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Por que ninguém lembra do primeiro Jeep Compass?

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

06/06/2020 05h00

(SÃO PAULO) - Palpite: a maioria dos donos de Jeep Compass não sabe que já existiu outro, bem diferente deste atual. Faz sentido. Diante da quantidade que vendeu e do tempo que ficou no mercado, é quase como se a primeira geração não tivesse existido.

Mas existiu. Sua estreia ocorreu em 2006 nos EUA, construído sobre uma plataforma desenvolvida por Mitsubishi e Daimler Chrysler que serviu de berço tanto para o Compass como para ASX e Lancer, estes da marca japonesa.

Jeep Compass 2007 - Divulgação  - Divulgação
Compass 2007; esse visual aí não existiu no Brasil
Imagem: Divulgação

No ano de lançamento no mercado nacional, em 2012 (já reestilizado), foram emplacadas 1.226 unidades, segundo dados da Fenabrave (representante das concessionárias). Apresentado no fim de fevereiro, teve 10 meses de venda. Em 2013 usufruiu dos 12 para emplacar 858 exemplares. Ou seja, deveria ter vendido mais, mas vendeu menos. Trigésimo sétimo no ranking de SUVs, só emplacou mais do que Land Rover Range Rover, Porsche Cayenne (muito mais caros) e Ssangyong Korando (outro fracasso, igualmente anônimo).

Jeep Compass 2007 - Divulgação  - Divulgação
Compass 2007
Imagem: Divulgação

E foi ainda mais desastroso em 2014, quando apenas 742 compradores se interessaram pelo carro de entrada da Jeep. A despedida veio em 2015: depois de 199 unidades vendidas, deixou para o Renegade a missão de abrir a porta da Jeep a novos clientes. No segundo mês em atividade, o novo jipezinho já emplacava 3.152 unidades - pouco mais do que as 3.025 que a primeira geração do Compass alcançou em cerca de três anos de mercado.

Jeep Compass 2011 - Divulgação  - Divulgação
Compass 2011
Imagem: Divulgação

Um novo Compass surgiu em 2016 e chegou a lugares com os quais o anterior jamais sonhou, como o topo do ranking de SUVs em 2017 e 2018. No ano passado, terminou na segunda posição.

Por que o segundo vai tão bem, enquanto o primeiro foi tão mal?

Rafael Pires, do Marketing de Produto da Jeep, indica quatro razões. "Um fator é o aumento do segmento dos SUVs, muito maior hoje. Segundo: oferecemos o Compass em uma oferta mais ampla de equipamentos, versões e motorização, ampliando sua faixa de mercado. Três: capilaridade da rede. Tínhamos um posicionamento mais premium e contávamos com 40 concessionárias, enquanto hoje são quase 200. Por último temos a fábrica, que contribuiu para aumentar seu volume", justifica Pires.

Jeep Compass 2011 - Divulgação  - Divulgação
Compass 2011
Imagem: Divulgação

Provavelmente isso explica, mesmo, a ambiguidade das realidades. Mas é bom lembrar que também nos EUA, seu país de origem, o Compass sempre experimentou vendas modestas.

E, claro, não convém descartar o fator técnico.

No tamanho, Compass 1 e Compass 2 até que emparelham: 4,45 metros de comprimento, 2,63 m de entre-eixos e 328 litros no porta-malas ante 4,42 m, 2,64 m e 410 litros, respectivamente.

Por R$ 99.900, o antigo Compass trazia em sua única configuração disponível volante revestido em couro com controle de velocidade de cruzeiro e do sistema de som, teto-solar elétrico, espelhos retrovisores externos elétricos e aquecidos, lanterna de emergência de LEDs portátil e recarregável, CD player com MP3, Bluetooth, entradas auxiliar e USB e com disqueteira integrada no painel para seis CDs; seis airbags, ABS com EBD e BAS (distribuição de força e auxílio em frenagem de urgência), controles de estabilidade, tração e anticapotamento e monitor de pressão dos pneus, para citar os principais.

Jeep Compass 2011 - Divulgação  - Divulgação
Câmbio manual: só nos EUA
Imagem: Divulgação

O avaliei à época, quando concluí:

"A ergonomia é um dos pontos fortes. O volante tem boa pegada, a alavanca do câmbio está em posição privilegiada e todos os comandos estão a uma distância reduzida das mãos do motorista. Na cidade, o casamento entre o motor 2.0 de 156 cv e 19,4 kgfm de torque e a transmissão automática CVT (de marchas continuamente variáveis) se mostra bem adequado. A dupla movimenta o carro sem demonstrar sacrifícios e com relativo silêncio. Já na estrada, onde as exigências por retomadas são mais frequentes e intensas, o que era uma lua-de-mel torna-se um casamento desarmônico. E o problema nesta relação é o câmbio CVT, que demora a tomar atitude e neutraliza o sabor da dirigibilidade. O sistema Autostick, que simula trocas manuais; a direção com ajuste preciso e a suspensão equilibrada não revertem a lassidão da dupla motor/câmbio".

Do novo, posso dizer que há mais vigor tanto no 2.0 flex (166 cv / 20,5 kgfm) quanto, obviamente, no 2.0 turbodiesel, de 170 cv e 35,7 kgfm de torque. Naturalmente há mais equipamentos também.

Todavia, há outro elemento: uma certa robustez, uma aura de coragem que sobra num e falta noutro. O Compass antigo não tinha tração 4x4 sequer como opcional por aqui. E outra coisa que não caiu bem foi um câmbio CVT num Jeep.

Jeep Compass 1 - Divulgação - Divulgação
Compass 2020
Imagem: Divulgação