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Caçador de Carros

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

5 vacilos que você deve cometer e que elevam o consumo de combustível

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

04/03/2021 04h00

Recebo muitas mensagens de pessoas insatisfeitas com o rendimento de seus carros. Independentemente do modelo, a reclamação é por não conseguirem chegar nos números de consumo que os fabricantes ou o Inmetro divulgam.

Sempre digo que existem muitos fatores que podem influenciar nessa divergência. Aqui onde eu moro, por exemplo, é uma cidade com muitas ladeiras e semáforos. Mesmo em horários com pouco fluxo de veículos, os meus carros são mais exigidos nessas condições, e consequentemente gastam mais combustível do que se eu morasse numa cidade mais plana, com pouco relevo e poucos semáforos.

Também oriento sobre a importância de uma correta manutenção preventiva, uma obviedade para quem busca eficiência. Geralmente, a resposta é que o carro está revisado, mas na prática eu percebo que nem sempre é assim.

Por fim, discuto sobre o modo de condução, algo que influencia diretamente no consumo do carro e que não depende do fabricante, da cidade, do mecânico e de mais ninguém, a não ser do próprio motorista.

Por conta disso, decidi listar alguns hábitos prejudiciais, que vejo com frequência sendo praticado por alguns motoristas.

Falta de manutenção correta

Para quem busca o máximo de eficiência, é preciso seguir rigorosamente o cronograma de manutenção do fabricante, respeitando os intervalos de tempo ou quilometragem, e as peças de reposição recomendadas por ele. Na prática, poucos fazem isso.

Sempre escuto que a manutenção está em dia, mas quando vou a fundo, vejo que apenas itens básicos foram respeitados, como substituição de óleo. Os filtros nem sempre são trocados no prazo, sendo comum me deparar com filtros de ar bem sujos.

Quanto as velas, também é comum estender sua vida útil, reaproximando os polos "na marra", ao invés de substituí-las por novas.

Até os pneus de reposição podem impactar no consumo. Basta ver que alguns carros são projetados com pneus específicos, de baixo atrito. Quem respeita apenas as medidas, mas não se atenta em escolher a marca e modelo recomendado pelo fabricante, pode ter diferenças nas medições de consumo.

Nos carros com motores em que os tuchos do comando de válvulas são mecânicos, é recomendado que sejam periodicamente regulados, algo simples e barato, mas que poucos fazem. Na dúvida, confira o cronograma de manutenção, que tem no manual de todos os carros, e respeite aquilo que é recomendado pelo fabricante.

Utilizar o carro em trajetos curtos

Sabe aquele carro usado com baixíssima quilometragem? Pois bem, esse tipo de carro é sempre mais atrativo que os outros. Não serei hipócrita, também me atraio por eles, mas sabemos que, na prática, carros que rodam muito pouco tendem a ter problemas prematuros em diversos componentes, quando comparados com carros que têm uso mais frequente e, consequentemente maior quilometragem.

Tudo porque o motor trabalha na maior parte do tempo, em sua fase fria, quando o líquido de arrefecimento e o óleo, não atingiram a temperatura ideal. Nessa fase fria, o consumo de combustível é altíssimo. Esse tipo de motorista percebe que a autonomia de um tanque é baixa e pensa que tem algum problema no carro, quando na verdade a causa é o tipo de uso.

Já fiz as contas e tenho optado por utilizar carros de aplicativo quando preciso ir em locais próximos da minha casa. Considerando o alto custo do quilometro rodado nessa condição, além do provável custo de um estacionamento quando chegar no local, não tenho dúvidas que é mais barato terceirizar esse transporte.

Falta de definição do trajeto

Demorei para aderir o uso de GPS. Enquanto muitos já usavam o antigo aparelho pendurado no para-brisa, ainda insistia no antiquado guia de papel. Quando precisava ir em locais desconhecidos, algo comum por causa da minha profissão, era obrigado a folhear as várias páginas do guia para chegar no destino.

Na prática, errava várias vezes o caminho, pegava pontes ou entradas erradas, e no fim o carro consumia mais combustível que o necessário. Quando me rendi ao GPS, ele já estava nessa fase atual, em que o uso de internet nos livra do trânsito. Não precisei de muito tempo para reconhecer a facilidade e comodidade dessa tecnologia, que eliminou os problemas que eu tinha no passado.

Ainda hoje, vejo que muitos não utilizam esses aplicativos e preferem ficar presos no trânsito, ao invés de usar essa ferramenta que pode ajudar bastante, não só na economia de tempo, como na de combustível.

Colocar o câmbio em ponto morto nas descidas

Você que tem um carro com transmissão manual, ou até mesmo com transmissão automática, jamais queira se aproveitar de uma descida para colocar a alavanca no ponto morto. O motor trabalhará em rotação de marcha lenta e a impressão é de que está consumindo pouco combustível.

De fato está, mas seria ainda melhor se estivesse com a transmissão engatada. Nessa situação, a central eletrônica entende que apenas o movimento das rodas permite que o motor continue em funcionamento, e não injeta nada de combustível.

Já em ponto morto, quando o motor está desacoplado ao movimento das rodas, a central eletrônica continuará injetando combustível para o funcionamento do motor. Ou seja, essa prática antiga, que até fazia sentido no passado quando os motores eram alimentados por carburadores, acaba fazendo com que seu carro gaste mais combustível do que deveria.

No caso dos carros automáticos, ainda tem o agravante de prejudicar a própria transmissão, que não deve trabalhar em neutro com o carro em movimento.

Esquecer de calibrar os pneus periodicamente

Calibrar os pneus é algo simples, que precisa ser feito com frequência. É algo que influencia diretamente no consumo de combustível, principalmente no uso em rodovias. Recentemente senti isso na prática, quando fiquei com uma Ford Ranger diesel.

Como foi um veículo de imprensa, emprestado pela própria Ford para que eu pudesse testar, não me preocupei com a pressão dos pneus em um primeiro momento. Porém, fiz uma longa viagem de ida e volta para a cidade de Ribeirão Preto (SP) e notei que o consumo de combustível estava próximo dos 9 km/l, segundo o computador de bordo.

No dia seguinte, precisei fazer uma nova viagem, dessa vez para Taubaté (SP), mas antes conferi a calibragem dos pneus e notei que estavam bem abaixo do recomendado. Bastou ajustar isso, para que o computador de bordo apresentasse consumo próximo dos 13 km/l nessa segunda viagem.

Nesse exemplo, está bem claro como um simples pneu com pressão errada pode interferir no rendimento do motor. E claro, não se esqueça de calibrar quando os pneus ainda estiverem frios.

Depois que eles se aquecem, o ar que está lá dentro se expande e vai acusar pressão maior no calibrador do posto de combustível, ou seja, ele vai entender que tem mais do que realmente tem, e com isso você vai sair do posto com os pneus mais vazios do que deveriam.

Deixar peso extra no carro

Tem gente que, quanto mais gavetas tiver no armário, mais tranqueira tem para guardar. Eu confesso, sou uma dessas pessoas. Mas felizmente não faço o mesmo nos meus carros. Neles, carrego apenas o necessário, pois sei que quanto mais peso, mais o motor será exigido e consequentemente maior será o consumo de combustível.

Pode parecer bobagem, mas já avaliei inúmeros carros que parecia que a pessoa estava carregando a casa dentro dele. Observe isso no seu carro, veja se os objetos que estão largados no porta-malas ou no banco de trás são necessários. Cada um deles pode parecer leves, mas a somatória pode significar um passageiro a mais em todas as situações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL