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OPINIÃO

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Dias contados: como Honda Fit e Civic ficarão no mercado de usados

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

18/11/2021 04h00

Não me lembro de algum momento em nossa história automotiva que tantos modelos importantes deixaram de ser oferecidos por seus fabricantes. Os casos mais recentes são de dois Hondas consagrados em nosso mercado, Fit e Civic.

É verdade que ambos não vinham vendendo bem nos últimos anos, mesmo antes da pandemia. Segundo a Fenabrave, federação das concessionárias, Fit e Civic terminaram o ano de 2019 na 32ª e 28ª posições respectivamente. Se voltarmos alguns anos para trás, veremos que ambos já estiveram melhores posicionados.

Os carros não pioraram, muito pelo contrário, estiveram em constante evolução e suas gerações acompanharam o resto do mundo, algo que nem sempre acontece com modelos fabricados aqui.

Também não dá para dizer que estão vendendo pouco devido aos preços, já que os veículos da Honda sempre estiveram com seus valores posicionados acima dos concorrentes. Talvez o motivo seja a falta de interesse nessas categorias, que não param de perder espaço para os SUVs.

Novo Honda City - Divulgação - Divulgação
Honda City 2022
Imagem: Divulgação

No lugar do Fit teremos o lançamento do Honda City hatch. Mesmo sem conhecer o carro, já consigo prever a qualidade que sempre esteve presente nos Hondas, e espero que se dê bem no mercado. É possível que não tenha as soluções inteligentes do Fit, como os bancos modulares que permitem levar objetos dos mais diferentes tamanhos.

Já o Civic não sairá exatamente de linha, mas passará a ser importado, como foi em seus primeiros anos de Brasil, lá nos anos 90. Com isso, pode se tornar um veículo de pouco interesse no país, com vendas ainda menores, como sempre foi com alguns de seus concorrentes importados, como o Nissan Sentra por exemplo.

E como também teremos uma nova geração do Honda City sedã, que continuará sendo nacional, esse deve assumir o mercado dos Civics de entrada para deixar os importados apenas como opção para os que fazem questão de um carro de categoria superior.

Ainda valem a pena

A dúvida de muitos é se ainda vale a pena considerar a compra de um desses dois modelos da Honda. Na minha opinião, não valem a pena, a não ser que sejam oferecidos com bons descontos para desovar o estoque.

Porém, em recente matéria divulgada aqui no UOL Carros, já não se encontra Fits e Civics com facilidade nas concessionárias. Faltam até opções de versões, indicando que o próprio fabricante tirou o pé e não deve estar preocupado em liquidar o estoque.

Considerando os preços desses carros, consideraria outras opções, sejam no mercado de novos ou de usados. Entre os zero km, por exemplo, um Fit EX tem valores próximos de um Nissan Versa Advance, que tem motor mais forte e mais equipamentos de segurança, além de ser mais espaçoso e ter sido lançado há pouco tempo.

Já o Civic tem preços próximos do Corolla, uma compra mais segura por continuar em linha como um modelo nacional.

Como vão ficar no mercado de usados

Qualquer Honda é considerado um queridinho no mercado de usados. Pode ser qualquer modelo, em qualquer versão, com qualquer tipo de transmissão ou cor, que os lojistas adoram ter em seus estoques, pois sabem que vendem como pãozinho quente na padaria.

O fato de Fit sair de linha e Civic voltar a ser importado deve abalar pouco a imagem deles, que são carros reconhecidamente robustos e exigem pouca manutenção, pontos que são bem valorizados por aqueles que compram carros usados.

Para se ter ideia, até mesmo gerações antigas deles, que já não compartilham nenhuma peça com as atuais, continuam tendo alta procura e são vendidos por preços acima da média de suas categorias.

Por exemplo, se considerarmos um Fit ou um Civic com 15 anos de uso, custam em torno de R$ 30 mil, valor que eu considero alto, mas que o mercado paga. Esses atuais continuaram sendo bem vistos e dificilmente se tornarão micos no mercado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL