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Caçador de Carros

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Consórcio de carro volta a ser bom negócio em tempo de preços inflacionados

Preços dos carros nas alturas faz consórcio voltar a ser interessante, mas não dá para ter pressa - Shutterstock
Preços dos carros nas alturas faz consórcio voltar a ser interessante, mas não dá para ter pressa Imagem: Shutterstock
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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

09/09/2021 04h00

Uma das maneiras mais antigas e conhecidas para se comprar um carro no Brasil é através de consórcio. Nessa modalidade, administradoras de consórcios são autorizadas pelo Banco Central a formar grupos de pessoas que têm como objetivo final a compra de um automóvel, mediante pagamentos de parcelas mensais por um determinado período.

Para exemplificar de uma maneira bem simples, imagine um grupo de consórcio com 240 pessoas que querem comprar um carro de R$ 60 mil em um período de 60 meses.

Para atingir esse objetivo, cada consorciado terá de pagar R$ 1.000 por mês, formando um fundo comum de R$ 240 mil todos os meses. Com esse recurso, é possível comprar apenas quatro carros em cada um desses meses, ou seja, nem todos serão contemplados de imediato. Os contemplados de cada mês são escolhidos através de sorteios.

Como eu disse, essa é uma maneira bem simples de se explicar um consórcio, mas na prática é preciso considerar custos com taxa administrativa, fundo de reserva, seguro de vida, correções do valor do bem no decorrer do tempo e a alternativa de poder ser contemplado mediante um lance vencedor. Contudo, não é preciso entender esses pontos neste momento.

Consórcio ganha força com preços inflacionados

Venda de carro - Shutterstock - Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Quero apenas deixar claro a vantagem de você poder ter um carro pagando parcelas mensais sem juros e sem entrada; e a desvantagem de não ter liberdade de escolher o momento da compra.

Dito isso, vou situar o consórcio na nossa atual realidade, em que a inflação está chegando com força no mercado de carros, que ficam cada vez mais caros.

Nessas condições, o consórcio de automóveis volta a ser uma boa opção para quem não tem nenhuma pressa em ter o carro, sendo que o melhor é ser um dos últimos contemplados.

Eu digo que "volta a ser", porque já foi assim no passado, quando a inflação era ainda mais alta e o consórcio era muito procurado por quem não queria ver seu dinheiro parado no bolso, sendo corroído pela inflação.

Isso acontece por conta das correções que acompanham os valores dos carros na Tabela Fipe. Com isso, quem entra em um consórcio nunca perde seu poder de compra, ou seja, quando aquele carro de R$ 60 mil estiver custando mais do que isso, o consorciado contemplado vai receber o valor corrigido para a compra do veículo.

Quem ri por último, ri melhor

Consórcio de carro - Shutterstock - Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Como dinheiro não cai de árvore, as parcelas também são corrigidas, mas, no fim das contas, aquele que ficar por último vai receber mais do que pagou.

Para o leitor entender melhor, vamos voltar às contas. Imagine que a correção desse carro de R$ 60 mil, seja de R$ 1000 por mês. Ou seja: no 13º mês, ele estará custando R$ 72.000 e, para que quatro consorciados sejam contemplados com esse valor, a parcela tem que ser corrigida para R$ 1.200.

Já no 60º e último mês, o carro estará custando R$ 119 mil, com parcelas de R$ 1983,33. A somatória das 60 parcelas pagas será de apenas R$ 89.500.

Não é mágica, apenas a realidade de como funciona um consórcio. Nesse grupo do exemplo, todos os 240 consorciados vão pagar R$ 89.500 até o final, mas somente quem for contemplado a partir do 30º mês vai poder comprar um carro com um valor maior do que o que realmente vai ter pago até o final.

Volto a dizer que o exemplo é bem simples, somente para entendimento. Colocando as taxas nessa conta, a diferença passa a não ser tão grande. Fora que não temos como prever as correções mensais, tampouco o mês da contemplação de cada consorciado, variáveis que mudam totalmente o quadro desse exemplo dado por mim.

Ser contemplado no começo não obriga compra imediata

Mas não pense que é totalmente ruim ser contemplado no começo. Dependendo da administradora, o consorciado não precisa comprar o carro de imediato, e enquanto não fizer isso, o valor da compra é aplicado e passa a render todos os meses. Quando decidir utilizar o recurso, receberá o valor com os ganhos da aplicação.

Como o leitor pode perceber, em momentos de inflação, consórcio é uma boa alternativa para quem não tem pressa - ou até mesmo nem quer comprar um carro - e não quer perder poder de compra.

Eu só não recomendo para quem tem pressa, tampouco para quem pretende dar lance para antecipar a compra. Se a ideia for realmente pensar como investimento, o melhor mesmo é entrar e deixar para usar somente no final, seja para comprar um carro por um valor maior do que pagou ou até para resgatar em espécie e poder utilizar o recurso como bem entender.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL