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Jorge Moraes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

VW e-delivery desafia o mercado por até R$ 1 milhão. Vale o investimento?

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Imagem: Divulgação
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Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

16/07/2021 15h08

Você que consome todo conteúdo especializado do UOL Carros não imaginaria isso. Nem eu. Um caminhão 100% elétrico concebido e produzido no Brasil? O e-Delivery nasceu e nós vamos dirigi-lo, provar boa parte dos 250 quilômetros de autonomia e fazer as contas, outras contas com os especilistas da VW.

Porque as duas versões, de 11 toneladas, 4x2 e 14 toneladas 6x2 custam entre R$ 780 mil e R$ 980 mil, valores que se distanciam das médias e pequenas empresas e são mais "acessíveis", digamos, aos gigantes como Ambev, Coca Cola e JBS, por exemplo. Firmas que já se conectaram ao propósito da sustentabilidade, da busca pelo carbono neutro e que estão surfando por esse mar já faz um tempinho.

Os caminhões estilosos por sinal atraem pelo visual e entrega de cabine. Gente que já participou das clínicas de aprovação do produto declarou isso também. E reconheço a eficiência da aposta que tem motor do 100% elétrico, que fica na parte traseira e gera 408 cv de potência com 219 kgfm de torque. Achei boa a entrega. As baterias são de íon de lítio e a recomendação que faço é a seguinte: tome distancia do pack básico, que só garante 110 km de autonomia e parta para os 250 Km também prometidos.

Na estrada, zona de testes feito pela empresa de bebidas, que apostou em cheio no lançamento, dos 45 mil km rodados o e-Delivery poupou bem no que diz respeito a poluição, o caminhão deixou de emitir mais de 34 toneladas de CO2 e não bebeu aproximados 10 mil litros de diesel, o que já significou economia direta na conta da firma. Rodou vantagens...

Os caminhões urbanos fazem parte de um mercado extremamente importante na indústria, veja que nas ruas você, uma hora ou outra, você enxerga o HR ou o Bongo, da Hyundai e Kia, respectivamente. E ambos custam muito menos. Mas não são concorrentes em tecnologia, longe disso, porém são movidos a diesel, na média dos R$ 135 mil, o chassi cabine (com ar-condicionado). Eles poderão ser híbridos mais na frente? Sim e tomara que a legislação colabore para que isso se estabeleça. Elétricos? Nem tão cedo. Caro demais ainda.

Nesse time ainda devo incluir os modelos da Iveco, Renault, Mercedes e, em breve o Ford Transit. Lembrei aqui que um dia, as áreas de carga e recarga eram ocupadas por trucks enormes, mas era o que tinha para o momento, sem contar na fumaça preta nos seus olhos. Hoje, o cenário é completamente outro.

Merece aplausos a largada da Volkswagen Caminhões, que passa a oferecer uma oportunidade zero emissões e rica em tecnologia e design. Agora é esperar que os produtos se tornem acessíveis em outra faixa de preço onde comerciantes de médio e, quem sabe, ainda mais na frente, pequeno porte possam investir no produto e eletrificar a frota.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL