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Citroën suspende venda da versão do C4 Cactus exclusiva para PCD

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Imagem: Divulgação
Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

10/07/2020 09h20

Uma notícia dada pela Country Manager da Peugeot e Citroën no Brasil durante uma live institucional deixou os concessionários preocupados com o atual momento da marca no mercado nacional.

Ana Theresa Borsari anunciou que a versão exclusiva para PCD do Citroën Cactus terá suas vendas suspensas no país. Trata-se de uma opção abaixo do teto de R$ 70 mil determinado pelo governo para se ter a total isenção de impostos (IPI e ICMS), o que deixava o SUV de R$ 69.990 por R$ 54.655.

Segundo a montadora, a decisão foi tomada em função do contexto excepcional da Covid 19, com impactos sem precedentes na economia e taxa de câmbio.

"Vale destacar, que todas as negociações e pedidos em andamento serão honrados e aceitos até o próximo dia 10 de julho. Depois desta data e até a normalização do mercado, continuaremos atendendo o público PCD com isenção parcial e a disponibilização de descontos complementares em todas as versões do C4 Cactus. Esperamos que o período passe o mais breve possível para que possamos reestabelecer a oferta com isenção total aos clientes PCD", afirmou a montadora à reportagem.

Apesar de talvez ser uma decisão passageira, a preocupação dos concessionários é justificada pelo fato de o C4 Cactus ser, disparado, o carro mais vendido da montadora no país. Dos 6.893 veículos emplacados pela Citroën neste ano (janeiro a junho) 4.953 foram do SUV compacto. E deste número, mais da metade (2.833) foram comercializados através de Venda Direta, que inclui PCD e CNPJ.

Além do fator econômico gerado pela Covid, apuramos que a outra razão para a direção da Citroën interromper as vendas do Cactus PCD é o prejuízo de cerca de R$ 8 mil que a marca tinha em cada unidade emplacada. A versão Feel Business Automático que custava R$ 69.990 se destacava pela boa relação custo-benefício (pelo menos para o cliente).

Ela oferece o motor 1.6 aspirado, transmissão AT6, central multimídia de 7 polegadas com Android Auto e Apple Carplay, assinatura em LED (DRL) e os protetivos AirBump, que deixam o visual do SUV mais robusto.

Para tentar compensar a perda dessa grande fatia do mercado, a Citroën vai dar descontos em duas outras versões que vendem bem do Cactus. A Feel Pack Automático, que é a opção mais "recheada" de equipamentos com motor 1.6 aspirado custa, na tabela, R$ 92.790. O cliente PCD terá, além do desconto do IPI, um desconto dado pela montadora de R$ 5.961, deixando o preço final do modelo em R$ 79.035.

Na topo de linha Shine Pack Automático THP, que custa R$ 105.990, o desconto é ainda maior (R$ 8.971), fazendo o preço final baixar para R$ 88.305.

A própria Citroën sabe que os descontos poderão não ser suficientes para compensar a perda de clientes com a retirada da versão PCD do Cactus. Internamente, a montadora fala em uma perda de participação de mercado de 0,2 ponto percentual. Pode parecer pouco, mas para quem fechou 2019 com 1% de market share é bastante significativo.

Em 2020, a Citroën já vem perdendo espaço. Fechou o primeiro semestre com 0,90% de participação, na 12ª posição geral, sendo ultrapassada pela Caoa Chery. Se a previsão de queda for confirmada, a montadora francesa deve cair mais uma posição e ver a Mitsubishi ultrapassá-la. A questão é saber se os concessionários da marca vão conseguir absolver essa redução de receita.

*Colaborou Bruno Vasconcelos