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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fiat no Brasil: 5 carros mais importantes que a marca italiana já produziu

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Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

15/07/2021 04h00

A "Fabbrica Italiana Automobili Torino", ou Fiat para os mais chegados, tem um lugar especial no meu coração. Entre 1988 e 2008, sempre tivemos pelo menos um carro da marca na nossa garagem. O primeiro foi um Prêmio CSL azul, comprado zero-km pelo meu pai. Com a satisfação, vieram outros modelos da montadora na sequência: Oggi, Tempra, Tipo, Palio Weekend, Palio e Siena, todos novos ou no mínimo com pouco tempo de uso.

Assim que completei 18 anos, corri para a auto escola e consegui a tão sonhada habilitação. Poucos meses depois, em agosto de 2001, comprei meu primeiro carro, um Fiat Prêmio. Mas dessa vez era vermelho e bem usadinho, com honrosos 106 mil km. Fiquei com ele por bons sete anos e vendi com algo em torno de 240 mil km. Aprendi muito com ele, inclusive a compra certeira fez eu pegar gosto pelo mercado de usados, algo que exploro profissionalmente desde 2012.

Quando minha filha nasceu, em 2008, ainda estava com esse Prêmio, mas passei a sentir a necessidade - ou vontade - de ter um carro maior e mais confortável. Encerrava ali uma etapa de longos 20 anos com a marca.

A paixão pela Fiat, que eu defendia com unhas e dentes, diminuiu na medida que amadureci e passei a conhecer outras marcas, tendo novas experiências. Nessa época, até que a Fiat estava mandando muito bem, liderando o mercado de carros novos, mas já não me interessava tanto por ela como no passado.

Esse "desprezo" de minha parte durou até o ano passado, quando resolvi reformar um Tempra 92 e voltar a ter um Fiat na garagem. O Tempra sempre fez meus olhos brilharem, então foi a realização de um sonho - que ficou ainda melhor quando comprei um segundo exemplar. A princípio seria apenas doador de peças para o primeiro, mas já decidi que também será reformado. Ambos estão em etapas diferentes do processo e não podem ser utilizados, o que só aumenta minha ansiedade em vê-los prontos.

Enfim, resolvi falar de Fiat nessa coluna devido ao seu recente aniversário. No último dia 9, a marca italiana completou 45 anos no Brasil, e ela tem muito o que comemorar. Voltou a liderar no mercado de novos, provando que, mesmo em momentos de tantas incertezas como esse que estamos vivendo, tem conseguido se sobressair frente aos concorrentes.

Enquanto alguns estão com dificuldade de entregar carros por falta de componentes na linha de produção, a Fiat colocou cinco modelos no "top ten" de junho: Strada, Argo, Mobi, Toro e Cronos.

A seguir, farei uma homenagem com os cinco modelos mais importantes da história da Fiat no Brasil, na minha humilde opinião.

Fiat 147

Fiat 147 álcool 1979 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O mais importante é sempre o primeiro, responsável por desbravar o mercado. Essa missão coube ao pequeno e genial 147. No mês passado, tive a oportunidade de vistoriar dois 147, um "L" 1977, e outro "GL" 1979. Ao lado deles, me senti um gigante, até parece que é possível abraçar o carro de tão pequeno que é. Mas basta abrir a porta e se ajeitar no banco para se surpreender com o excelente aproveitamento do espaço interno.

O segredo estava na posição transversal do motor com tração dianteira, caixa de rodas pequenas e coluna de direção levemente inclinada para cima. Ao abrir o porta-malas, nova surpresa com muito espaço para bagagem, em parte graças à ausência do estepe, que tem lugar reservado no cofre do motor. Nem o atual Fiat Mobi consegue levar tanto volume.

A suspensão independente nas quatro rodas e o baixo peso são os responsáveis pela boa estabilidade e agilidade, pontos que sempre foram destacados nos testes feitos pela imprensa. Não tinha nada parecido por aqui naquela época, portanto é de se imaginar que não foi compreendido logo de início pelo público. Ainda assim, mais de 1,1 milhão de Fiats 147 e seus derivados foram fabricados na fábrica de Betim (MG), incluindo aqui uma pequena parte que foi exportada.

