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Novo Peugeot 208: beleza e tecnologia compensarão ausência de motor turbo?

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

23/08/2020 04h00

Tecnologia, visual bem arrojado e intenção de ser referência entre os hatches compactos. Basicamente, essas são as características que a Peugeot espera ver reconhecidas pelo brasileiro em seu novo 208. Realmente, a nova geração do compacto ficou bonita e ganhou considerável dose de tecnologia.

No entanto, como já deve ter acompanhado, a marca francesa - que ainda nem lançou o carro - já vem sendo obrigada a justificar a opção por um motor "antigo" em um modelo absolutamente renovado, construído em uma nova e moderna plataforma modular.

A boa notícia é que a nova geração do Peugeot 208 - agora produzida em El Palomar, na Argentina - chegará importado com praticamente o mesmo visual do europeu. Isso vale para aquela frente invocada, com as luzes diurnas de LED que imitam dentes de sabre - que deverão ser item de série em todas as versões - e também para a traseira mais esportiva com lanternas de três hastes verticais unidas por um plástico preto.

Mesma coisa quando abrimos a lista já confirmada de equipamentos que estarão disponíveis no novo 208, onde temos uma inovação que tem tudo para ser um dos grandes atrativos: a nova geração do Peugeot i-Cockpit 3D, que traz a tecnologia holográfica em três dimensões.

Isso mesmo, se a conhecida proposta do i-Cockpit - que tem volante menor e posicionado abaixo do painel de instrumentos - já era uma exclusividade da marca, agora ganhou o reforço da tecnologia holográfica. Trata-se de um sistema que projeta informações do veículo à frente do mostrador principal, gerando um efeito digno de filme futurista e com cinco modos de visualização.

Vi isso de perto durante um teste de rodagem na Argentina em fevereiro passado com modelos pré-série e achei o resultado muito legal. Depois, ainda falando do interior do carro, deu pra confirmar o tradicional padrão da marca, com acabamento cuidadoso e alguns detalhes de bom gosto, como os botões no painel central que lembram comandos de avião, como nos modelos 3008 e 5008.

Mais tecnologia em segurança

A Peugeot também quer surpreender o fã do 208 no Brasil com uma super dose de tecnologia voltada para segurança. Para isso, vai disponibilizar importantes recursos de assistência de direção reunidos no Peugeot Driver Assist, notícia confirmada nos últimos dias.

O novo 208 vai contar com alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança de faixa com correção ativa, mudança automática entre farol alto e baixo conforme o ambiente, reconhecimento de placas de velocidade, detector de fadiga e o VisionPark 180º - sistema que, com a marcha à ré engatada, projeta imagens no multimídia em três modos, um deles, em 180º. São recursos já encontrados nos concorrentes diretos, é verdade, mas todos num mesmo pacote ainda não.

Reviver a sucesso do 206?

A Peugeot espera inaugurar uma nova era no Brasil ao apostar que o novo 208 vai chegar com a mesma força "revolucionária" - expressão usada pela marca - do 206, modelo que realmente marcou um novo tempo para o segmento dos hatches compactos por aqui.

Mas aí temos o ponto já polêmico desde que foi confirmado que a nova geração do 208 contará apenas com uma opção de motor no Brasil: 1.6 flex aspirado de até 118 cv e 16,1 Kgfm de torque, o mesmo utilizado no modelo atual.

A expectativa natural era que a nova geração viesse com o 1.2 Puretech turbo de 130 cv oferecido na versão europeia, seguindo a receita de sucesso dos concorrentes diretos. A Peugeot explica que o motor turbo exigiria um longo processo de validação no Brasil, o que poderia encarecer e certamente atrasaria o projeto.

Mesma coisa para o 1.2 Puretech de 90 cv que já foi utilizado no hatch, mas que vem importado para o Brasil; ou seja, também inviável pelo custo da operação. Argumentos justos, mas que talvez não convençam o consumidor brasileiro que, em grande parte, ainda desconfia dos modelos Peugeot.

É verdade que, na prática, o motor 1.6 flex - que no novo 208 só contará com câmbio automático de 06 velocidades - entrega força suficiente para o compacto. Mas, em alguns momentos, vai ficar devendo fôlego sim, em especial com o carro carregado. O acerto do novo 208 - ainda que eu tenha experimentado um pré-série - é elogiável, com muita firmeza em alta velocidade e sem incômodo com suspensão batendo duro em pisos irregulares.

Agora, não dá para dizer que você encontre aquele sabor oferecido por um motor com respostas mais ágeis, uma característica que tem tudo a ver com o visual do novo 208. Ou seja, mesmo com tanto conteúdo, beleza e tecnologia de alto nível, não há dúvida de que, no Brasil, o maior desafio do novo Peugeot 208 será o motor.

Um consolo com versão esportiva eletrificada

O consolo para quem não se conformar com a configuração padrão do novo hatch francês será o 208 e-GT, versão topo e 100% elétrica já confirmada para o Brasil. O 208 e-GT acelera de 0 a 100 Km/h em 8,1 segundos, entrega 136 cavalos de potência e 26,5 Kgfm de torque, números que caem muito bem no 208. Só resta saber a que preço chegará aqui, pois virá importado da França.