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Quem é Lamborghini Diablo, supercarro que astro de Top Gear destruiu

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

17/06/2020 15h42

(SÃO PAULO) - O esportivo que Paddy McGuinness, apresentador do programa britânico Top Gear, destruiu após perder o controle em uma estrada de North Yorkshire, na Inglaterra, é um Lamborghini Diablo, fabricado entre 1990 a 2001.

Substituto do Countach, em doses menos radicais carregava do antecessor a impiedade ao volante, o interior claustrofóbico e o visual extravagante, que entregava aos ocupantes a visibilidade externa de um capacete.

Cinco anos antes daquela apresentação em um luxuoso hotel de Mônaco, um objetivo foi imposto aos engenheiros da marca: o projeto 132, codinome interno do carro antes de atender oficialmente por Diablo, deveria ser o primeiro superesportivo da marca a romper a barreira dos 320 km/h.

Lamborghini Diablo 3x4 frente - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Acionaram então Marcello Gandini, autor das linhas dos antecessores do Diablo, Countach e Miura, e também de outros modelos da marca, como Espada, Jarama e Urraco. Portanto, do estilo dos Lamborghini o italiano entendia.

Não na opinião da cúpula da Chrysler, porém. O desenvolvimento do Diablo corria quando a fabricante norte-americana fez um TED de US$ 25,2 milhões para a conta dos irmãos Jean-Claude e Patrick Mimran, então donos da Lamborghini (que desde 1974 não pertencia mais ao seu fundador, Ferruccio). Como nova proprietária, a Chrysler impôs vontades e determinou que sua equipe de designers, instalada em Detroit (EUA), suavizasse as linhas originais do Diablo. E também desse algum requinte ao interior de um carro que custava US$ 211.000.

Lamborghini Diablo int - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Frustrado, Gandini levou seus rabiscos à também italiana Cizeta Automobili, que bancou as excentricidades do designer para lançar, em 1991, o Cizeta-Moroder V16T. Equipado com um 6.0 V16 de 540 cv, chegou a ser considerado uma das promessas entre os supercarros dos anos 1990, mas não foi longe: em 1995, a Cizeta fechou as portas tendo produzido não mais do que vinte unidades do modelo.

Cizeta-Moroder V16T - Reprodução/Wikipedia - Reprodução/Wikipedia
Cizeta-Moroder V16T
Imagem: Reprodução/Wikipedia

Quanto ao trem de força, nada de polêmicas. Recorreram ao V12 de 48 válvulas do Countach, mas para o Diablo com cilindrada ampliada para 5.709 cm3, com potência de 492 cv e 59 kgfm de torque. O câmbio era manual de cinco marchas e a tração, traseira. Os 325 km/h de velocidade máxima declarados pelo fabricante confirmavam que a missão fora cumprida. Até os 100 km/h eram necessários apenas 4,1 segundos.

Nos anos seguintes, pouco se mexeu no Diablo. Algumas versões adicionais incrementavam a gama, como o VT (de tração integral) em 1993, o SE30 em 1994, e o Super Veloce em 1995. O Roadster estreou em 1993.

Entre os principais concorrentes do Lamborghini Diablo estiveram, além do quase irmão gêmeo da Cizeta, Ferrari F40, Porsche 959, Jaguar XJ 220, Bugatti EB110, entre outros.

Lamborghini Diablo 3x4 tras - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

A principal mudança no estilo do Diablo apareceu no Salão de Paris de 1998, quando os faróis escamoteáveis foram dispensados. No mesmo ano, algo mais importante do que a reestilização aconteceu: o Grupo Volkswagen comprava a Lamborghini e a submetia a uma divisão da Audi. Dessa fase nasceram o raro GT e o 6.0 VT, cuja versão SE, limitada a 40 unidades, marcou a despedida do Diablo.

Após 11 anos de vida e quase 3.000 unidades produzidas, o Diablo foi substituído pelo Murciélago.