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Mora nos Clássicos

Fat Boy, 30: como anda Harley-Davidson eternizada por Schwarzenegger

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

28/11/2020 08h00

(SÃO PAULO) - Uma das cenas mais emblemáticas do cinema norte-americano é a em que Arnold Schwarzenegger salta com uma moto (roubada em um bar na noite anterior) galeria de esgoto abaixo, dribla um gigante caminhão Freightliner e salva o garoto que, no futuro, salvará a humanidade.

HD Fat Boy Scha - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

A Harley-Davidson Fat Boy havia estreado em 1990, e aproveitou a ponta em Terminator 2: Judgment Day para lapidar sua fama.

HD Fat Boy 1990 - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Desenhada por Willie G. Davidson (neto do cofundador da marca) e Louie Netz, também contava com para-lamas mais alongados e rodas de disco sólido fundido - além de um logotipo exclusivo transmitindo nostalgia e patriotismo - para perpetuar sua identidade, que ao cinema serviu outras dezenas de vezes, de Seinfeld a Sons of Anarchy. O próprio Willie G. Davidson rodou com os primeiros protótipos em viagens a Daytona, em 1988 e 1989.

Certas teorias fantasiosas conectam o veículo a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). "Fat Boy" seria uma amálgama dos nomes das duas bombas atômicas que arrasaram Nagasaki e Hiroshima, respectivamente "Fat Man" e "Little Boy". Detalhes em amarelo no motor também seriam alusivos às bombas. E o icônico tom prateado usado na pintura da moto também seria uma emulação estética dos bombardeiros Boeing B-29 Superfortress - o Enola Gay jogou a bomba de Hiroshima e o Bockscar, a de Nagasaki. Até mesmo as rodas seriam uma referência às dos aviões. Puro devaneio.

Um relato de Willie G. Davidson em seu livro 100 Years of Harley-Davidson desmistifica tamanho absurdo: "já ouvi muitas histórias sobre isso, quase todas falsas. Esta é a história real: é difícil encontrar nomes que sejam populares nas ruas. Sempre temos que nos perguntar: 'Como a rua vai chamar isso?'. E trabalhar a partir daí. Estávamos procurando algo incomum e talvez até um pouco irreverente, porque há algo legal em zombar de seus produtos de vez em quando. Para mim, e para muitos outros insiders que a viram, a moto tinha uma aparência gorda enorme. Então o pessoal do marketing surgiu com o nome 'Fat Boy' - e a rua o pegou".

Ao longo dos anos poucas mudanças foram aplicadas à moto, como novo escapamento em 1994, motor de 1.450 cc em 1999, alarme e imobilizador em 2002 e um assento ainda mais baixo em 2010. De 1990 a 2017, usou um V2 que foi de 1.340cc a 1.584cc.

HD Fat Boy Black - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Em 2018 a nova geração se desafiou a manter a essência, mesmo mudando bastante: chassi mais rígido, suspensões com garfo Showa e amortecedor único na traseira, com curso maior; rodas de 18 polegadas (eram 17 antes) com pneus mais largos e de perfil mais baixo (160/60-18 na frente e 240/40-18 atrás). E agora o motor V2 é um Milwaukee-Eight, com 4 válvulas por cilindro, que pode ter 107 polegadas cúbicas (1.745cc) ou 114 (1.868cc) - este último equipando a moto que me acompanhou por uma semana.

HD Fat Boy 2020 frente - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

A Fat Boy intimida no primeiro contato. É uma lenda, afinal, e de fato uma motocicleta grande. Mas, ao montá-la, o condutor percebe que pode manejar com certa tranquilidade seus 317 kg e que o assento baixo é um aliado. O guidão oferece posição confortável para mãos e braços, que vão relaxados. O painel está no tanque, é elegante e de fácil leitura.

HD Fat painel - Rodrigo Mora/UOL - Rodrigo Mora/UOL
Imagem: Rodrigo Mora/UOL

Engatada a primeira marcha com o típico tranco das Harley, a Fat Boy deslancha. Não é preciso abusar do acelerador para que os 15,5 kgfm de torque apareçam. Contudo, se quiser entender do que o Milwaukee-Eight 114 é capaz numa Fat Boy, o piloto deve se preparar para agarrar no guidão e inclinar o corpo à frente, amenizando a pancada que o lançará para trás.

HD Fat Boy 2020 perfil - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Entornar nas curvas é mais fácil do que o descomunal pneu traseiro sugere, e logo condutor e motocicleta estão em sintonia. Basta evitar o trânsito pesado e não querer ir além dos 120 km/h, porque a partir daí a briga com o vento começa. A Fat Boy é moto para passear sem pressa, desfrutando. E você não precisa carregar uma escopeta como a do androide T-800 para se sentir o tal: de muitos carros e motos vêm olhares de admiração. Você devolve acenando positivamente: "sim, é uma Fat Boy".

HD Fat Boy 2020 tras - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

A experiência só não foi melhor porque, insistente como os robôs da franquia que voltam do futuro para exterminar os líderes da resistência humana, a tampa do bocal do tanque ficava tilintando com a vibração do motor. No mais, os acabamentos do (grande e macio) banco e da pintura (são 13 cores disponíveis) são caprichados.

Fat Boy anniversary - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Lá fora, a Fat Boy ganhou recentemente a versão 30th Anniversary, limitada a 2.500 unidades e com pintura exclusiva. Se viesse ao Brasil, custaria bem mais do que os R$ 91.900 do modelo padrão.

Harley LS2  - Rodrigo Mora/UOL - Rodrigo Mora/UOL
Agradecimentos à LS2 pelo capacete Metro Evo
Imagem: Rodrigo Mora/UOL

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL