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Desmanche de carros: como economizar com peças usadas sem cair em crime

Divulgação/Deic
Imagem: Divulgação/Deic

Colunista do UOL

15/04/2021 04h00

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Nos meus tempos de colégio, não fui um bom aluno de Ciências. Cheguei até a zerar em uma prova, além de pegar recuperação em praticamente todos os anos nessa matéria. Ainda assim, lembro de algumas coisas, entre elas a frase "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Para mim, é reconfortante pensar assim, quando nos deparamos com o fim da vida de um carro. Digamos que, na melhor das hipóteses, um carro "morto" pode se transformar num excelente doador de peças para outro veículo seguir vivo. Sendo assim, fica mais fácil aceitar o fim deles.

Nessa semana, eu estive em uma empresa que desmonta carros para poder revender suas peças separadas. Popularmente conhecido como "desmanche", esse tipo de negócio sofre com o preconceito de ser algo ilícito, por supostamente ter envolvimento com criminosos que roubam carros.

Mas, na verdade, são empresas totalmente legais, que desde 2015 são amparadas por uma lei federal que regulamentou esse ramo de atividade. Elas são credenciadas e constantemente vistoriadas pelo Detran.

Como funciona

Não é de um dia para o outro que alguém pode abrir uma empresa de desmonte de carros. Como na maioria dos negócios, a burocracia é grande, além da etapa da autorização do Detran para trabalhar com isso.

Feito isso, essas empresas arrematam carros comercializados em leilões, que por algum motivo não podem mais circular nas ruas. Os números do chassi desses carros são recortados e, por mais que alguém queira recuperá-los, jamais poderão rodar de maneira legal, restando a eles o destino de serem desmontados para terem suas peças comercializadas.

Dentro da empresa, as peças que são autorizadas para venda são catalogadas e ganham um código de barras fornecido pelo Detran.

Com esse código de barras, qualquer um pode consultar a origem da peça pelo portal, que inclusive fornece fotos do carro antes do processo de desmontagem. Mas atenção, apenas 49 itens recebem esses códigos, ou seja, nem todas podem ser rastreadas.

Um rádio ou um banco, por exemplo, pode ser comercializado por essas empresas, mas não possuem as etiquetas do Detran. Tudo é testado pela empresa de desmonte, que vai verificar a viabilidade da venda. Somente aquelas que forem aprovadas podem ser comercializadas como peça usadas. As demais peças, são descartadas ou recicladas.

Qual a vantagem

Para o consumidor final, a vantagem está no preço, que certamente é inferior ao de uma peça nova, seja ela de marca homologada pelo fabricante do carro, ou de marca paralela. Sendo assim, é mais uma alternativa para o consumidor, que pode comparar e escolher a opção que melhor atenda sua necessidade.

No caso de carros mais antigos, com baixa ou nenhuma oferta de peças de reposição, esse tipo de negócio pode ser a única opção. No meu caso, consegui algumas peças de acabamento para o meu Escort Ghia 94, que dificilmente teria conseguido de outra maneira.

Motores e transmissões

Além de itens de acabamento, as peças mecânicas também são bem cobiçadas. Esses desmanches podem vender motores e transmissões por inteiro. Em muitos casos, o preço que se paga por um motor completo é inferior ao de uma retífica do mesmo.

Sendo assim, ao invés de abrir um motor ruim e correr o risco de não encontrar peças de qualidade para o conserto, o consumidor pode optar por um motor bom, completo e fechado, com todos os ajustes, folgas e apertos do fabricante.

Por ser tudo legalizado, o motor tem nota fiscal com o número do mesmo, e o comprador não terá nenhuma dificuldade para passar o número do motor que está comprando para o documento do carro.

Como saber se é legal

O leitor que tinha aquela visão negativa de um desmanche provavelmente passou a olhar com outros olhos, mas deve estar se perguntando como saber se a peça que está comprando tem toda essa procedência.

É possível verificar se a empresa que está comercializando a peça tem autorização do Detran para isso. A consulta pode ser feita no site do Detran. Aqui no Estado de São Paulo, por exemplo, tem mais de 1000 empresas cadastradas.