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REPORTAGEM

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Avanço da covid-19 no País faz produção e venda de motos despencarem

Honda produziu cerca de 40 mil motos em fevereiro, uma queda de 44% na comparação com o mesmo mês do ano passado  - Divulgação
Honda produziu cerca de 40 mil motos em fevereiro, uma queda de 44% na comparação com o mesmo mês do ano passado Imagem: Divulgação
Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

04/03/2021 12h02

A queda acentuada na venda de motos em fevereiro foi reflexo do avanço da covid-19 no País. No mês passado, foram emplacadas apenas 57.428 motocicletas, uma retração de 33,10% na comparação com janeiro. Neste ano, as vendas do setor de duas rodas já acumulam queda de 16,48%.

Segundo distribuidores e fabricantes, o resultado negativo é fruto direto da crise sanitária que afetou fortemente a produção de motocicletas em Manaus (AM), onde estão localizadas praticamente todas as fábricas do país. Só em janeiro, a Abraciclo, associação dos fabricantes, registrou uma diminuição de 46% na produção.

Segundo a Honda, as atividades produtivas também foram prejudicadas em fevereiro. Líder do segmento de motos no Brasil, a marca produziu apenas cerca de 40 mil unidades no mês passado, o que representa uma queda de 44% em comparação com o mesmo mês de 2020.

"A retração das vendas no mês de fevereiro é consequência direta da indisponibilidade de motocicletas na rede, em função dos impactos da pandemia da covid-19 na produção, que foi suspensa temporariamente entre os dias 25 de janeiro a 3 de fevereiro e operou nos meses de janeiro e fevereiro, na maior parte do tempo, em regime de turno especial, com volume limitado", afirmou a empresa japonesa em nota à coluna.

Para os distribuidores de veículos, a demanda por motos continua alta, mas o estoque das concessionárias está baixo e há demora na entrega de alguns modelos novos, o que acaba se refletindo em baixa nas vendas. "O estoque de motos, nas concessionárias, está extremamente baixo e, para alguns modelos, a espera chega a até 40 dias. A demanda segue aquecida, fomentada pela consolidação da motocicleta como meio de transporte individual pessoal e de trabalho, dado o incremento das vendas do e-commerce, além da boa oferta de crédito pelas instituições financeiras, que estão aprovando 45% das propostas apresentadas", avaliou Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, federação que reúne os distribuidores de veículos do País.

A Honda diz que "está ciente do desequilibro entre oferta e demanda, que tem gerado atraso na entrega dos produtos, e está trabalhando para solucionar a situação, no menor tempo possível". A marca pede desculpas aos clientes, mas afirma que "a indisponibilidade dos produtos se deve ao agravamento da pandemia e à necessidade de cuidados com a vida das pessoas".

Honda descarta nova paralisação, por enquanto

Diferentemente da indústria de quatro rodas, que se viu obrigada a suspender a produção de alguns modelos de grande volume, a Honda não prevê a interrupção da produção em função da falta de insumos. Segundo a empresa, "os impactos da covid-19 nas cadeias de suprimentos e no setor de logística tem gerado desafios para a produção da Moto Honda e a empresa vem trabalhando continuamente junto aos seus fornecedores para manter os volumes estabelecidos para todos os modelos."

No caso da indústria de motos, uma queda na produção impacta diretamente as vendas. Isso acontece porque os estoques das lojas já vinham baixo desde o segundo semestre do ano passado, mas também porque as fábricas trabalham sob demanda. Ou seja, produzem as motos em função dos pedidos das concessionárias.

Com a produção limitada, as fábricas de motos não conseguem atender a todos os pedidos, apesar da alta demanda. Com isso, muitos consumidores buscam outros modelos ou recorrem às motos seminovas. Prova disso é que, embora a venda de novas tenha caído 16,48% neste ano, as transações de usadas já cresceu 9,19% nos dois primeiros meses de 2021.