Fiat Uno

Fiat Uno CS 1989 tamanho grande - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Tão genial quanto seu irmão mais velho, o Uno foi a evolução do 147, com o qual compartilhou alguns componentes mecânicos. Na semana passada, tive a oportunidade de guiar um Mille 2013 e pude relembrar os tempos que tive meu Prêmio vermelho. Equipado com o mesmo motor Fire que ainda está presente no Mobi, esse carro tem dirigibilidade parecida com a de qualquer outro automóvel de entrada atual, o que evidencia o quão moderno foi o seu projeto.

O Uno não é importante somente para a Fiat, mas também para a história automotiva do Brasil. Foi o primeiro nacional sem calhas no teto e com para-choques envolventes. Os vidros rentes à carroceria e a ausência de quebra-ventos nas janelas contribuíram para o que o modelo ostentasse um dos melhores coeficientes aerodinâmicos da sua época.

Diz a lenda que, com escada no teto, ele se torna o carro mais veloz do mundo. Durante as quase três décadas de produção, mais de 3,7 milhões de Unos foram fabricados no Brasil, incluindo vários exportados para países da América Latina.

Fiat Tempra

Fiat Tempra Stile turbo 1996 interior bege Alexandre Badolato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Tenho certeza que, para muitos, o Tempra não deveria aparecer em uma lista dos cinco Fiats mais importantes. Mas, para mim, não pode ficar de fora. Se o 147 desbravou o mercado nacional como um todo, o Tempra foi responsável por desbravar o mercado de médios que a Fiat não atuava até então.

Os concorrentes já estavam consagrados no mercado, mas o Tempra tinha um visual tão moderno, que fez com que eles ficassem obsoletos da noite pro dia. Assim como o Uno, a aerodinâmica era seu forte, com frente baixa e traseira alta, num design irrepreensível. Destaque para o conforto de rodagem e o espaço interno, superiores ao de muitos carros atuais.

Coube ao Tempra, ser o primeiro nacional com motor multiválvulas, conceito que hoje está presente em quase todos os carros. Uma pena que durou somente 7 anos, mas fez bonito nesse período, com 204.795 unidades produzidas. Como referência, o queridinho Honda Civic, emplacou 203.930 entre 2014 e 2020, aproximadamente o mesmo período de produção do Tempra no Brasil. Por essa você não esperava.

Fiat Palio

Fiat Palio EDX Nivaldo Prado 2 - Karina Prado - Karina Prado
Imagem: Karina Prado

Por que o Palio saiu de linha? Essa é uma pergunta que eu não sei responder. Nos 22 anos que foi comercializado no Brasil, contabilizou mais de 3 milhões de unidades em duas gerações e sempre se manteve atualizado no mercado. Herdou do 147 e do Uno uma das principais características dos Fiats, que é o bom aproveitamento do espaço interno, com a adição de importantes equipamentos de segurança, como freios ABS e 4 airbags.

Guiar um Palio de 2ª geração, não é muito diferente de guiar um Fiat Argo, ou qualquer outro concorrente. Em 2014, conseguiu o título de carro mais vendido do Brasil, algo inédito para a Fiat até então, e que não voltou a se repetir. Seus derivados, Palio Weekend, Siena e Strada, também se deram muito bem no por aqui, liderando por muitas vezes suas respectivas categorias, além de ainda hoje serem modelos com ótima liquidez no mercado de usados.

Fiat Strada

Fiat Strada 2021 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Qual fabricante não gostaria de ter um Fiat Strada no mix de produtos? Essa picape pequena da Fiat soube se reinventar e inovar diversas vezes, deixando somente as migalhas para os concorrentes. Mais de 1,5 milhão de Stradas foram fabricadas ao longo de duas décadas. Foi a primeira picape pequena com opção de cabine estendida. Tempos depois, atendeu a vontade do mercado com a Strada cabine dupla. Deu tão certo que ganhou uma terceira porta para facilitar o acesso ao banco traseiro.

No ano passado, a Strada ganhou a tão aguardada 2ª geração, com opção de 4 portas e desde então vende mais que pãozinho quente na padaria. No acumulado desse ano, lidera o ranking de vendas com folga, com mais de 60 mil unidades emplacadas até o final de junho, número pra lá de expressivo em tempos de pandemia.

Detalhe que a picape não é barata e ainda não está disponível com transmissão automática, item cada vez mais indispensável no mercado. Assim que lançarem uma Strada cabine dupla automática, pode ter certeza que vai abocanhar consumidores de outras categorias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL