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Avaliação: Crosser 150 muda para se manter como moto mais vendida da Yamaha

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Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

16/04/2022 04h00

Os modelos trail, ou de uso misto, representam cerca de 20% do mercado brasileiro de motocicletas. Ficam atrás apenas dos modelos street, responsáveis por quase metade dos emplacamentos, e têm atraído a atenção de fabricantes.

Recentemente, a Haojue apresentou sua trail NK 150 para brigar com a Honda NXR 160 Bros, líder do segmento. Agora chegou a vez de a Yamaha renovar sua trail urbana, a XTZ 150 Crosser, para se manter como moto mais vendida da marca, posição alcançada em 2021 pelo modelo.

Com 32.258 unidades emplacadas no ano passado, a XTZ 150 Crosser foi a moto mais vendida da Yamaha e a sexta mais vendida do Brasil em 2021. A trail evoluiu para tentar repetir o feito neste ano e, quem sabe, roubar uma fatia da Bros.

Assim como a Honda, a Yamaha não fez grandes alterações mecânicas ou ciclísticas na nova Crosser. A principal mudança, aliás, é de cunho estético e prático.

Farol nova Crosser 150 - Divulgação - Divulgação
Principal mudança na nova Crosser 150 é o farol com desenho ousado e projetor de LED
Imagem: Divulgação

A trail de 150 cc ganhou um novo conjunto óptico. Com luzes de posição e um projetor de LED ao centro segue a identidade visual de outros modelos da marca e melhora a visibilidade do motociclista. Afinal, o farol anterior, com lâmpada halógenas, não era lá dos mais eficientes.

A lanterna traseira também mudou. Ganhou uma forma retangular, que combina melhor com o design da moto, e também usa LEDS.

Outra novidade está no painel que agora é totalmente digital, com fundo blackout. Bastante completo, tem até indicador de marcha e a função Eco, que avisa quando o condutor está pilotando de forma econômica.

Painel nova Crosser 150 - Divulgação - Divulgação
Painel agora é totalmente digital e traz uma útil tomada 12V de série
Imagem: Divulgação

Mas o grande diferencial perante às concorrentes está na instalação de uma tomada 12V de série, para carregar o smartphone. O acessório é popular entre os proprietários do modelo e bastante útil, principalmente para os entregadores que trabalham com a Crosser.

Conforto e robustez

Aliás, os modelos de uso misto, como a Crosser, têm conquistado muitos motociclistas profissionais pelo conforto e robustez.

A posição de pilotagem ereta dos modelos trail e o largo assento da Crosser são mais confortáveis para quem passa o dia inteiro sobre a moto - e também para quem quer viajar por aí.

posição de pilotagem Crosser - Divulgação - Divulgação
Posição de pilotagem ereta e banco largo garantem conforto do piloto nas trails urbanas, como a Crosser 150
Imagem: Divulgação

As suspensões de curso mais longo do que nos modelos street - 180 mm, na dianteira, e 160 mm, na traseira, no caso da Crosser - absorvem melhor as imperfeições do asfalto e "preservam" as costas do piloto. Funcionam tanto para enfrentar a buraqueira de nossas ruas, como para fazer uma aventura por uma estrada de terra, como foi o caso dessa avaliação da nova Crosser.

Saímos de São José dos Campos (SP), aos pés da Serra da Mantiqueira, rumo ao distrito de São Franciso Xavier, popular destino de montanha no interior de São Paulo. É possível ir pelo asfalto, mas o roteiro optou por estradas de terra, conservadas pela prefeitura.

Reproduzindo assim um cenário comum no Brasil, onde mais de 80% da malha viária não é asfaltada, e motivo do sucesso das trails urbanas.

Ágil no asfalto, valente na terra

A receita de trail urbana, criada pela Honda Bros e seguida pela Yamaha Crosser, usa roda aro 19, na dianteira, ao invés do aro 21 das trails de puro sangue. Além de reduzir a altura do assento, a configuração busca equilíbrio entre agilidade no asfalto e robustez na terra. E faz isso muito bem.

suspensões nova crosser - Divulgação - Divulgação
Com roda aro 19 na frente e suspensões de longo curso, Crosser vai melhor que os modelos street em uma estrada de terra
Imagem: Divulgação

Pode não ser o ideal para uma trilha pesada, mas em uma estrada vicinal de terra é o suficiente para superar buracos e pedras com mais desenvoltura do que as rodas aro 17 dos modelos street. Ajudam nessa tarefa, os pneus de uso misto.

