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Como motor com 10 mil km rodados pode fundir mesmo com manutenção em dia

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

26/07/2020 04h00

Os novos e compactos motores trouxeram mais tranquilidade pela maior resistência e o baixo consumo de combustível. Mas para aproveitar ao máximo essas características, vale saber em qual condição utiliza o seu carro: normal ou severa?

Vamos direto ao ponto e pegando como exemplo dois profissionais bem conhecidos de todos nós: os motoristas de aplicativo e os tradicionais taxistas. Em uma grande cidade como São Paulo, por exemplo, eles rodam centenas de quilômetros diariamente e, na maior parte do tempo, encarando o anda e para do trânsito congestionado.

Está aí uma condição de uso do automóvel considerada severa. Apesar de se tratar de uma situação absolutamente comum, temos aí um risco um tanto oculto, mas que pode acelerar o desgaste de muitos componentes do carro. Isso porque, quando encaramos um trânsito pesado, ficamos um longo período rodando em velocidade bem baixa ou mesmo parado.

O resultado é o motor trabalhando bastante tempo em rotações baixas ou em marcha lenta, uma condição que força o trabalho em altas temperaturas, mas com baixa refrigeração.

"Nessa condição, a degradação do óleo lubrificante é muito mais rápida e o nível tende a baixar na mesma velocidade; se o proprietário não se lembrar de conferir o óleo, a chance de ter problemas é grande". É o que explica Cesar Alves, da Sady Retífica de Motores, acostumado a receber casos como o de um Renault Sandero, ano 2020 e com apenas 10.800 Km; pois o motor 1.0 SCe flex de 03 cilindros fundiu depois de rodar muitos quilômetros praticamente sem óleo lubrificante.

"Esse é o típico caso de quem trabalha com transporte e que respeita o que diz o manual do proprietário, que é trocar óleo e filtros a cada 10 mil quilômetros rodados; só que ele esqueceu que isso vale para quem usa o carro em condições normais", completa Cesar.

Uso severo exige antecipação das revisões

Para quem utiliza o carro com muita frequência na condição considerada severa, a primeira recomendação é antecipar alguns serviços de manutenção, como é o caso da troca do óleo lubrificante. Aliás, tem um dado sobre o lubrificante que ajuda bem a memorizar o que esse descuido pode provocar.

Em uma condição de uso normal - como está previsto no manual do proprietário - o motor pode consumir até meio litro de óleo a cada 1.000 quilômetros. Agora, no caso em que temos o uso severo, a situação é bem diferente: o consumo do óleo lubrificante pode dobrar, chegando a 1 litro para cada 1.000 quilômetros rodados.

Ou seja, para quem usa o carro assim e não tem o hábito de conferir o nível de óleo, é bem fácil viver a situação de rodar bastante tempo com pouco óleo e se dar conta só quando o motor pifa. Isso sem esquecer da revisão de outros componentes, como correias e mangueiras do motor, que acabam trabalhando sobrecarregadas.

Campo e praia também se enquadram no uso severo

Longe da cidade, como as estradas de chão batido com muita poeira ou as belas ruas do litoral onde a areia da praia sobe fácil com a brisa, temos também uma condição de uso severo do automóvel.

Colocar o carro com frequência em um desses cenários pode saturar o filtro de ar do motor pelo excesso de poeira ou areia. E se o filtro perde a eficiência, deixa de proteger o motor e abre espaço para um estrago geral.

Portanto, para quem anda com o carro rotineiramente no campo ou no litoral, é recomendável antecipar a revisão dos filtros de ar. Ou seja meu amigo, mais do que sair usando seu automóvel, tenha o hábito de observar o entorno dele e não tenha preguiça de respeitar a agenda de manutenção preventiva.