da frota de 108 mi de veículos);

- Esses veículos pertencem a cerca de 1,2 milhão de colecionadores (média de 2,7 veículos por proprietário);

- 79% dos colecionadores são associados a algum clube e 88% frequentam eventos de veículos históricos;

- Em média, os proprietários ficam com seu veículo por 11 anos;

- 4 em cada 10 veículos são das marcas VW e Chevrolet;

- O veículo histórico percorre uma média de 779 km/ano, enquanto a motocicleta histórica percorre 361 km/ano;

- Em média, um veículo histórico sai às ruas 18 vezes ao ano;

- A idade média do antigomobilista brasileiro é de 52 anos.

Um colecionador gasta, em média, R$ 13.400 por ano na restauração, manutenção e operação, R$ 2.900 na participação em eventos de veículos históricos, R$ 640 em outros itens relacionados ao seu interesse em veículos históricos, como mensalidades de clubes, revistas especializadas, souvenirs; e R$ 10.250 na aquisição de veículos. Somando, são R$ 27.200 por proprietário.

Na média, carros clássicos (que respondem por 86% da frota de antigos) custam R$ 129 mil, segundo a pesquisa; o valor médio de motocicletas (4%) é de R$ 34 mil.

Para Roberto Suga, os resultados da pesquisa podem alavancar negócios inexistentes no Brasil atualmente.

"Lá fora que as empresas de seguros fazem seguro de carros antigos, aqui não. Não temos consórcio, financiamento, linhas de crédito para compra de carros antigos. Não há um serviço de precificação de carros antigos. Não há um serviço organizado de assessoria para compra e venda de carro antigo. Enfim, há muita coisa para a qual o mercado do carro antigo no Brasil ainda não se atentou. Acredito que com esses dados tanto empresas já estabelecidas no mercado quanto novas iniciativas possam surgir para atender às demandas", analisa o presidente do Conselho da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA).

E um recado às fabricantes, que ainda ignoram o mercado de clássicos:

"As montadoras deveriam pensar em estabelecer uma fidelização com a marca através da paixão já existente pelos veículos de coleção e transformar esse colecionador em um consumidor de seus veículos novos, seja com patrocínio em eventos, lançamento de produtos e em ações mais criativas como o evento que aconteceu com os clubes de colecionadores de Chevrolet na pista de provas da GM em Indaiatuba", relembra.