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Conheça dez termos para entender melhor o universo dos veículos antigos

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

27/06/2020 09h30

(SÃO PAULO) - Antigomobilismo é um termo que pode soar como neologismo, mas é oficial. Obra de Roberto Nasser, jornalista e advogado que cunhou o termo no dicionário Houaiss. E por antigomobilismo entenda-se uma prática, um culto, uma filosofia de vida, até. Vivê-lo significa colecionar veículos antigos, ir a encontros, consumir literaturas a respeito...É um espectro amplo e abstrato, mas de fácil compreensão.

Assim como automobilismo abarca tudo o que se refere aos esportes a motor, antigomobilismo está umbilicalmente conectado aos clássicos. E está aí um termo que muitas vezes é mal aplicado. Nem todos os carros antigos são clássicos: daqui a 30 anos um chinês Effa M100 em estado de 0km pode perfeitamente conquistar seu certificado de originalidade (caso ele não esfarele até lá), mas jamais será um clássico.

Por que? Bem, além de ser fruto de uma indústria sem cultura automotiva, é um carro sem personalidade, terrivelmente construído, e até perigoso. Em resumo, um automóvel deplorável, que está entre as três piores coisas que já dirigi.

Por outro lado, nem todos os clássicos são tecnicamente antigos. Um Porsche 911 da geração 993 fabricado em 1998 já é considerado clássico, mesmo lhe faltando oito anos para completar os 30 obrigatórios para se candidatar a carro de coleção.

E há "divisões" de clássicos: veteranos (até 1904), vintage (até 1930) e pós-vintage (1930 até o final da Segunda Guerra Mundial). Sem falar nos neoclássicos, que vão até o fim dos anos 1990, começo dos anos 2000. Um Golf GTI 1995 é um neoclássico. Um Omega GLS 1998 idem.

Barn find. É um dos termos mais específicos do universo do antigomobilismo, que qualifica carros, tratores, motos ou caminhões abandonados em celeiros (daí o nome), fazendas, sítios, quintais, garagens... Geralmente são acompanhados por grandes histórias - divórcios, mortes e esquecimentos em geral predominam - e há quem viva de caçá-los.

Exemplo: com ferrugem dominando carroceria e rodas e interior mofado e rasgado, um Mercedes-Benz 300SL Roadster 1961 foi vendido recentemente por US$ 800 mil (aproximadamente R$ 3,2 milhões) nos EUA. Não que a deterioração tenha elevado seu preço. É que, mesmo arrasado, esse Mercedes tinha valor.

Mercedes SL - Beverly Hills Car Club - Beverly Hills Car Club
Imagem: Beverly Hills Car Club

É o tipo de carro que, quando em estado virginal, tem portas abertas nos Concours d'Elegance, ou concursos de elegância. São eventos exclusivíssimos, apenas para o olimpo do antigomobilismo, onde veículos escolhidos criteriosamente por especialistas e historiadores de acordo com sua relevância histórica, seu vanguardismo na engenhara e, claro, sua beleza. E depois avaliados. O "vencedor" é premiado como o Best Of Show.

Os principais são Pebble Beach, Amelia Island e Villa D'Este. São os encontros de antigos mais Nutella do universo. E bota Nutella nisso.

Quando um modelo tem os números de fábrica de chassi, motor e câmbio correspondentes, é chamado de matching number. São como a impressão digital de um carro. Serem combinados é a regra, não a exceção. Colecionadores mais meticulosos não abrem mão de um carro "matching number", pois um exemplar com câmbio e motor de outro carro - ainda que tecnicamente correto - pode valer de 20% a 30% menos.

E tudo bem se os veículos ostentam o verniz de quando saíram da loja. A pátina, inclusive, é o reconhecimento de que eles viveram, têm história para contar. Claro, há limites. Não dá pra chamar aquela ferrugem no para-lama ou um banco inteiramente rasgado de pátina.

Não menos polêmicas são as réplicas. Verdadeira é aquela que reproduz fielmente um modelo original, frequentemente reconhecida pela própria marca. Um exemplo clássico são os Shelby Cobra. No Brasil, duas empresas se destacaram: Americar e Glaspac - esta última obteve os gabaritos do carro direto com Carroll Shelby. Outro exemplo é o Chamonix 356, uma cópia respeitosa do Porsche 356.

Ou seja, não têm nada a ver com o LamborgUno.