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Moto compartilhada: como dividir e economizar em modelo de alta cilindrada

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

05/04/2020 04h00

Entre tantas mudanças que afetaram positivamente nossa rotina nos últimos tempos, temos profundas alterações também na forma como nos locomovemos. Exemplo direto e absorvido por todos é o conceito de transporte compartilhado.

Mas será que no universo das motocicletas já é possível imaginar algo do gênero? É sim, pelo menos para aquele grupo que tem vontade e condições de investir em modelos de alta cilindrada.

Algo percebido pelo empreendedor Gustavo Carvalho com base em uma experiência pessoal: tinha uma motocicleta de alto valor na garagem, mas que só conseguia utilizar pra valer no final de semana. Foi a luz para perceber que poderia otimizar esse processo, dividindo o tempo de utilização e, o melhor da história: os custos de compra e manutenção.

Na verdade, esse é um tipo de ação que teve início no Brasil com barcos e aeronaves, e que logo chegou aos automóveis de luxo e superesportivos. Dois exemplos que serviram de inspiração para Carvalho criar a 4ride Motorcycle, empresa que gerencia clubes de motos compartilhadas.

"Fizemos uma pesquisa e confirmamos que 60 a 70% dos proprietários de moto de alta cilindrada, assim como eu, acabavam utilizando a motocicleta apenas uma vez por mês; então, se a gente dividisse o valor da compra em quatro, cada um poderia ter a moto disponível por um semana ou por um final de semana dentro do mês, como já estava acostumado".

Ou seja, pensando na rotina de uso, o compartilhamento mantém a mesma condição para o interessado, mas com o benefício de gastar apenas 25 % do valor total do modelo escolhido. Segundo cálculos da 4Ride, um cotista pode economizar até 70% em comparação a alguém que compra uma moto desse porte sozinho.

Prova de que a receita funciona, é que hoje a empresa já tem casos de pessoas que acabam comprando cotas de dois modelos diferentes. "Aquele cara que gosta de ter duas motos na garagem pode seguir economizando, pois investe 50% do valor de uma motocicleta", reforça Carvalho.

Outro ponto interessante. Ao adquirir uma cota, o cliente ingressa automaticamente no clube do tipo da moto que comprou, composto por motocicletas de marcas e propostas distintas. São três opções: "Easy Rider", "Road Trip" e "Old School".

No Easy Rider, pode escolher entre modelos como Triumph Tiger 800XRX, BMW F850 GS Adventure e Honda X-ADV, essa ainda uma novidade em nosso mercado. Dessa forma, o cotista poderá, se quiser, experimentar um modelo diferente do que escolheu!

A 4ride já tem oito motocicletas em sua frota, o que representa 32 cotas divididas entre os clubes. As cotas partem de R$ 23 mil e o cotista terá duas despesas adicionais: a taxa de administração mensal, hoje em R$ 300,00; e o seguro anual, em média R$ 2 mil. No mais, tudo é por conta da empresa: emplacamento, documentação e até instalação de rastreador.

O compartilhamento é feito sempre com o máximo de quatro pessoas, mas é possível realizar com três interessados. Os contratos têm duração de dois anos e as frotas são formadas somente por motocicletas acima de 750 cc. Ao final, os proprietários têm a opção de compra ou recebem os 25% a que cada um tem direito após a venda da moto.

Um negócio que se mostra promissor, tanto que a 4Ride já planeja ampliar a operação em 2020, com a abertura de filiais em outras cidades e estados.