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Mora nos Clássicos

Estudo dos EUA contraria senso e revela Millennials como reais entusiastas

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

14/10/2020 09h00

(SÃO PAULO) - Uma pesquisa realizada pela Hagerty e divulgada na última semana apresentou dados que contrariam o senso comum: as gerações Y (aquela de pessoas nascidas entre 1981 e 1996) e Z (1996 a 2010) se interessam, sim, por veículos clássicos, sendo os tipos de motoristas com mais probabilidade de ter ou querer um antigo do que seus pais e avós.

Cerca de 10 mil motoristas dos EUA foram abordados pela seguradora americana. Que anotou: 25% dos Millennials, como também são chamados os indivíduos da geração Y, alegaram ter um carro clássico. Entre os das eras Z, X (surgidos entre 1965 e 1979) e Baby Boomers (1946 e 1964), 22%, 19% e 13% declararam o mesmo, respectivamente.

E mais: os membros das gerações Y e Z que ainda não possuem um carro clássico expressaram mais interesse em possuir um do que as gerações anteriores: 57% dos Millennials e 53% dos zes pesquisados confirmaram intenção em comprar um veículo antigo. Tal porcentagem cai para 49% e 33% quando se trata dos membros da X e dos Boomers.

Ainda de acordo com a Hagerty, os dados da pesquisa corroboram números da seguradora, que desde 2017 registra alta na procura por cotações e avaliações de apólices requisitadas por pessoas das gerações Y e Z, concentradas em modelos fabricados entre 1990 e início dos anos 2000 - os tais "neoclássicos", como Peugeot 205 GTI e Dodge Viper, entre outros.

Outra informação relevante trazida pela pesquisa é uma ratificação do prazer de dirigir, pois 73% dos entrevistados (somando todas as gerações) garantiram que gostam de guiar, sendo que 38% se consideram entusiastas - definidos por suas participações em clubes, feiras, leilões ou eventos em pista.

"Grande parte da associação entre morte e direção forjada no despertar da Grande Recessão foi baseada em dados que mostram que as gerações mais jovens estavam obtendo suas licenças mais tarde, comprando seus primeiros veículos mais tarde e comprando menos veículos em comparação com as gerações anteriores da mesma idade. Isso confundia poder de compra com demanda, pois a recessão atingiu as gerações mais jovens com mais força e atrasou uma série de compras importantes e marcos de vida", analisa Ryan Tandler, chefe da pesquisa.

Quem é o colecionador?

Recentemente, a Federação Internacional de Veículos Antigos lançou para 71 países pesquisa sócio-econômica querendo conhecer o perfil do colecionador ao redor do mundo. Os resultados sairão em 2022.

A última edição, de 2014, revelou que 42% dos colecionadores têm um veículo antigo para fins recreativos e sociais, como fazer parte de um clube e ir a eventos. Para 27%, trata-se de nostalgia. Dos que responderam a pesquisa, 98% são homens.

Os levantamentos da Hargerty e da FIVA diferem um pouco quanto à idade: segundo a entidade, a média da maioria dos colecionadores é de 54 anos. Para a seguradora, o colecionador da vez tem no máximo 40.

Demais dados interessantes encontrados pela FIVA: 20% compraram um veículo antigo em 2013, enquanto apenas 8% se dispuseram a vender; a média são dois veículos por colecionador, a quilometragem padrão percorrida em um ano é de 1.433 quilômetros, ? 72 mil é a renda familiar média entre os colecionadores e 25% deles são aposentados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL