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Jeep Compass: por que nova versão deve deixar rivais comendo poeira

Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

05/06/2020 19h02

A estreia da motorização turbo a gasolina no Compass na Itália, sem nenhuma mudança no visual, antecipa o que ocorrerá no mercado brasileiro no primeiro semestre de 2021. Por aqui, o SUV médio da Jeep receberá a renovação mecânica e praticamente nada de diferente no estilo, a não ser uns conjuntos de rodas para as versões mais caras ou um par de leves retoques nos plásticos da carroceria.

Essa é a tranquilidade que um líder absoluto no segmento pode se dar ao luxo de fazer. Entre os médios, o Compass não enxerga os concorrentes no retrovisor e nem mesmo a chegada do Ford Territory em setembro deve mudar esse quadro.

A eficiência do motor 1.3 turbo vai dar ainda mais fôlego ao Compass. Mesmo sendo menos potente que o 2.0 aspirado (166 cv), o propulsor mais moderno tem mais torque (27 kgfm contra 20,6 kgfm) que o atual, o que vai deixar a pegada do SUV médio mais ágil na cidade, terreno de legitimidade para o Compass flex 4X2, seu natural habitat.

É justamente essa agilidade somada à eficiência que vai dificultar a vida de quem vende Volkswagen Tiguan, puxada nas versões de entrada e intermediárias com o motor 250 TSI, 1.4 turbo de 150 cv e 25,5 kgfm de torque.

Colocando os números lado a lado de forma fria, o Jeep vai sair na frente. Os vendedores de Tiguan precisarão apostar todas as fichas na opção de sete lugares que o Volks oferece e a FCA (ainda) não. O primo maior vem depois.

Dessa forma, o Compass também se prepara para a chegada de um outro adversário, mais silencioso, que é o Ford Territory. Ele vai fazer a sua estreia com a previsão do motor 1.5 turbo com cerca de 145 cv e apostar na tecnologia para tentar tirar clientes da Jeep e da Volks. Será que consegue?

Renegade turbo

Se o Compass nada de braçadas largas e não teme a concorrência, no terreno do seu irmão menor, o Renegade, a vida não é tão fácil assim. O jipinho já vinha perdendo terreno para o T-Cross nos últimos meses antes da pandemia. E agora chegou o novo Chevrolet Tracker chutando o balde, querendo dominar o mercado dos SUVs compactos. Sem contar com a entrada do elegante Nívus, que não tenho impressões muito menos contato visual.

O que T-Cross e Tracker têm em comum que o Renegade não tem? Motor flex turbinado. Todos sabem que o Jeep sofre com o consumo elevado e falta de fôlego do 1.8 aspirado e, por isso, a FCA deverá trazer o motor 1.3 turbo antes para o Renegade do que para o Compass, que vai continuar também com o Tiger Shark mais o diesel de dois litros.

Na Itália, onde são fabricados o Renegade e o Compass para abastecer o mercado europeu, o SUV compacto recebeu a motorização turbo em meados de 2018. São oferecidos dois motores turbinados a gasolina: 1.0 de três cilindros e 120 cv com câmbio manual e o 1.3 de quatro cilindros e 150 cv com transmissão automatizada de dupla embreagem.

O Brasil seguirá a mesma ordem do mercado europeu. Primeiro o turbo no Renegade e depois no Compass. Só que por aqui não teremos essa diferença de quase dois anos entre os lançamentos. Uma fonte nos confirmou que o Renegade turbo chega antes, mas que ambos terão motorização turbo na linha 2022.

O Renagade brasileiro fabricado em Goiana (PE) usará a variante menos potente do motor 1.3 turbo. Com gasolina ele entrega 130 cv, mas quando for adaptado para rodar também com etanol (flex), essa potência pode chegar a 135 cv.

Antes que você ache que o Renegade vai ficar mais fraco com esse motor turbo menos potente que o atual 1.8 flex de 139 cv, é preciso saber que o ganho no torque será o principal fator de mudança no comportamento do jipinho. O propulsor entrega 27 kgfm de torque, cerca de 6 kgfm a mais que o motor atual no Brasil. Isso é uma diferença significativa para um SUV compacto.

Pode ter certeza que o desempenho do carro será outro, como também deve ganhar muito na eficiência. Poderemos dar adeus ao Renegade "beberrão"? Acho que sim, mesmo sabendo que o 1.8 vai equipar o modelo de largada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.