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Benê Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Volkswagen Amarok V6 anda como esportivo, mas vale para pegar no batente?

Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

23/05/2021 04h00

Vamos falar de picape novamente e não dá pra escapar daquela característica absolutamente comum a todas atualmente: guardadas as proporções, oferecem comportamento dinâmico e conforto típicos dos carros de passeio.

Só que essa história parece ter sido levada mais a sério pela Volkswagen ao projetar a Amarok que, desde o início, é reconhecida por entregar muito apelo para quem gosta da andar no asfalto e na cidade.

Ponto reforçado com a atualização feita na versão Extreme, equipada com motor V6 turbo diesel, apresentada no ano passado. E, com a oferta do pacote opcional Black Style, a Amarok Extreme ganha visual invocado, com para-choques, rodas de linga leve aro 20, retrovisores, estribos laterais e santantônio escurecidos.

Mesma coisa para o interior da cabine, onde não se vê nada em tom claro, no máximo alguns detalhes que imitam alumínio fosco nos botões do rádio e ar-condicionado, nas maçanetas ou na alavanca do câmbio.

Dentro, o que chama atenção de qualquer um nesta época de tanta novidade tecnológica, é a central multimídia Discover Media; mas negativamente, porque escancara a falta de atualização de um dos itens importantes da picape. O sistema multimídia segue com a mesma tela de sempre, que ficou pequena e com cara de antiga.

O multimídia é completinho, está atualizado e permite o espelhamento com smartphones. Mas pensando que a marca já conta com um sistema super moderno, disponível em seus modelos mais recentes - o VW Play - isso acaba pesando na Amarok. Até mesmo quando a gente quer apoio das imagens da câmera de ré, a sensação é de atraso.

Ainda dentro da picape, lembramos de outro fraco da Amarok neste momento, que é a falta de um alerta de colisão com frenagem automática de emergência, por exemplo, item já oferecido em suas concorrentes diretas, como Ford Ranger e Chevrolet S10, e que Volkswagen também já oferece em outros carros da sua linha.

Então vale se ligar no ponto forte desta versão da Amarok: a vocação para entregar esportividade ao volante, mesmo se tratando de uma picape.

Na linha 2021, a engenharia da Volkswagen recalibrou a central eletrônica do V6 turbodiesel e garantiu ainda mais potência para esse motor, que pulou de 225 para 258 cavalos. Bom? Então acrescente na receita a função overboost, que eleva essa potência para 272 cavalos por um período de dez segundos.

Essa configuração permite, por exemplo, que a Amarok acelere de zero a 100 Km/h em apenas 7,4 segundos e sem exigir nenhuma habilidade adicional do motorista, que só precisa pisar fundo no acelerador para tirar proveito.

Um recurso, você vai logo imaginar, muito útil para facilitar o trabalho de um profissional do campo, quando precisa encarar uma ladeira com a caçamba carregada. Mas na prática, o overboost é muito bem-vindo durante as manobras de ultrapassagem numa rodovia, pois deixa a Amarok muito esperta nas retomadas de velocidade.

Esse trabalho tem a participação direta da transmissão automática de oito velocidades - as trocas são bem rápidas e podem ser feitas manualmente pelas aletas no volante - e também do conjunto de suspensão bem acertado, que mantém a picape sempre equilibrada.

Entrega o que o fã espera

A Amarok - sem dúvida - é a picape média que entrega a configuração interna que mais se assemelha ao que se vê em um carro de passeio, em especial, para o motorista, que não tem do que reclamar.

Fica fácil perceber observando volante, painel de instrumentos, alavanca de câmbio ou a facilidade para acessar os comandos no painel. Sem contar que dá para ajustar altura e profundidade do volante, tem ajuste elétrico para o banco, inclusive do passageiro da frente.

Por conta disso, esta Amarok V6 exige atenção, pois é fácil subir a velocidade dela, não somente pela força disponível, mas pelo equilíbrio geral da picape. Ou seja, basta um pouco de distração para ultrapassar os limites de velocidade permitidos. Não por acaso, tem a máxima limitada eletronicamente em 190 Km/h.

No final das contas, mesmo ainda devendo recursos de segurança mais avançados, a Amarok Extreme conta com itens importantes, como controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em subida, controle automático de descida, freios a disco nas quatro rodas, seis airbags, dentre outros.

Enfim, é bem equipada e segura, tem disposição para o trabalho pesado e para encarar as trilhas de terra com o conhecido e competente sistema de tração integral 4Motion, que distribui automaticamente a força entre os eixos.

Mais do que isso, tem um trunfo indiscutível: quem pensa em comprar uma ou realmente compra uma Amarok, é porque se identifica com essa condição de picape mais urbana e com dotes esportivos. Para quem prioriza 100% o bom custo-benefício e o trabalho, é melhor olhar para a concorrência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL