PUBLICIDADE
Topo

Doutor Multas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

9 dicas para fugir de roubadas na hora de trocar de carro

Marlene Bergamo/Folhapress
Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress
Conteúdo exclusivo para assinantes
Gustavo Fonseca

Gustavo Fonseca é especialista em direito de trânsito e fundador do Doutor Multas, site que auxilia o motorista a recorrer de multas, economizar e não perder a CNH

Colunista do UOL

13/04/2022 04h00

Comprar e vender veículos é uma tarefa que envolve muitas burocracias e demanda atenção tanto do vendedor, quanto do comprador. No Brasil, em 2021, mais de 15 milhões de carros usados foram vendidos, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).

Quem está acostumado a comprar usados tem sempre uma lista de atributos e condições a serem verificadas antes de fechar negócio; para os menos experientes, conhecer alguns aspectos importantes a serem observados é crucial para não cair em roubadas. Conhecer o histórico do veículo, da forma mais abrangente possível, e ter cuidado com os contratos de financiamento são itens da lista.

  • O UOL Carros agora está no TikTok! Acompanhe vídeos divertidos, lançamentos e curiosidades sobre o universo automotivo.

1) Consultar histórico de multas, licenciamento, IPVA, DPVAT e restrições

Escolher um modelo e os acessórios que mais supram as necessidades do motorista e de sua rotina são apenas o primeiro passo para iniciar um negócio de maneira segura. A escolha e definição do automóvel a ser comprado deve sempre passar por uma verificação completa do histórico de multas em aberto, regularização de licenciamento, IPVA e Seguro DPVAT dos anos anteriores e do ano corrente.

Isso porque pendências financeiras, além de quaisquer restrições no veículo, podem impedir que ele seja transferido. Por isso, se houver multas em aberto e outros débitos, é possível que comprador e vendedor negociem para incluir esse valor no negócio de alguma forma.

O que pode dificultar um pouco mais a transferência é uma restrição. Por exemplo, se houver restrição administrativa devido a um problema de cadastro, ou uma restrição judicial pelo fato de o automóvel estar em inventário, a realização da transferência de propriedade será impedida até que a restrição seja resolvida.

Atualmente, há sites que auxiliam o motorista nessa pesquisa utilizando a placa do veículo na busca. Caso o interessado no veículo note certa resistência do vendedor em apresentar essas informações, pode ser interessante buscar os dados por essa outra via.

2) Averiguar se houve algum sinistro envolvendo o veículo

Dentro dessa consulta completa do veículo, entra também a questão do sinistro. Saber se o automóvel já esteve envolvido em acidentes, se é recuperado ou já sofreu danos sérios pode ser condicionante para a compra.

Além de o sinistro ser um fator de desvalorização do valor do automóvel, há problemas que, à primeira - segunda e até terceira - vista, podem não ficar evidentes, mas serem causadores de prejuízos futuros, o que leva à próxima dica.

3) Solicitar uma perícia do automóvel em estabelecimento de sua confiança

Considerando o valor envolvido na transação para adquirir um novo carro ou moto, tudo o que o motorista puder fazer para garantir a transparência e o conhecimento completo do veículo, antes de fechar o negócio, é benéfico para ele.

Assim, a terceira dica para não cair em roubadas é levar o veículo para uma perícia em um estabelecimento de confiança do comprador. Os profissionais saberão o que olhar, verificar e indicar, e farão um relatório do veículo demonstrando se há algum dano "escondido" na lataria ou algo com que se preocupar.

Se for necessário algum conserto, isso poderá ser negociado no valor da compra; se houver alguma questão mais grave, será possível desistir da compra antes de ser prejudicado.

4) Verificar se a quilometragem no hodômetro bate com a idade e desgaste do veículo

No Brasil, há casos frequentes de adulteração da quilometragem de veículos, a fim de vendê-los por um valor mais alto, já que este também é um fator de desvalorização dos automóveis. A prática é crime e o comprador precisa estar atento a ela.