No caso da nova Crosser, a Yamaha adotou o Levorin Dual Sport que me surpreendeu - nas medidas 90/90-19 (D) e 110/90-17 (T). Até mesmo em um trecho enlameado, manteve a aderência e transmitiu confiança nas curvas e em frenagens.

Aliás, é justamente no sistema de freios que a Crosser se sobressai. Além de usar disco nas duas rodas, como a Bros, conta com sistema ABS na dianteira. E não há discussão: o ABS garante mais segurança do que o CBS, combinado que freia a dianteira quando você pisa no pedal de freio traseiro.

Outro ponto positivo da trail urbana da Yamaha é seu motor. Apesar da capacidade cúbica e dos números inferiores à Bros 160, o monocilíndrico de 149 cm³ parece não perder em desempenho para o modelo Honda.

O câmbio de cinco marchas bem escalonado contribui para a sensação de que o motor da Crosser está sempre cheio e oferece boas respostas ao acelerador. Sabe quando não é preciso nem reduzir uma marcha, para enfrentar uma ladeira, basta acelerar? Pois assim é o comportamento da Crosser.

motor crosser - Divulgação - Divulgação
Motor da nova Crosser tem boa arrancada e torque em baixos giros, mas velocidade final não passa dos 115 km/h
Imagem: Divulgação

Mas, vale dizer, que na estrada o motorzinho decepciona um pouco e sua velocidade máxima fica em torno de 115 km/h. Ele também sofre para manter velocidades acima de 100 km/h nas subidas.

Por outro lado, o monocilíndrico da Yamaha "bebe pouco". Embora não tenha medido o consumo nesse primeiro contato, na última avaliação que fiz, rodei 38 km/litro com gasolina, na cidade, e 35 km/litro, na estrada.

Como o tanque tem 12 litros de capacidade, é possível rodar mais de 400 quilômetros sem abastecer. De novo, boa autonomia para quem trabalha com a Crosser e também para quem quer viajar.

Segmento concorrido

Após mais de 100 quilômetros com a XTZ 150 Crosser, grande parte por estradas de terra, mas também por rodovias e na cidade, a trail da Yamaha provou que manteve suas qualidades e ainda ganhou equipamentos que podem pesar na decisão de compra do consumidor.

De cara, o farol de LED mais eficiente é um ponto a favor da Crosser. A tomada 12V, além de significar uma economia, já que o proprietário não precisará instalar o acessório depois de comprar a moto, é muito útil e prática. Mas, cá entre nós, bem que poderia ser uma tomada USB, dispensando o uso do adaptador.

Quanto ao preço, voltamos ao velho problema da discrepância entre o preço sugerido pelo fabricante e o preço praticado pelos concessionários, que inclui frete, seguro e a margem de lucro das lojas.

Nova Crosser - Divulgação - Divulgação
Preço sugerido parte de R$ 16.590, para a versão "S" da Yamaha XTZ 150 Crosser 2023
Imagem: Divulgação

Como a produção da Yamaha e de quase todas as fábricas está abaixo do ideal para atender a demanda, faltam motos e as lojas cobram o que querem.

A Yamaha anunciou que o preço sugerido da nova Crosser 150 é de R$ 16.590, para a versão S, e R$ 16.790, para a Z. O valor não inclui o frete. Mas, para se ter uma ideia, no estado de São Paulo, o preço salta para R$ 17.160, na S, e R$ 17.368, na Z. Como o modelo só chega, de fato, às lojas no final de abril, ainda não é possível saber quanto vão cobrar por ela.

Já a Honda anuncia o preço sugerido de R$ 15.790, também sem frete, para a Honda NXR 160 Bros ESDD. Mas basta uma rápida pesquisa por telefone ou na internet para descobrir que é impossível comprar uma Bros por menos de R$ 18.400.

Não podemos esquecer da nova Haojue NK 150. Produzida pela empresa chinesa, antiga parceira da Suzuki, a trail começa a chegar às lojas, com preço sugerido de R$ 17.597. Seu motor, porém, não é flex e, embora tenha ABS na dianteira, como a Crosser, o freio traseiro é a tambor.

Em resumo, a briga no segmento de trail urbanas vai ser boa. Com mais modelos, aumentam as opções do consumidor que busca uma moto ágil no asfalto, mas confortável e valente para rodar na terra.