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Ousados demais: Eclipse Cross e outros 6 carros que mudaram após rejeição

Mitsubishi Eclipse Cross é um exemplo de carro que abusou da ousadia, mas ficou mais "careta" com o passar do tempo - Fernando Moraes/UOL
Mitsubishi Eclipse Cross é um exemplo de carro que abusou da ousadia, mas ficou mais 'careta' com o passar do tempo Imagem: Fernando Moraes/UOL
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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

31/03/2022 04h00

Quando a Mitsubishi apresentou o SUV Eclipse Cross em 2018, eu fui um dos que torceram o nariz para o nome escolhido, praticamente o mesmo do lendário esportivo que tivemos por aqui nos anos 90 e fez muito sucesso com famosos do meio artístico e jogadores de futebol. A adição do sobrenome Cross não parecia ser suficiente para aceitar essa heresia da marca japonesa.

Mas não foi só o nome que causou polêmica no lançamento. O design, principalmente o da parte traseira, chocou por ser diferente de tudo. O vidro vigia traseiro, dividido em dois, não era exatamente uma novidade. Citroën C4 VTR e Mazda MX3 são alguns modelos que já adotaram essa solução no passado.

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No caso do Eclipse Cross, um filete que liga as lanternas foi aplicado bem no meio do degrau que os dois vidros formavam. Abaixo da base das lanternas, a curvatura do para-choque também era diferente.

Pessoalmente, gostei do resultado, que deu bastante personalidade ao modelo. Dentre tantos SUVs semelhantes que temos nas ruas, o Eclipse Cross poderia ser reconhecido de longe.

Mas, ao que parece, a aceitação do público não foi das melhores. No modelo 2022, o filete deixou de ter a mesma cor das lanternas e passou a ser preto, em uma primeira tentativa de deixar o Eclipse Cross mais discreto.

Já no recém apresentado modelo 2023, a Mitsubishi decidiu deixar o visual ainda mais conservador, com lanternas que poderiam estar em qualquer outro concorrente. Continua sendo um carro bonito, e provavelmente vai atrair mais compradores.

Deslize a imagem acima para conferir como era o visual do Cross no ano passado, no lado esquerdo, e como ficou agora, no direito.

Isso me fez lembrar de outras situações como essa, de carros que nasceram com visuais controversos, daqueles que pareciam estar à frente do seu tempo, mas que em pouco tempo voltaram a ser carros "normais".

Toyota Prius

Um dos carros híbridos mais bem-sucedidos em todo o mundo, o Prius sempre teve visual futurista. Mas, na quarta geração, apresentada em 2015, a Toyota foi além. O Prius ganhou faróis e lanternas com formato irregular, fazendo o carro parecer uma nave espacial. Já no modelo 2019, ainda da mesma geração, "passaram a tesoura" nesse conjunto ótico, que passou a ser mais parecido com o de outros carros.

Fiat Multipla

Presente em todas as listas de carros mais feios do mundo, o Fiat Multipla é um dos meus favoritos. Estou para ver modelo tão diferente, que mais parece um daqueles protótipos que nunca entram em produção. Apresentado em 1998, nem parece ser um carro com quase 25 anos de vida. Mas claro, o público não curtiu, e a Fiat decidiu colocar faróis do modelo Idea em 2004 e tirou toda a personalidade do Multipla.

Chevrolet Agile

Importante para a marca Chevrolet no Brasil, o Agile segurou as pontas em um momento ruim nas finanças da marca.

Até que vendeu bem, ao contrário do que eu poderia imaginar, já que o visual do carro era horrível. Deveria ter ficado parecido com o belo conceito GPiX, mas o resultado foi um Corsa "tunado" no fundo do quintal. Além de feio, era diferente de tudo.

Teve vida curta, com apenas cinco anos de mercado. O modelo 2014, último ano de vida no Brasil, ganhou um retoque no visual que o deixou mais conservador e também mais bonito.

Ssangyong Actyon

Marca sul-coreana de pouca expressão em nosso mercado, a Ssangyong é reconhecida por produzir carros com visuais pra lá de polêmicos, para dizer pouco.

Um dos modelos que marcaram época no Brasil , por conta da aparência controversa, foi a picape Actyon e sua dianteira difícil de descrever. Para o modelo 2013, o fabricante deixou o visual polêmico de lado e apresentou uma dianteira mais convencional,. Contudo, o momento da marca já não era tão favorável aqui.

BMW série 7 E65

A quarta geração do luxuoso sedã da BMW é até hoje a mais controversa. O modelo vinha de uma geração belíssima e, de repente, o sedã de luxo se tornou algo desprezível, com faróis e lanternas de gosto muito duvidoso. Não demorou muito e, no modelo 2005 dessa mesma geração, a BMW corrigiu o desenho catastrófico e fez o veículo ficar mais convencional e bonito - pelo menos, na minha opinião.

Toyota Corolla

A oitava geração do Corolla, a primeira fabricada no Brasil, como modelo 1999, ficou marcada pelo visual conservador demais - principalmente quando comparado com o Civic da mesma época. O que nem todos se lembram é que essa mesma geração começou um ano antes, ainda importada, e o visual era bem diferente. Os faróis redondos e esbugalhados eram futuristas demais para os donos de Corolla e ele durou apenas um ano aqui no Brasil.

Hoje, esses modelos 1998 são raros e cobiçados.

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