Para saber se o valor que consta no painel é verdadeiro, o interessado pode verificar o histórico de revisões, que normalmente são feitas a cada 10 mil km; ou mesmo se atentar ao desgaste do veículo em geral, tal como pneus, câmbio, pedais etc. Se nenhuma dessas formas estiver acessível ou se houver desconfiança, levar a uma concessionária para um escaneamento completo do automóvel, a fim de recuperar a informação sobre a quilometragem.

5) Consultar valor do veículo na Tabela Fipe

Com a valorização dos veículos, muitos proprietários estão vendendo seus automóveis a preços mais altos ou bastante próximos da época em que eles foram comprados. Por isso, consultar o valor do veículo na Tabela Fipe ajuda a ter uma referência de preço para o veículo que o condutor estiver pensando em comprar.

Além do valor na Fipe, existem fatores que impactam no valor pelo qual o automóvel será vendido - alguns já citados ao longo deste artigo, como a quilometragem e os sinistros. Portanto, ele deve ser um ponto de partida para o comprador e para o vendedor.

6) Comparar preços do veículo em diferentes locais

A comparação de preços é amiga de qualquer aquisição, principalmente, quando o assunto é a compra de um bem mais caro, como um veículo. Ela contribui não somente para encontrar o melhor negócio, mas para verificar se aquele preço mais baixo que você encontrou está dentro do que é encontrado no mercado.

Se o preço está muito defasado em relação às demais ofertas, é importante verificar se não há nenhum problema sendo ocultado pelo vendedor do veículo, como um problema sério na mecânica ou elétrica do veículo, um sinistro, quilometragem mais alta alterada, veículo roubado, entre outras questões.

7) Verificar opiniões de outros motoristas sobre o veículo, a marca e a loja em que você deseja comprar

Conferência de peças, detalhes do veículo sobre manutenção, consumo de combustível, acessórios, tudo isso pode ser pesquisado. Além disso, conhecer a opinião de motoristas que já têm o veículo de interesse é importante para conhecer pontos de vista de quem está com ele no dia a dia, e saber se realmente é a melhor escolha.

Essas avaliações podem ser facilmente encontradas em uma pesquisa na internet. Sabendo selecionar, por exemplo, opiniões de motoristas que tenham uma rotina, necessidades e usos parecidos com o do motorista interessado em adquirir o veículo são detalhes que podem ajudar a saber se aquele modelo é adequado.

A reputação do estabelecimento também conta na hora de escolher onde comprar o novo automóvel, e para buscar informações e opiniões, basta buscar o nome da empresa na internet, se necessário, com a cidade e estado em que ela se localiza.

8) Se for financiar, ler o contrato com calma e tirar todas as suas dúvidas

Contratos bancários estão longe de serem acessíveis, o que pode dificultar, e muito, a vida de quem pretende adquirir um automóvel por meio de um financiamento. Há diversas instituições financeiras que realizam essa operação no Brasil, e saber escolher bem, conhecer o contrato que está sendo assinado e tirar todas as dúvidas sobre suas obrigações e direitos é crucial para evitar dores de cabeça no futuro.

Não somente as taxas de juros devem ser pesquisadas, mas a leitura atenta e cuidadosa do contrato, solicitando a resolução de todas as dúvidas antes de firmar o contrato é essencial. Para isso, formas que fiquem documentadas são mais indicadas, tal como o pedido de informações via e-mail, já que ele pode servir como documento em um futuro questionamento do contrato, dentro ou fora do Judiciário.

9) Garantir que a transferência de propriedade foi feita corretamente e até o final

Por fim, a última dica é acompanhar o processo do começo ao fim. Ou seja, da escolha e avaliação do veículo até a finalização do processo de transferência de propriedade.

Atualmente, no Brasil, há mais de um formato possível para a transferência, uma vez que alguns Detrans já aderiram à transferência totalmente digital, pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito - o mesmo da CNH digital. Por outro lado, na maior parte do Brasil, a transferência demandará a impressão e assinatura de documentos e o reconhecimento das assinaturas em cartório.

Acompanhar o processo, fazer tudo o que for necessário, para que o automóvel seja passado ao nome de quem o adquiriu, evita multas e outras penalidades de trânsito.

Quer ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito? Participe do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros. Você também pode acompanhar a nossa cobertura no Instagram de UOL Carros.