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Coisa de Meninos Nada

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Conhece esses? Veja carros que ganharam apelidos (não muito) carinhosos

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Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

16/06/2022 04h00

Ao longo dos anos a indústria automotiva desenvolve uma imensidão de automóveis que são recepcionados pelos consumidores de maneiras muito diferentes e, às vezes, não tão carinhosas.

O tema surgiu durante uma conversa com meu caro amigo Gabriel Marazzi e achamos bacana fazer um texto com alguns dos apelidos (fofos ou nem tanto) que os veículos colecionaram no Brasil.

Começando pelo Ford Modelo A, na versão Roadster, que era chamado de Baratinha por lembrar o inseto temido por tantas pessoas. Fico pensando se alguém com medo de baratas teria um destes carros.

Não dá para deixar de mencionar o "banco da sogra" que também era característica destes automóveis e que, até hoje, é motivo de piadas maldosas. Para piorar, este modelo tinha teto rígido, o que impossibilitava a comunicação, já que a manivela que baixava o pequeno vidro da vigia estava "sempre com problemas". Acontece, né?

Miniatura Durepoxi Simca Chambord Tufão 1965 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O Simca Chambord veio com tudo quando de seu lançamento no Brasil. Carro bonito, mas que teimava em não funcionar direito, ganhou o apelido de Belo Antônio, personagem de um filme italiano de mesmo nome cuja beleza tirava o fôlego, mas a virilidade era discutível.

Já o Fusca caiu na graça do brasileiro e um dos apelidos carinhosos que adquiriu ao longo dos anos foi Besouro, em alusão ao seu nome no exterior (Beetle). Mais triste foi o modelo com teto solar, que logo ganhou o apelido de Cornowagen e destruiu o sucesso do modelo.

Karmann-Ghia 1963 coleção Flavio Gomes - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O mesmo aconteceu com o Karmann Ghia, que ganhou o apelido pejorativo de "Sonho de Puta" e acabou com as vendas para mulheres, público que mais simpatizou com o modelo. Alguns dizem que o mesmo apelido também foi dado ao SPII por causa da sigla.

Um comercial da revenda Vimave, do glorioso Silvio Santos, em 1980 mostrava o comediante Ary Toledo tendo problemas com um Chevrolet 46 - que todo mundo tinha que ajudar a empurrar quando passava um cara com um Fusca e repetia "pois é". Desde então, "Pois é" serve para nomear qualquer carro que não funciona direito.

Ainda não dá para parar de falar de Fusca, pois tivemos duas versões com apelidos célebres. O primeiro foi o Fusca Fafá, em "homenagem" a Fafá de Belém pelas lanternas traseiras. E o outro foi o Fusca Itamar, que ganhou o apelido porque foi o presidente Itamar Franco que o trouxe de volta à vida.

Cantor Roberto Carlos com o calhambeque original - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Já o termo Calhambeque acabou servindo para qualquer carro velho em determinada época. A ideia era pejorativa, mas atualmente é comum ver pessoas se referindo a carros antigos como calhambeques com um sentido mais nobre. Além disso, quem eternizou o termo foi Roberto Carlos em sua música "O Calhambeque", uma versão de "Road Hog" de John D. Loudermilk.

Outro termo que se usa até hoje para se referir pejorativamente a um automóvel é Chimbica. Este serve para referir-se a carros pequenos e de pouco valor.

Fordeco foi, durante muito tempo, um termo depreciativo para os pobres Ford Bigodes (as alavancas de comando do acelerador e do ponto, localizadas na coluna de direção, lembram um bigode), mas quem acabou levando a pior fama foi o Prefect, já que era um carro de desempenho duvidoso.

Alguns Fords e Chevrolets dos anos 20, 30 e 40, com carrocerias fechadas e o teto de metal, ganharam o apelido de Guarda-Louça, assim como alguns veículos de transporte de pessoas, receberam o nome de Jardineiras, pela ausência de fechamentos laterais e pelos bancos de madeira.

O pobre do Dauphine, com seu fraco motor Ventoux, câmbio de três marchas e suspensão dianteira de bracinhos esqueléticos, recebeu o triste apelido de Leite Glória. Na época, o leite em pó da Ninho era difícil de ser dissolvido e a Glória lançou um produto desidratado que era tão fácil de diluir que usava o slogan "Desmancha sem bater".

Volkswagen Kombi 1975 "Corujinha" - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

A Kombi é carinhosamente chamada de Pão de Forma por assemelhar-se ao alimento. Com o surgimento das Kombis encurtadas, estas ganharam o apelido de Bisnaguinhas. E também não dá para deixar de citar a Kombi Corujinha, que todo mundo tanto ama. Corujinha porque o desenho da frente lembra a carinha de uma coruja.

Temos também o famoso Rabo de Peixe, graças à traseira das Belairs e Cadillacs 57 que realmente lembram o rabo de um peixe.

O Renault 4cv ganhou o curioso apelido de Rabo Quente por causa do motorzinho nervoso na traseira.

E o Chevette Tubarão? Um carrinho pequenininho com um apelido tão invocado? Tudo por causa da forma como o capo avança na frente do carro.

A picape Ford F-100 é carinhosamente chamada de Vampirinha devido à grade dianteira, que lembra dentinhos de vampiros.

Duvido que a Volkswagen poderia prever o apelido que o povo daria ao seu modelo 1600, que ficou conhecido como Zé do Caixão - personagem interpretado por José Mojica Marins.

A criatividade do brasileiro para piadas é impressionante. Até hoje nos surpreendemos com alguns termos inventados não só para o mundo automotivo. Poderíamos continuar a lista, mas alguns termos talvez não fossem mais bem aceitos.