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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

De VW Gol 1000 a Omega: 8 carros que terão direito à placa preta em 2022

Omega de primeira geração é um dos carros nacionais que irão completar 3 décadas em 2022 e terão direito a pleitear placa preta - Divulgação
Omega de primeira geração é um dos carros nacionais que irão completar 3 décadas em 2022 e terão direito a pleitear placa preta Imagem: Divulgação
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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

30/12/2021 04h00

Para a alegria dos antigomobilistas, a cobiçada placa preta voltará a ser adotada no ano que vem nos veículos de coleção. Com isso, carros com mais de 30 anos de fabricação que atendam alguns critérios de originalidade e conservação poderão trocar as placas comuns por essas com o fundo preto.

Quando as atuais placas do tipo Mercosul foram adotadas, as destinadas aos veículos de coleção passaram a ter um padrão de cores muito semelhante ao das placas comuns, fazendo com que o interesse por elas diminuísse bastante.

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Mas, no último dia 13, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovou a Resolução 887/21, que altera a cor da atual placa específica para veículos de coleção e volta ao padrão antigo, com fundo preto e caracteres brancos. Essa mudança entrará em vigor no dia 1º de junho de 2022.

Como estamos prestes a virar o ano, já podemos listar alguns modelos lançados em 1992, que poderão receber as cobiçadas placas. Vale destacar que o critério é o ano de fabricação, portanto, veículos fabricados em 1992, mas já como modelo 1993, também são considerados.

Chevrolet Omega

Chevrolet Omega - Divulgação - Divulgação
Chevrolet Omega nacional saiu de linha no Brasil em 1998 sem uma série especial de despedida
Imagem: Divulgação

Começo com o mais importante da lista, aquele que é considerado por muitos o melhor carro nacional de sua época.

O Chevrolet Omega chegou no segundo semestre de 1992 como substituto do Opala. O salto de tecnologia foi gigantesco, mas o Omega preservou a mesma configuração de motor dianteiro longitudinal com tração traseira do seu antecessor, algo que já estava em desuso mesmo naquela época.

Somente alguns modelos de marcas premium ainda adotam essa configuração, que tem desvantagens como peso extra e diminuição do espaço interno, mas ganhos em dirigibilidade. Era justamente aqui que o Omega se destacava dos demais, principalmente na versão CD, a topo de linha, que contava com motor 6 cilindros de 3 litros e 165 cv.

A versão mais vendida foi a GLS, que tinha nível de acabamento e conforto bem semelhante a da configuração CD, mas contava com um motor bem mais fraco - o mesmo 2.0 de Monza e Kadett, com apenas 116 cv. Os felizardos que possuem um dos raros Omegas fabricados em 1992 já podem ir sonhando com a placa preta.

Chevrolet Chevette Junior

Chevette Junior - Divulgação - Divulgação
Chevrolet Chevette Junior marcou a despedida do sedã compacto equipado com tração traseira da GM
Imagem: Divulgação

Agora vamos do extremo mais caro para o extremo mais barato da Chevrolet.

Foi também em 1992 que o veterano Chevette ganhou a versão Junior e se tornou um dos piores carros do mercado. Enquanto a Fiat nadava de braçadas com o Uno Mille, Chevrolet, Volkswagen e Ford tiveram de se virar para entrar no mercado de veículos como motor 1.0.

Comparado com o Uno, o motor do Chevette era até mais potente, mas essa potência extra se perdia até chegar às rodas traseiras, configuração de tração desfavorável para motores de baixa potência.

Sua carroceria também era mais pesada e, no fim das contas, o carro ficou mais lento e gastão se comparado ao Uno. Não deu outra: foi um fracasso comercial. Mas nada como o tempo para mudar as coisas, já que hoje o Chevette Junior é cobiçado por colecionadores. Eu tenho muita vontade de guiar um, só para sentir se é tão ruim como dizem.

Monza Barcelona

Chevrolet Monza Barcelona - Reprodução - Reprodução
Chevrolet Monza Barcelona é série especial inspirada nos Jogos Olímpicos de 1992
Imagem: Reprodução

O brasileiro que acompanhou os Jogos Olímpicos de 1992 certamente tem na memória o ponto final de Marcelo Negrão, que deu a primeira medalha de ouro para o vôlei nacional.

Essa Olimpíada aconteceu em Barcelona, na Espanha, e o Chevrolet Monza ganhou uma série limitada com o nome dessa cidade.

O Monza Barcelona era baseado nas versões intermediárias e trazia frisos laterais na cor da carroceria, sempre prata; faixas coloridas nas laterais; e estofamento de veludo exclusivo.

No mesmo ano de 1992, o Monza atingiu a marca de 650 mil unidades produzidas no Brasil e ganhou a série limitada 650, com carroceria sempre na cor vermelha e acabamento baseado na versão mais simples. Essas duas séries limitadas do Monza, que por sinal são bem raras, poderão receber a placa preta no ano que vem.

Fiat Tempra duas portas

Fiat Tempra 2 portas - Divulgação - Divulgação
Tempra chegou ao mercado brasileiro no início da década de 1990 e logo se destacou pelo design e tecnologia
Imagem: Divulgação

O Fiat Tempra foi apresentado no finalzinho de 1991 com sua bela carroceria de quatro portas, mas foi somente no ano seguinte que a carroceria de duas portas deu as caras.

