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BMW i3: veja o elétrico que será de alto luxo no Brasil até sair de linha

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

11/10/2020 04h00

O BMW i3 foi o primeiro carro 100% elétrico vendido oficialmente no Brasil, chegou em 2014, período em que falar de carro eletrificado gerava mais curiosidade do que crença em ver muitos modelos desses em nossas ruas. Mas a verdade é que de lá pra cá surgiram concorrentes, como Renault Zoe, JAC IEV40 e Chevrolet Bolt, pra citar alguns mais recentes.

Com esse novo cenário, a situação complicou um pouco pra ele, que segue praticamente igual a quando chegou e continua bem caro. Mas isso também não significa que o BMW i3 tenha perdido suas qualidades e, muito menos, as exclusividades.

O visual bem futurista e ainda chamativo é um bom exemplo, depois tem a proposta que inclui uso de materiais reciclados e recicláveis, com direito a acabamento em madeira reciclada e fibra de côco no painel e portas, carroceria feita com plástico reforçado com fibra de vidro e alguns pontos com fibra de carbono.

As medidas são de um típico modelo compacto - 4,01 metros de comprimento e 2,57 metros de entre-eixos - por isso é um carro muito bom para o uso urbano. Pode levar quatro pessoas com conforto, tem espaço bem distribuído, boa altura para a cabeça e soluções diferentes, como as portas que ficam meio que escondidas no desenho do carro e que se abrem invertidas, tipo porta de armário.

O porta-malas é mais modesto, tem capacidade para 260 litros, mas está na média oferecida pelos hatchs compactos. É muito bem equipado, com direito a itens como controlador de velocidade adaptativo e estacionamento automático.

Agora com autonomia para pequenas viagens

A BMW não alterou o conjunto de propulsão na última atualização do i3, feita um ano atrás. Ele segue com o mesmo motor elétrico de 170 cv e 25,4 kgfm de torque, transmissão automática do tipo CVT e, como manda a tradição da marca, a tração é traseira. Aí entra aquele componente empolgante de todo modelo 100% elétrico, que é a resposta instantânea do motor por contar com todo o torque e potência disponíveis em qualquer rotação.

Junte o tamanho compacto, a direção com assistência elétrica bem direta, suspensão firme e temos um comportamento típico de carro esportivo. Mas a boa notícia é que agora a autonomia do BMW i3 aumentou, o que abre espaço até pra encarar pequenas viagens, esse um problema indiscutível de todos os modelos 100% elétricos, ainda mais aqui, com a quase inexistência de postos de recarga rápida nas rodovias.

Além do propulsor elétrico, o i3 se diferencia por oferecer como opcional o REX - sigla em inglês de Range Extender - ou alcance estendido em tradução direta - que traz um motor de dois cilindros de 647 centímetros cúbicos movido a gasolina que só atua para carregar as baterias quando a carga baixa muito; na prática, esse pequeno motor funciona como um gerador.

Com ele o i3 ganha mais 150 km de autonomia, ou seja, somados aos 290 Km do motor elétrico, o pequeno alemão pode rodar até 440 km, informa a fabricante. Mas lembre que isso exige um comprometimento do motorista com a condução eficiente.

Recarga em casa ainda é lenta e preço limita popularização

O i3 traz o cabo de carregamento num compartimento sob o capô já devidamente adaptado para ligar em tomada residencial comum; o processo é simples, exatamente como fazemos com qualquer eletrodoméstico.

O problema é o tempo de carregamento, que supera as 6 horas em tomada comum 220V. No entanto, se o processo é feito em um eletroposto ou utilizando o i wallbox, carregador rápido vendido pela BMW, esse tempo cai para 1h42m.

Resumo da história, aqui falamos de um carro muito interessante, com desenho ainda moderno e exclusivo, muito comprometido com o meio ambiente e bastante luxuoso. Ótimas credenciais para fazer sucesso no Brasil também; mas isso é algo que, infelizmente, não tem como acontecer e por dois motivos.

Primeiro porque o modelo alemão segue com um preço alto, hoje beirando os R$ 300 mil; e segundo, porque a BMW não disfarça que o i3 não vai ganhar uma nova geração.

Parece que ele já cumpriu bem sua missão, que foi a de abrir as portas para os carros movidos a bateria dentro da BMW. Enquanto isso, a gente fica esperando o nosso governo criar um projeto de incentivo para automóveis elétricos no país, já que a indústria vem mostrando que esse será o caminho.