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Benê Gomes

SP2: por que esportivo é um dos mais importantes já desenhados pela Volks

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Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

17/07/2022 04h00

Um modelo de linhas singulares, desenvolvido 100% no Brasil, que viria a se tornar um ícone da indústria automotiva nacional e, em especial, da Volkswagen do Brasil. Essa é uma das muitas apresentações que podem ser feitas para o SP2, modelo esportivo que comemora 50 anos de vida agora em 2022.

Exatamente no dia 26 de junho de 1972, a VW do Brasil colocou nas ruas o seu primeiro esportivo brasileiro. Nasceu como SP1, com motor menor, o 1.6 a gasolina de 65 cavalos, mas ganhou fama mesmo como SP2, equipado com motor um pouco mais forte, o 1.7 de 75 cavalos de potência. A transmissão, era manual de quatro marchas, enquanto a tração, como bom esportivo, era traseira.

Mas antes de comentar sobre o desempenho, é legal lembrar, principalmente para os mais jovens, que o VW SP2 teve a primazia de ser desenvolvido totalmente no Brasil, por uma equipe formada só por brasileiros, chefiada por Marcio Piancastelli. Entre eles, José Vicente Novita Martins, o Jota, o autor do desenho final do modelo SP.

Entre as muitas passagens curiosas, ele lembra como foi a escolha do desenho: "Eu procurei desenhar o carro bastante baixo e com o vidro muito inclinado, uma proposta que, pelas teorias e propostas da época, não seria aceito como algo viável. Então resolvemos colocar o meu rascunho na parede do estúdio, sem nenhuma pretensão. Mas no dia que o Sr. Rudolf Leiding - presidente da VW do Brasil no período - foi conferir nossas ideias, ele viu o meu desenho e o escolheu. Isso causou tanto espanto na equipe, que ninguém quis explicar que aquele não era exatamente o que pretendíamos mostrar. Mas aí, tocamos em frente!"

Sp2 50 anos - Matheus Simanovícius - Matheus Simanovícius
Ousadia para a época: carro baixo, capô longo e para-brisa bem inclinado
Imagem: Matheus Simanovícius

Projeto ousado, o SP2 é reconhecido hoje por quem está à frente do design da marca, no caso, José Carlos Pavone, Chefe de Design da Volkswagen para América Latina: "Ele é diferente, tem um capô longo, o que nos leva achar que tem o motor ali, mas que na verdade está na traseira. E depois, tem a faixa que percorre toda a lateral do carro e chega até a traseira, essa parte é uma coisa espetacular".

Aliás, é na traseira que temos outra boa história. No desenho original, a entrada de ar foi projetada para ficar abaixo do para-choque, acompanhando a linha lateral. Mas a engenharia considerou o espaço insuficiente para refrigerar o motor e pediu algo maior. Uma alteração até questionada por Jota na ocasião, mas que acabou por criar outra uma marca registrada do SP2, como destaca Pavone.

"Além da questão funcional, que era garantir a refrigeração, a equipe conseguiu criar harmonia entre a nova entrada de ar e o vidro traseiro. Hoje, quando a gente bate o olho nesse ponto, logo diz: essa é a entrada de ar do SP2", comentou.

Sp2 50 anos - Matheus Simanovícius - Matheus Simanovícius
Característica marcante do SP2, saída de ar superior não fazia parte do desenho original
Imagem: Matheus Simanovícius

Inovação dentro do carro também

Dentro, o VW SP2 trouxe novidade com seu acabamento cuidadoso, bancos revestidos em couro, detalhes em madeira nas alavancas de câmbio e do freio de estacionamento, a alça de apoio para o passageiro, painel em peça única que misturava plástico e partes emborrachadas, além ser equipado com marcador de temperatura do óleo, amperímetro e relógio.

E no quesito segurança, para dar um exemplo, inovou ao trazer bancos com encosto de cabeça. Com apenas 1,15 m de altura, 1,61 m de largura e 4,21 de comprimento, era bonito e bem diferente, por isso empolgava rápido quem sonhava com um autêntico esportivo nacional produzido por uma marca forte.

Sp2 50 anos - Matheus Simanovícius - Matheus Simanovícius
Acabamento refinado: bancos em couro, painel em peça única com superfície emborrachada
Imagem: Matheus Simanovícius

Mas na prática, mesmo com a tração traseira e câmbio manual, era tímido na hora de acelerar. Esse foi um ponto que certamente prejudicou seu caminho numa uma época em que motores de seis cilindros e V8 eram presença forte em modelos da concorrência. O VW SP2 saiu de linha em 1975, com 10.025 unidades produzidas e abriu as portas para o novo Passat, carro mais moderno, com espaço para família e motor mais forte.

"O SP2 é muito importante pra nós, acho que é o modelo mais importante já desenhado em nosso estúdio. É uma pena não ter obtido mais sucesso. Mas nos dá orgulho e deixa claro como o time brasileiro é eclético e criativo, com grande capacidade de fazer muito, mesmo com pouco, tecnicamente falando", finaliza José Carlos Pavone.

Sp2 50 anos - Matheus Simanovícius - Matheus Simanovícius
Lanternas curvas seguiam as linhas laterais
Imagem: Matheus Simanovícius

Não há dúvida que temos aí bastante motivo de orgulho. Não por acaso, hoje o modelo está muito valorizado aqui e também nos Estados Unidos e Europa, em muitos casos, já comercializado acima dos R$ 200 mil. E, como todo clássico icônico, segue cada vez mais raro.

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