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Benê Gomes

Carro movido a hidrogênio é realidade, mas tem barreiras a superar

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Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

14/03/2021 04h00

Os automóveis movidos a hidrogênio ainda são uma aposta para o futuro? Certamente não. Aliás, dá pra afirmar que o projeto de automóvel movido a gás hidrogênio já é antigo, pois algumas fabricantes de carros começaram a trabalhar no desenvolvimento desse tipo de propulsão nos anos 90 e hoje contam com projetos bem amadurecidos.

E quando falamos de sistema de propulsão automotiva com proposta sustentável, agora temos dois bem populares: o híbrido, que combina um motor a combustão a outro elétrico; e o 100% elétrico. Mas o carro movido a hidrogênio está aí também, por isso merece sua atenção, antes de tudo, porque esse tipo de gás tem como grande trunfo a possibilidade de ser produzido a partir da água.

O processo acontece por meio de uma reação química onde é possível separar o hidrogênio e o oxigênio presentes na água. Depois, há outro atrativo indiscutível: do escapamento de um automóvel que utiliza hidrogênio como combustível, só sai, de novo, água pura.

Além disso, o hidrogênio é versátil, pode ser queimado em estado puro em um motor a combustão, como acontece com a gasolina ou o etanol. Mas a grande aposta da indústria até aqui é a utilização do hidrogênio nas chamadas células de combustível (ou pilhas, pela similaridade do projeto).

Ao ser aplicado dentro dessas células, ele reage com o ar e assim é gerada a energia que alimenta o motor elétrico. Ponto positivo também é o tempo de carregamento bem mais rápido do que os carros elétricos tipo plug-in, por exemplo. No movido a hidrogênio, a recarga completa leva cerca de 05 minutos.

Barreiras a serem vencidas

Sim, é uma tecnologia limpa, mas o hidrogênio como combustível automotivo ainda tem alguns desafios para ganhar popularidade. Começa com alto custo de produção, depois tem a dependência do uso de energia elétrica para produção em alto volume, passa pela implantação de uma rede estruturada de postos de distribuição e sofre ainda com uma questão mais crítica: hoje a maior parte do hidrogênio utilizado no mundo é retirado do gás metano. Ou seja, é retirado de uma fonte não renovável.

De qualquer forma, o futuro desse tipo de propulsão segue carregado de otimismo e bem representado por diferentes modelos. O primeiro carro movido a hidrogênio produzido em série - o Toyota Mirai - já completou seis anos de vida, ganhou a segunda geração e se transformou em um sedã grande e luxuoso. Com 153 cavalos de potência, o Mirai garante 650 km de autonomia.

Além dele, temos o Honda Clarity, sedã que promete rodar mais de 750 Km com um tanque de hidrogênio e entrega 177 cavalos. Para fechar, tem o mais jovem deles, o SUV Hyundai Nexo.

Lançado em 2018 e vendido nos Estados Unidos e Europa, o modelo tem 163 cavalos de potência e autonomia de 610 Km; e a fabricante coreana aproveitou a proposta do Nexo para dar uma valorizada de marketing, dizendo que seu modelo também tem a importante função de purificar o ar por onde passa.

Isso porque o oxigênio captado para o processo de produção da energia dentro da célula de combustível é obrigatoriamente purificado para poder reagir com o hidrogênio e efetivar a produção de energia. Assim, depois desse processo, a Hyundai lembra que o ar é devolvido ao ambiente limpinho de novo pelo escapamento. O raciocínio faz sentido, mas neste caso, vale pra todos movidos a hidrogênio e não só para o Nexo.

A verdade é que, com todos esses diferenciais positivos, nos resta torcer para que outros modelos movidos a hidrogênio surjam e, mais importante, se tornem acessíveis e populares, assim como os tradicionais modelos a combustão. Todos nós gostaríamos de comprar um carro que soltasse somente água pelo escapamento, não há dúvida.