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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Lista: 5 motos de série que bateram recorde de velocidade

Kawasaki Ninja H2R é atualmente a moto de série mais rápida do mundo, podendo chegar a 357 km/h - Divulgação
Kawasaki Ninja H2R é atualmente a moto de série mais rápida do mundo, podendo chegar a 357 km/h
Imagem: Divulgação
Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

14/02/2021 04h00

Não importa qual a moto que estou pilotando, ao encostar no posto ou fazer uma parada para o almoço, uma pergunta sempre surge: "essa daí, chega a quanto?". Mesmo que não seja o item mais importante sobre uma motocicleta, a velocidade máxima de um modelo é uma dúvida frequente.

Afinal, a velocidade fascina até mesmo quem não é motociclista. Inúmeros automóveis, aviões e outros veículos já ganharam fama por terem batido recordes de velocidade.

Com o lançamento da nova Suzuki Hayabusa, lembrei a disputa que existia entre as fábricas pelo recorde de velocidade máxima, no final dos anos de 1990, quando comecei a trabalhar no setor de duas rodas. A primeira geração da Hayabusa acabara de ser lançada e havia desbancado a Honda CBR 1100XX Blackbird, até então recordista de velocidade entre as motos de série.

Para relembrar as motos que já bateram recorde de velocidade, além da curiosa história do "acordo de cavalheiros" entre as fabricantes, para limitar a velocidade máxima em 300 km/h, elaborei uma lista com cinco modelos que já ostentaram o título de "moto mais rápida do mundo"; confira.

Kawasaki Ninja ZX-11R

Ninja ZX11 - Divulgação - Divulgação
Kawasaki Ninja ZX-11 chegava a 283 km/h no início dos anos 90
Imagem: Divulgação

Quando chegou ao mercado, no começo dos anos 90, a ZX-11 foi declarada a moto de produção mais veloz do mundo, chegando a 283 km/h de velocidade máxima. O responsável pelo feito era um motor de quatro cilindros em linha, 1.052 cm³ e arrefecimento líquido, que gerava 145 cavalos de potência máxima a 9.400 rpm. Os números podem não impressionar, quando comparados às motos atuais, mas a Ninja ZX-11 era um foguete quando foi lançada.

Honda CBR 1100 XX SuperBlackbird

cbr 1100 xx - Divulgação - Divulgação
Lançada em 1996, a Honda CBR 1100 XX atingiu 290 km/h
Imagem: Divulgação

Apenas cinco anos depois, a Honda apresentou ao mundo a CBR 1100XX Super Blackbird . Embora a "Double X" (Duplo X), como o modelo ficou conhecido, fosse mais uma sport-touring do que uma superesportiva propriamente dita, seu motor de quatro cilindros produzia 134 cv de potência máxima na primeira versão, ainda carburada. Mas foi no modelo 1999, que a Honda adotou a injeção eletrônica de combustível e a cavalaria saltou para 139 cv, o suficiente para levar o modelo a 290 km/h e tomar o título de moto mais rápida do mundo da Ninja ZX-11.

Suzuki GSX 1300R Hayabusa

Hayabusa 1999 - Divulgação - Divulgação
Reza a lenda que apenas a primeira versão da Suzuki Hayabusa, lançada em 1999, era capaz de superar os 300 km/h
Imagem: Divulgação

O reinado da CBR 1100 XX durou pouco. Naquele mesmo ano, a Suzuki apresentou a GSX 1300R Hayabusa, que levava o nome de um falcão peregrino japonês, considerada uma das aves mais rápidas do mundo. Com foco na aerodinâmica e um motor tetracilíndrico de 1.299 cm³ de capacidade, a primeira geração da Hayabusa produzia 178 cv de potência máxima a 9.800 rpm e chegou a 313 km/h, superando, pela primeira vez, a barreira dos 300 km/h.

Aqui que a história fica curiosa. Nos anos seguintes, apesar da mesma configuração, os proprietários e pilotos de teste afirmavam que a Hayabusa não passava dos 300 km/h. Foi então que surgiu a polêmica, até hoje incerta, sobre a adoção de um limitador eletrônico de velocidade.

Diversas fontes afirmam que, no início dos anos 2000, os fabricantes japoneses e europeus, que disputavam o título de moto mais rápida do mundo, resolveram impor a barreira dos 300 km/h a todos os modelos. Tanto que a Kawasaki Ninja ZX-12R, lançada em 2000, não superou esse limite, assim como versões mais recentes da Hayabusa - mesmo sendo mais potentes.

Ducati Panigale V4R

Ducati Panigale V4R - Divulgação - Divulgação
Ducati Panigale V4R com sistema de escapamento racing chegou a 331 km/h!
Imagem: Divulgação
Construída para disputar o Campeonato Mundial de Superbike, a Panigale V4R tem motor de 998 cm³, menor que a V4 (1.103 cm³), mas ainda assim é mais potente: produz 224 cv de potência máxima a 15.250 rpm. Os números podem chegar a até 237 cv com o kit de escapamento racing da Akrapovic, vendido junto com a superesportiva. E, foi justamente nessa configuração, ou seja, preparada para a pista, que o modelo alcançou 331 km/h. Apesar de ser praticamente uma moto de corrida, a V4R é vendida ao público e pode rodar nas ruas - exigências para que participe do campeonato mundial da categoria Superbike.

Kawasaki Ninja H2R

Ninja H2R - Mario Villaescusa/Infomoto - Mario Villaescusa/Infomoto
Kawasaki Ninja H2R original de fábrica chega a 357 km/h
Imagem: Mario Villaescusa/Infomoto

Os números superlativos dão uma ideia do que a Kawasaki Ninja H2R é capaz. Com 326 cv de potência, seu motor de quatro cilindros em linha e 1.000 cc conta com um supercharger para chegar a 357 km/h de velocidade máxima! Trata-se da moto de série mais rápida e potente do mundo. Embora seja um modelo de uso exclusivo em pista, a Ninja H2R pode ser encomendada por qualquer mortal que se disponha a pagar os US$ 55 mil dólares (cerca de R$ 300 mil), pedidos pelo modelo nos Estados Unidos.

Ninja H2R 400 km/h - Divulgação - Divulgação
Em 2016, o piloto turco Kenan Sofuoglo levou a Ninja H2R a 400 km/h, mas alterou a relação e usou pneus especiais para o feito
Imagem: Divulgação

Mas se os 357 km/h não forem suficientes, ainda é possível "alongar" a relação final da moto e chegar a 400 km/h, como fez o piloto turco Kenan Sofuoglu em 2016, na ponte Ozman Gazi, em Istambul, que tem 2.682 metros de extensão. Mas não tente isso em casa: para conseguir o feito, o piloto profissional contou com pneus especialmente fabricados pela Pirelli para a tentativa, além de um macacão mais resistente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL