PUBLICIDADE
Topo

Benê Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Peugeot 208 Active Pack: versão intermediária recheada e cara vale a pena?

Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

04/04/2021 04h00

Mesmo com visual bonito e tecnologias modernas e um tanto exclusivas para um modelo da sua categoria no Brasil, o novo Peugeot 208 ainda não decolou nas vendas. Um primeiro ponto a considerar na análise sobre os motivos dessa frustração é que a maioria dos recursos diferenciados ficou como exclusividade das versões de cima, Allure e Griffe. Portanto, as mais caras.

Então, para quem gostou muito dele e não tem ou não acha justo pagar o que é pedido pelas versões mais completas, o caminho natural é olhar para as intermediárias. A opção que está encaixada bem no meio da linha é a Active Pack, versão com menos conteúdo, mas que não radicaliza na economia.

Isso porque boa parte das coisas legais do novo 208 continuam nele, como quando observamos o lado de fora e vemos que estão lá a grade mais invocada e, principalmente, as chamativas luzes diurnas de led que imitam os dentes de sabre. Mesma coisa para o teto panorâmico de vidro ou as rodas, que não têm acabamento diamantado, mas são de liga aro 16.

Dentro também perdeu alguns detalhes de acabamento, o volante não tem revestimento em couro, os bancos têm tecidos mais simples e, claro, ficou de fora outro item chamativo desta nova geração: o painel de instrumentos digital com efeito 3D.

Mas para quem conhece a marca, encontra aquela característica tradicional dos modelos Peugeot, o maior apuro com o acabamento. Nesta versão do 208, mesmo carregando uma boa dose de plástico rígido, traz o detalhe que simula fibra de carbono no painel central, as portas contam com tecido, e por aí vai.

No quesito entretenimento, utiliza o mesmo sistema multimídia da versão anterior, que tem comandos por toque e reúne muitos comandos - inclusive o do ar-condicionado - e é compatível com Apple CarPlay e Android Auto. Mas já carrega uma certa defasagem, é verdade, pois para fazer o espelhamento ainda exige o cabo e, detalhe: a entrada USB fica na lateral da tela e isso obriga a deixar o cabo pendurado no meio do painel.

Maior e mais apertado

O que incomoda também no novo 208 é o espaço do banco traseiro, o que não é uma novidade quando pensamos na versão anterior. Apesar ter crescido em comprimento, mais de oito centímetros, ele perdeu espaço no entre-eixos. O resultado é um certo incômodo para pessoas mais altas atrás e mais: perdeu espaço do porta-malas. Agora são 265 litros de capacidade, contra 285 da versão anterior.

Mas para não ficar só na crítica, vamos aos pontos que merecem destaque no 208, como uma das exclusividades da marca. Um diferencial que me agrada muito nos modelos mais recentes da Peugeot, é a proposta i-Cokpit, formada por um volante menor, posicionado abaixo do painel de instrumentos.

Uma condição que te dá mais sensibilidade ao volante, mas que, ao mesmo tempo, exige que você entenda e aprecie essa característica. Ajuda o fato de se tratar de carroceria hatchback, que te deixa numa posição mais baixa, o acerto de suspensão bem equilibrado - que entrega conforto, mas é mais durinho - e isso reforça a esportividade.

É um cenário muito positivo e que só não fecha por completo por causa daquele outro pontinho fraco e que vem sendo muito debatido desde que o novo 208 chegou, não é? Sim, o motor 1.6, querendo ou não, é uma das fraquezas dele, principalmente do ponto de vista de imagem do carro. Na prática, ele não entrega aquilo que você espera depois de admirar a proposta apresentada do lado de fora, com o visual bastante provocativo.

A potência é boa para o tamanho do carro, 118 cavalos com etanol, conta com um bom câmbio automático de seis velocidades, mas está longe de empolgar numa retomada de velocidade.

Agora, tem um ponto positivo nisso e que é indiscutível também: ele entrega bons números de consumo, muito próximos do que temos nos concorrentes com motores turbinados. E isso acaba trazendo um certo equilíbrio na balança.

Mas no caso desta versão Active Pack, para quem está fazendo contas para uma compra, vale considerar ainda se não é o caso de pular logo pra versão de cima, a Allure, pois a diferença nessa faixa de preço não é tão grande e isso ainda garante a entrada de equipamentos importantes na lista de série. Para economizar mesmo com o 208, a saída é a recente versão de entrada com câmbio manual e conteúdo mais reduzido.

Preço Peugeot 208 Active Pack AT: R$ 87.090

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL