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Coisa de Meninos Nada

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Etanol aditivado: por que vale pagar um pouco mais na hora de abastecer

Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

16/03/2021 04h00

Seguindo com a nossa série sobre combustíveis, chegou a vez do etanol. Algumas coisas muitos já sabem, como a informação de que seu uso aproveita um pouquinho mais da potência de um carro flex. Em contrapartida, o consumo aumenta, então as pessoas gostam de fazer contas envolvendo o preço do álcool e da gasolina para ver o que vale mais a pena.

Mas, no fim, o que vale mesmo é a preferência de cada pessoa. Tem gente que não abre mão da gasolina e tem quem só abasteça com álcool a vida toda. Tem também aqueles que gostam de fazer misturas que parecem receitas de poções mágicas: pra cada tanque, 5 litros de etanol, 4,5 de gasolina aditivada e o resto de comum.

Mas olha que interessante: ninguém coloca etanol aditivado nessa misturinha. Por que será?

Existe um pouco de preconceito com relação ao etanol aditivado por causa de uma característica do próprio álcool. Muitas pessoas acreditam que ele já é um combustível mais limpo por natureza, e que os aditivos não farão tanta diferença. Mas a realidade é que qualquer combustível aditivado dará uma melhora nas condições do motor do seu carro.

Em conversa com Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Raízen, licenciada da Shell, um dos pontos foi a origem dos depósitos acumulados no sistema, especialmente nas válvulas de admissão e nos bicos injetores.

Aprendemos que o que queima no motor é uma mistura de ar mais combustível, e é isso mesmo. Mas, quando começamos a estudar um pouco mais, vemos que óleo lubrificante também entra nessa conta. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais o nível do óleo vai baixando ao longo do tempo, mas isso é tema para outra coluna.

Temos óleo lubrificando as hastes das válvulas e parte dele escorre para dentro das câmaras de combustão, passando pela base das válvulas. Além disso, temos vapores de óleo que, antigamente, eram liberados para atmosfera e hoje, por causa de leis de emissões de poluentes, são direcionados de volta para o motor através do coletor de admissão, o famoso respiro do cárter - eles queimam e são tratados no catalisador. Tudo isso acaba na válvula de admissão, que acaba impregnada.

O grande problema desses depósitos é que são porosos e começam a absorver combustível antes dele entrar nas câmaras de combustão. Como vão se acumulando nas válvulas, eles também criam uma restrição à passagem de ar, ou ar mais combustível, e prejudicam o funcionamento do motor.

Já contei para vocês que os aditivos da gasolina são, principalmente, detergentes e, por isso, limpam o sistema, melhorando o desempenho. No etanol é a mesma coisa. A ideia do aditivo é limpar o sistema e devolver o desempenho do motor.

Assim como no caso da gasolina, você não precisa se preocupar em despregar uma sujeira muito grande por nunca ter usado combustível aditivado, estragando alguma coisa no motor. Isso porque há dispersastes nessa fórmula, que quebram a sujeira para ser queimada nas câmaras de combustão e sair pelo escapamento.

De quebra, o Gilberto contou que o combustível aditivado da Shell também conta com um redutor de atrito, que colabora para um melhor desempenho dos bicos injetores.

Tá bom, mas a pergunta é: vale a pena usar o etanol aditivado?

Vale sim. As propriedades de limpeza são benefícios obtidos com os aditivos, e não apenas com o do etanol. O álcool pode sujar menos o seu motor, mas o grande problema é o óleo lubrificante. Logo, o aditivo fará diferença em qualquer combustível que você escolher.

Um último detalhe, que rolou na conversa com o Pose e que vale a pena comentar por aqui: você precisa ter paciência para ver diferença nas escolhas que faz com relação ao combustível. Precisa avaliar as diferenças com, pelo menos, três tanques. Comparar com menos que isso não dará resultados precisos. Além do que é importante testar com o mesmo percurso. Senão não tem como ter um parâmetro.

É preciso todo esse cuidado porque qualquer variante no percurso dará diferença nos seus resultados. Um sinal vermelho a mais ou a menos, um dia mais quente ou mais frio, uma música mais agitada no rádio que vai te empolgar e te fazer acelerar um pouco mais? Então, se você não der tempo para o carro te mostrar diferenças, pode chegar a conclusões equivocadas.

E ainda tem o lance da preferência do cliente, que vale para escolher entre álcool ou gasolina. Não tem conta de consumo que fará você usar um combustível que você acha que não é gostoso no pé. Aquele que faz você sentir que o carro está mais na sua mão? o emocional fala forte nessa hora.

De qualquer forma, agora você já sabe que, independentemente do combustível que escolher, o aditivado sempre te trará vantagens, a questão é ele caber no seu bolso. Só lembra que manter o motor do seu carro mais limpo impactará também nas manutenções do seu carro, que também deve ser considerado nessa conta.

Agora pegue a calculadora e o caderninho de anotações de consumo e começar seus testes. Depois me conte tudo aqui nos comentários e já me diga também qual é seu combustível preferido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL