PUBLICIDADE
Topo

Gol 40 anos: 4 erros e acertos da Volkswagen com seu carro popular

As cinco gerações do Gol reunidas na fábrica da VW - Divulgação
As cinco gerações do Gol reunidas na fábrica da VW
Imagem: Divulgação
Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

Colunista do UOL

14/05/2020 04h00

Foi no mês de maio de 1980 que foi apresentado um dos carros mais importantes da Volkswagen no Brasil. Não, não estou falando do Fusca, mas sim do seu substituto: o Gol. Você pode até não concordar com isso, visto que os dois conviveram bons anos juntos, mas o objetivo era claramente assumir o posto de veículo mais simples e barato da montadora no país. Demorou um pouco, pois o Fusca foi "teimoso" e não aceitou largar o osso tão cedo.

São 40 anos de uma história muito rica, de um modelo que liderou as vendas nacionais por décadas e que soube como poucos atender as diferentes necessidades do brasileiro. A fama da robustez mecânica do Fusca se estendeu ao Gol, que assumiu esse papel de carro "pau para toda obra".

Se hoje o Gol é visto exclusivamente como um modelo de entrada da Volkswagen. Mas, no passado, teve versões mais requintadas e esportivas, além de inúmeras séries especiais que se tornaram clássicas ao longo dos anos.

Na coluna dessa semana, em homenagem aos 40 anos do Gol, vou listar alguns erros e acertos nessa trajetória.

4 erros da Volkswagen com o Gol

Motor Boxer

VW Gol BX - Divulgação - Divulgação
Gol teve motor a ar do Fusca e quase fracassou
Imagem: Divulgação

Nos primeiros anos de vida, o Gol foi oferecido exclusivamente com o famoso motor boxer do Fusca. Bom e robusto, porém antiquado e ruidoso, esse motor refrigerado a ar não estava à altura do moderno projeto do Gol.

Começou como 1.3 com um carburador, o que dava baixo desempenho ao carro. Quase um ano depois do lançamento veio o 1.6 com dupla carburação, que melhorou o desempenho e a imagem do carro, mas ainda era pouco. O público esperava ansioso por um motor refrigerado a líquido, que só foi aparecer tardiamente em 84.

Gol 1000

VW Gol 1000 - Divulgação - Divulgação
Gol 1000 foi resposta desastrosa ao sucesso do Uno Mille
Imagem: Divulgação

O primeiro Gol 1000 foi um desastre. No início dos anos 90 a Fiat nadava de braçada na categoria dos carros 1.0. O Uno era leve e a marca já tinha um motor pronto, que caiu como uma luva no pequeno italiano.

Os outros três grandes fabricantes da época, Chevrolet, Ford e VW, tiveram que adaptar seus motores para essa cilindrada, em carros mais pesados e que não tinham sido pensados para motores tão pequenos. O resultado é que nenhum conseguiu ser tão eficiente quanto o Uno. O Gol usou o mesmo motor do Ford Escort e derrapou nas vendas.

O Gol 1000 só passou a ser interessante anos mais tarde, na linha 97, com a adoção de injeção eletrônica em um motor da casa, totalmente novo.

VW Gol turbo

VW Gol Turbo 16V - Divulgação - Divulgação
Gol Turbo tinha receita que se tornaria comum mais de uma década depois
Imagem: Divulgação

Sim, tivemos um Gol com motor turbo de fábrica. E que Golaço! No pequeno motor 1.0, já com cabeçote multiválvulas, a VW colocou uma turbina que levou a potência para ótimos 112 cv. Não demorou para ser um carro desejado, pois tinha desempenho superior ao de vários veículos com motores maiores, com a vantagem do baixo consumo de combustível.

Porém, por conta de toda a complexidade mecânica, esse motor "micou" no mercado. A cara manutenção, aliada à negligência de donos acostumados com os projetos mais simples da VW, derrubou a boa fama do carro no começo dos anos 2000.

VW Gol I-Motion

VW Gol I-Motion - Divulgação - Divulgação
Câmbio automatizado prejudicava desempenho do Gol
Imagem: Divulgação

A ideia de uma transmissão manual, comum de qualquer carro, mas com atuadores eletro-hidráulicos que troquem de marcha sozinho, é muito boa. O custo final e a eficiência são superiores em relação a uma transmissão automática tradicional, com conversor de torque. Porém, na prática, o funcionamento é bem ruim.

