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Avaliação: nova BMW R 1250 RT chega 'atrasada' e sem conexão com smartphone

BMW R 1250 Rt

Arthur Caldeira

Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

Colunista do UOL

25/10/2020 04h00

A BMW R 1250 RT voltou ao mercado brasileiro, após cinco anos de ausência. Entretanto, por uma infeliz coincidência, a moto touring chegou às concessionárias da marca no Brasil, agora em outubro, "atrasada" e defasada em relação ao modelo que será vendido na Europa.

Isso porque a BMW apresentou a R 1250 RT 2021, com atualização no visual e tecnologias inéditas, como o controle adaptativo de velocidade, faróis de LED direcionais e uma nova central multimídia. Vale ressaltar, porém, que a nova RT só começa a ser vendida no velho continente a partir de março do próximo ano.

Enquanto a R 1250 RT 2021 não chega por aqui, avaliamos o modelo 2020, na cor branca, que é vendido por R$ 165.750, em uma viagem teste pelo litoral paulista. Percorremos cerca de 400 quilômetros, para avaliar seu desempenho e conhecer tudo o que ela oferece para quem quer viajar com o conforto de uma moto touring alemã; confira.

Motor

A BMW RT é sinônimo de moto para viajar há mais de 40 anos, desde quando a marca lançou a R 100 RT em 1977. Assim como outros modelos da marca, a RT foi evoluindo e também crescendo de "cilindrada". O grande destaque da R 1250 RT, que chega agora ao País, é justamente o novo motor, com dois cilindros opostos, 1.254 cm³ de capacidade, arrefecimento líquido e comando de válvulas variável.

RT lateral - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
BMW R 1250 RT tem motor de dois cilindros, 1254 cm³, e comando de válvulas variável: potência máxima é de 136 cv
Imagem: Renato Durães/Infomoto

O sistema, batizado de Shift Cam pela BMW, altera a abertura das válvulas de acordo com a rotação do motor, oferecendo mais torque em baixos regimes, mas sem perder a potência em altos giros. Já havia sido adotado na nova R 1250 GS e se expande agora para outros modelos da família "R", ou seja, com motor boxer.

A grande sacada é que, embora o torque máximo de 14,6 kgf.m seja atingido a 6.250 rpm, grande parte dele já está disponível a partir de 2.500 giros. Uma característica interessante para uma moto touring, geralmente carregada com bagagem e garupa.

O torque ajuda nas arrancadas, ultrapassagens e facilita a condução. Aliás, vale destacar o assistente de partida em subidas (Hill Start Control), que funciona de forma automática e "segura" a moto na hora de arrancar com os 279 quilos (em ordem de marcha) da R 1250 RT.

O comando de válvulas variável também permite que o motor tenha fôlego para alcançar a potência máxima de 136 cv a 7.750 giros, quando seu comportamento fica mais para uma sport-touring.

RT movimento 1 - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
Em viagem de 400 km pela rodovia Rio-Santos, R 1250 RT mostrou bom desempenho do motor e ciclística equilibrada
Imagem: Renato Durães/Infomoto

Em conjunto com o câmbio de seis velocidades, que tem assistente de trocas e permite subir ou reduzir marchas sem a embreagem, pode-se optar por uma tocada mais tranquila. É possível rodar em quarta marcha, a 50 km/h, ou nem reduzir para fazer uma ultrapassagem. Mas também, caso o piloto queira, dá para esticar os giros e pilotar mais esportivamente.

Há ainda três modos de condução, que alteram controle de tração, resposta do acelerador, freios e até o comportamento da suspensão. O modo "Road", indicado para viagens e quando estiver com garupa, oferece respostas mais suaves e foi a minha escolha ao longo de grande parte do percurso.

Em trechos mais sinuosos, também testei o modo "Dynamic", no qual as retomadas são mais vigorosas, e ainda tive de adotar o modo "Rain", para subir a serra com segurança com respostas suaves, quando a chuva deixou o piso molhado.

Outro benefício, segundo a BMW, é o menor consumo de combustível: com malas carregadas, garupa e no "anda e para" das lombadas e radares da rodovia Rio-Santos, a média foi de 20,8 km/litro, de acordo com o computador de bordo. Com seu tanque de 25 litros, a autonomia da RT é suficiente para rodar 500 quilômetros sem abastecer.

Ciclística

Apesar do peso e dos mais de 2,2 metros de comprimento, a R 1250 RT impressiona por seu equilíbrio dinâmico e facilidade de pilotagem. Quando se está sentado no confortável banco, nem parece que a moto tem um porte tão avantajado. Além do motor, quadro e suspensões são derivados da famosa GS. Mas, claro, com curso menor e acerto mais "firme".

