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Donos rebatem bullying contra o Marea: "injustiçado e mal compreendido"

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

08/07/2020 00h01

(SÃO PAULO) - Proprietários de Marea discordam que o carro seja problemático. A fonte de todo bullyng na internet seriam certos donos displicentes e não cientes do avançado e complexo carro que tinham em mãos.

A coluna falou com alguns membros do Clube do Marea e reúne aqui os principais depoimentos.

Lucinei Colussi:

"Acho que todos os carros, não importa a marca, têm o seu calcanhar de Aquiles. Na minha opinião, os Fivetech sofrem com arrefecimento e lubrificação. São exigentes. Dá um pouco de trabalho na manutenção preventiva, e aí muito mecânico joga o preço nas alturas para não fazer. De resto, é igual a outros carros.

Atualmente, algumas peças de reposição são de difícil localização, pois muitas não são mais fornecidas pela Fiat. Daí só sobram paralelas, e algumas são de durabilidade bem duvidosa.

Eu acho, sem fundamento científico nenhum, que em algum tempo a própria Fiat vai começar a disponibilizar peças de reposição, como juntas, bombas de óleo e de água, pistões, anéis, válvula...com certa regularidade, pois provavelmente os Mareas que continuarem a rodar estarão na mão de entusiastas, e não 'cupins de ferro'".

Marcelle Benkendorf:

"Acredito que não seja, assim como quando lançado, um carro feito para qualquer pessoa. Gente que não tenha o espirito 'gearhead' e seja apaixonado por carro realmente não deve nem passar perto.

Somente pessoas com disponibilidade de tempo, paciência e dinheiro deveriam comprar, para evitar que a gente veja os carros se acabando por aí em estado deplorável, como temos visto.

O lado bom disso é que num futuro não muito distante, apenas os bem cuidados permanecerão e teremos relíquias nas mãos.

Infelizmente é um carro complicado porque é único, nunca foi cuidado como deveria, desde o lançamento. Injustiçado e mal compreendido, sempre".

Murdok Salazar:

"A linha Marea sempre foi de carros robustos e de um diferencial enorme entre conforto e potência. Hoje o Marea tem um custo-benefício fantástico e em questão de durabilidade, se o dono se preocupar em usar peças de qualidade e trocar filtro de óleo junto com a troca do óleo, dura tanto ou mais que um bom sedã atual.

O Marea passa uma sensação que poucos sedãs da época transmitiam. Até hoje não há nada parecido, nenhum carro com esse feeling que a Fiat fez para o Brasil. É um carro atemporal e magnífico. Deixa saudades e tristeza, pois mereceu uma evolução com o passar dos anos".

José Alexandre Bebin:

"Na minha experiência com o Marea, tendo um 2.4 e um Turbo, fiz com eles a lição de casa como fiz com outros carros que tive: por mais simples que fossem, pesquisei sobre todos seus detalhes, possíveis problemas, pontos de atenção e outros pertinentes para ter um bom uso e poder dar manutenção corretamente.

Nunca fui surpreendido por nenhum problema grave. A mecânica de todos os modelos é muito robusta, mas sofrem aqui com a péssima gasolina, com estradas e ruas ruins de transitar, com poucas oficinas para manutenção com ferramentas certas, com peças de reposição não genuínas com baixa qualidade e, principalmente, com donos sem condições de manter o carro no nível que ele exige.

Para mim é um ícone, principalmente nas motorizações de cinco cilindros, pelo ronco incomparável, pelo design e pelo conforto".

Pardal

"Mesmo depois de 20 anos, continua uma carro de linhas modernas. E a lata desses carros são excelentes. Quantos Mareas você já viu com ferrugem? Na parte interior os acabamentos são bem razoáveis. Quando viu um painel rachado pelo sol? Compare com outros da época. Mecânica? Isso não deveria ser nem cogitado. Esse motor é um tanque de guerra. Câmbio idem.

Ainda continua muito escassa a quantidade de mecânicos que realmente sabem o que fazem, tanto é que muitos donos mexem nos seus próprios carros. Mas falar que o carro é bomba é sacanagem, ele não tem culpa nenhuma. A culpa é da Fiat e dos mecânicos porcos e preguiçosos".

Cláudio Vieira:

"Alguns não sabem é que o projeto do Fivetech é da Lancia, e não da Fiat. Tudo bem, é o mesmo grupo, mas creio que boa parte da má fama e olhares desconfiados é em função do nome Fiat, sendo que parte dos brasileiros torce o nariz para os projetos de sedãs médios da marca. Na Europa esses propulsores são muito bem vistos.

Acho válido ressaltar um exemplar de 2.4, 2006 ou 2007, com mais de 500 mil quilômetros com motor original. Outro com quase 300 mil nas mesmas condições".

Robson Ribeiro

"Depois de ter tido cinco exemplares, digo com a mais absoluta certeza: se você dirigir um Marea bem cuidado, é impossível não confessar o prazer. É carro para quem aprecia carro, não para curiosos e simples usuários".