Conhecido por alguns como Tempra cupê, não fez muito sucesso, já que a preferência nacional naquela época já era por carros com as portas extras.

Uma curiosidade é que as janelas traseiras do tipo basculantes poderiam contar com controle elétrico - pelo menos é o que diziam todas as matérias daquela época.

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Eu, que sou um amante do Tempra, confesso que nunca vi um equipado com isso, tampouco conheço alguém que tenha visto. Até poderia aceitar que foi um erro de divulgação da época, mas um dia desses estava procurando peças para o Tempra que estou reformando e me deparei com o botão específico para essas janelas basculantes elétricas.

Agora, só resta encontrar um Tempra equipado com elas. Por conta desse fracasso comercial, o Tempra com duas portas está em alta no mercado de antigos, prestes a ser merecedor da placa preta.

Fiat Uno CSL

Fiat Uno CSL - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fiat Uno CSL era importado da Argentina e trazia motor 1.6 'Sevel'; compacto teve vida curta no Brasil
Imagem: Arquivo pessoal

Um dos Unos mais raros de se encontrar é o da versão CSL. Importada da Argentina a partir de 1992, tinha como principal diferencial as quatro portas, até então indisponíveis no pequeno Fiat.

Com exceção do painel, que ainda preservava o padrão dos primeiros Unos, o estofamento de bancos e portas era idêntico ao das versões CSL de Elba e Prêmio, que também compartilhavam o mesmo motor - o famoso "Sevel" de 1,6 litro e cerca de 80 cv.

Carrinho muito legal, que infelizmente não é mais visto pelas ruas com frequência. Como o Fiat Tipo chegaria pouco tempo depois, o Uno CSL passou a não fazer mais sentido e logo saiu de linha, com poucas unidades vendidas.

Volkswagen Quantum e Ford Royale

Ford Royale - Divulgação - Divulgação
Perua Royale era a versão da Ford para a VW Quantum nos tempos da Autolatina e estreou com apenas 2 portas
Imagem: Divulgação

Foi nos primeiros meses de 1992 que as duas peruas médias da Autolatina foram apresentadas.

A Volkswagen Quantum já era uma velha conhecida, mas tinha acabado de receber uma grande reforma visual - a mesma que o Santana recebera um ano antes.

Com isso, a bela perua perdeu as antiquadas calhas na junção do teto com as laterais e ganhou para-choques mais envolventes, bem como conjunto ótico dianteiro e traseiro novos, interior completamente remodelado e opções de injeção eletrônica e freios ABS.

A Quantum ainda era baseada na segunda geração do Passat, mas mudou tanto que nem parecia a perua vendida até então.

Junto com ela, a Ford apresentou a Royale, derivada do Versailles, que por sua vez era baseado no Santana. Ou seja: a Royale era a Quantum da Ford e, inclusive, ambas dividiam a mesma linha de montagem, na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP).

Contudo, havia uma grande diferença entre elas, responsável pelo fracasso comercial da Royale frente a Quantum: a quantidade de portas.

Enquanto a perua da VW sempre teve quatro, a Royale nasceu com apenas duas - provavelmente, para seguir a linha de sua antecessora, a Ford Belina. Corrigiram isso mais tarde, com a Royale de quatro portas, o que tornou as primeiras unidades bastante raras e cobiçadas.

Volkswagen Gol 1000

VW Gol 1000 - Divulgação - Divulgação
VW Gol 1000 marcou a estreia da motorização de 1 litro no compacto, ainda no tempo da carroceria 'quadrada'
Imagem: Divulgação

Um dos carros mais importantes da história nacional, o Gol viu no ano de 1992 o nascimento de sua versão com motor 1.0.

Batizada de Gol 1000, tinha no emblema seu principal diferencial estético, com o segundo zero do mil cruzando a letra "o" do Gol - um padrão que não se viu em nenhum outro Volkswagen.

Além disso, contava com rodas de ferro exclusivas e piscas dianteiros laranjas, itens que diferenciavam esse Gol mais simples dos demais.

O motor tinha origem no CHT da Ford, que por sua vez era uma evolução do Cleon Fonte da Renault.

Ou seja, era um VW com motor francês. Claro que o Gol 1000 não é tão cobiçado no mercado de antigos como a versão GTI, que não é raro aparecer com valores superiores a R$ 100 mil. Ainda assim, atrai bastante interesse dos apaixonados por carros antigos.

Gurgel Supermini

Gurgel Supermini - Divulgação - Divulgação
Subcompacto Gurgel Supermini nasceu no início de 1992, pouco antes da marca brasileira fechar as portas
Imagem: Divulgação

A Gurgel tem uma história riquíssima, que todo brasileiro que gosta de carro deveria conhecer.

Infelizmente, a marca morreu nos anos 90 e seu último modelo de grande importância foi o Supermini, lançado no início de 1992.

Como o próprio nome sugere, o carro era bem pequeno, com apenas 3,19 m de comprimento. Tinha a pretensão de disputar o mercado dos carros mais baratos, mas chegou tarde.

O Supermini chegou justamente na época em que os grandes fabricantes estavam colocando no mercado seus veículos 1.0 e aí não teve como competir.

O simpático subcompacto nasceu praticamente morto e hoje é peça rara nas ruas. É legal saber que ainda existe interesse por ele: quando aparece uma unidade em bom estado, o preço pedido é sempre maior do que o tamanho sugere.

Com as placas pretas, o Supermini será ainda mais valorizado no futuro.

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