A Volkswagen equipou o Gol com esse tipo de câmbio, conhecido como I-Motion. Além de não ter aquele avanço lento, comum quando se tira o pé do freio de um automático tradicional, os trancos nas trocas de marcha são bem evidentes e cansativos. Infelizmente, os VWs equipados com esse câmbio são mal vistos no mercado de usados, tamanha a rejeição do público com eles.

4 acertos da VW com o Gol

Derivados

VW Voyage - Divulgação - Divulgação
Voyage é um dos "irmãos" do Gol
Imagem: Divulgação

Um pouco do sucesso do Gol se deve aos seus irmãos de carroceria. Primeiro veio o Voyage, depois a Parati e, por fim, a Saveiro. Esses nomes estão na ponta da língua de apaixonados por carros, tamanha admiração que os pequenos VW tem no país. Com eles, o Gol se tornou polivalente, satisfazendo muitas necessidades diferentes.

Linha esportiva

Volkswagen Gol GTi - Divulgação - Divulgação
Gol GTi fez história e é lenda entre fãs de esportivos nacionais
Imagem: Divulgação

Você já reparou nos preços dos Gols esportivos do passado? Não é difícil encontrar opções que passam dos R$ 100 mil. Independentemente de sua opinião pessoal, o fato é que os Gols esportivos são indiscutíveis clássicos nacionais.

A brincadeira começou em 84, com o delicioso Gol GT. Com o mesmo motor que seria usado no Santana, mais comando de válvulas do alemão Golf GTI e carburação especial, a potência dobrou em relação ao boxer 1.6. Aquele Gol lento e barulhento tinha ficado para o passado.

Anos depois foi a vez do GTI, o primeiro nacional com injeção eletrônica, que ficou entre os carros mais caros e exclusivos do Brasil, praticamente sem concorrentes diretos.

Mais tarde, já na segunda geração, o GTI foi inteiramente revisto na versão 16V, com alguns requintes técnicos vistos apenas nos Audis. Passava dos 200 km/h, desempenho jamais visto em outro Gol.

A famosa versão ainda resistiu até o início dos anos 2000, mas com o passar do tempo não fazia sentido um Gol tão caro concorrendo com os mais modernos Polos e Golfs.

Séries limitadas

Volkswagen Gol Copa - Divulgação - Divulgação
Gol Copa fazia alusão ao campeonato mundial de 1982
Imagem: Divulgação

São várias as séries limitadas, ou especiais, da linha Gol. Em algumas delas, a Volkswagen foi bem criativa. Aqui vão três exemplos:

Na Copa do Mundo de 1982, o Gol Copa foi o escolhido para ser "enfeitado" com o tema. Rodas de liga leve e faróis de neblina já seriam algo relevante em um carro tão simples. Mas a VW não parou por aí: a cereja do bolo estava na manopla do câmbio em formato de bola de futebol. Mais legal, impossível.

O Gol Star também fez bastante sucesso, principalmente por conta de sua decoração exclusiva. Baseado na versão mais simples, a CL, vinha com o motor 1.8, bancos exclusivos e grade pintada na cor do carro.

Já nos anos 2000 foi a vez do Gol Fun, que em geral nem era tão diferente dos outros, mas tinha faróis exclusivos, nunca mais vistos em outros Gols. Esse conjunto tinha a cor do carro, ou seja: carro vermelho, faróis vermelhos.

Gol automático

VW Gol automático - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Versão automática alavancou as vendas do Gol
Imagem: Murilo Góes/UOL

Com quatro décadas de experiência, o Gol não poderia ficar de fora da atual preferência por carros automáticos. Se a Volkswagen errou na escolha do câmbio imotion, acertou quando aposentou esse sistema e adotou o ótimo câmbio automático de 6 marchas.

O motor escolhido foi um dos melhores que o Gol já teve, que é o moderno 1.6 16v, com 120 cv. Ele é certamente um dos melhores, mais completos e seguros Gols que tivemos em todos os tempos, mesmo que não tenho o glamour dos esportivos do passado.