BMW R 1250 RT FREIO - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
RT tem ajuste eletrônico das suspensões e bons freios, com sistema ABS; rodas de liga-leve são aro 14 e calçam pneus sem câmara
Imagem: Renato Durães/Infomoto

A suspensão dianteira, com apenas um amortecedor central, quase não afunda em frenagens mais fortes, permitindo entrar nas curvas de forma bastante "esportiva" e com confiança, além de proporcionar mais conforto para os dois ocupantes. Na traseira, o monobraço, que traz o eixo-cardã embutido, tem um amortecedor.

O ajuste é feito pela última geração do sistema de suspensão eletrônica e semiativa da BMW. Há dois modos, Road e Dynamic, que seguem os modos de pilotagem. Mas a novidade é o ajuste automático da altura. Não é preciso selecionar nada: sensores nas suspensões "entendem" se há piloto, garupa e bagagem e ajustam a pré-carga da mola automaticamente.

Com rodas aro 17 e pneus de perfil mais esportivo, a R 1250 RT transmite muita confiança, seja em curvas mais fechadas, ou em velocidades mais altas. Se os pilotos de "GS", que rodam só no asfalto, certamente se sentirão ainda mais seguros e confiantes com o conjunto ciclístico da nova RT.

Conforto e equipamentos

Com motor potente, ciclística equilibrada e conforto físico aos ocupantes, a R 1250 RT cumpre com sua proposta de ser uma moto para viajar, pelo asfalto, por muitos quilômetros. Também não faltam sistemas de assistência, para garantir uma pilotagem segura: controle de tração, modos de pilotagem, freios ABS, distribuição de frenagem em emergências...

R 1250 RT frontal - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
RT tem bom pacote eletrônico, com sistemas de assistência à pilotagem, e conforto de sobra, para viajar muitos quilômetros, pelo asfalto
Imagem: Renato Durães/Infomoto

É preciso contrariar muitas leis da física para tomar sustos com a RT. Mesmo no asfalto invadido pela areia das praias do litoral paulista e nas inúmeras lombadas da Rio-Santos, o bom conjunto ciclístico, com destaque para os freios, transmite muita segurança ao piloto.

Mas quem opta por uma luxuosa touring, espera algo a mais. Há manoplas e bancos aquecidos; o para-brisa com ajuste elétrico oferece excelente proteção aerodinâmica, e, a nova RT ainda oferece faróis com acendimento automático, setas de desligam sozinhas e sistema keyless, com chave de presença, que tranca automaticamente as duas malas laterais e a moto.

As malas, de série, têm boa capacidade de carga, e comportam um capacete fechado de cada lado. Também são removíveis e impermeáveis, para você retirá-las e levá-la para seu quarto de hotel.

cockpit BMW R 1250 RT - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
Controles eletrônicos e painel são comandados no punho esquerdo; faz falta conexão Bluetooth para smartphones
Imagem: Renato Durães/Infomoto

Há ainda um bom sistema de som, com entradas USB e auxiliar, além de rádio FM. Mas, atualmente, quem paga os R$ 165.750 pela RT espera, no mínimo, conectividade Bluetooth com o smartphone. Até existe a conexão sem fio, mas apenas para os intercomunicadores. Não dá para reproduzir sua playlist nos dois alto-falantes, localizados no painel de instrumentos da moto.

Também não é possível usar seu sistema de navegação. Para isso, é preciso adquirir separadamente o GPS da BMW, que tem espaço reservado no modelo.

Mercado e concorrentes

Mas, com isso, a BMW R 1250 RT fica devendo no quesito "conectividade", palavra tão em voga nos dias de hoje, perante à concorrência. Embora não sejam do mesmo segmento, modelos como a Harley-Davidson Street Glide Special (R$ 119.650) e Honda Gold Wing 1800 (R$ 142.000) oferecem conforto, malas laterais e desempenho para viajar, além de uma central multimídia completa, até mesmo com aplicativos para espelhar o smartphone no painel.

BMW R 1250 RT traseira - Renato Durães/Infomoto - Renato Durães/Infomoto
BMW R 1250 RT tem desempenho e comportamento mais esportivo que as concorrentes, mas fica devendo farol de LED e conectividade
Imagem: Renato Durães/Infomoto

Felizmente, a BMW corrigiu essa "falha" na R 1250 RT 2021, mostrada recentemente na Europa, que traz o novo painel de TFT com conexão e aplicativo para celular. Mas, infelizmente, o modelo só deve chegar por aqui no final do próximo ano.

Apesar da "defasagem", quem procura uma moto confortável, segura e divertida de pilotar, para longas viagens pelo asfalto, tem na R 1250 RT 2020 uma opção interessante. O preço elevado, em função da alta taxa de câmbio atual, pesa contra a touring alemã, mas seu desempenho, controles eletrônicos e comportamento dinâmico se destacam das concorrentes. E o modelo ainda oferece a chance de se "desconectar" do seu smartphone.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.