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Alerta de colisão pode ser instalado em carros mais antigos; entenda como

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

29/03/2020 04h00

A evolução tecnológica contribuiu demais com a indústria automotiva, principalmente quando a análise envolve o nível de segurança de carros recentes. Sinais evidentes são avançados recursos como o alerta de colisão frontal com frenagem automática, alerta de saída de faixa, leitor de sinalização de velocidade, entre outros.

Todos fazem parte do que a indústria batizou como sistema ADAS (do inglês Advanced Driver Assistance Systems - ou Sistema Avançado de Assistência ao Motorista em tradução livre). Desses, temos um muito importante e que tem tudo para ficar bem acessível no Brasil: o alerta de colisão frontal.

É o que pretende fazer a FFTech - empresa brasileira que desenvolve projetos integrados de redução de colisões e mortes no trânsito - que trouxe com exclusividade para o Brasil o Mobileye, dispositivo criado por uma startup israelense que leva o mesmo nome e hoje pertence à Intel.

Basicamente, o Mobileye é um dispositivo de assistência de condução, como aqueles já oferecidos em diferentes automóveis comercializados no Brasil. Por aqui, o seu grande diferencial é o fato de ser vendido como um acessório que pode ser instalado em um carro novo ou usado.

O dispositivo conta com uma câmera que deve ser instalada no para-brisa do carro, próxima do ponto de apoio do espelho retrovisor interno; por meio dela o sistema identifica formas, veículos e pedestres.

Na prática, ele é mais do que isso, porque oferece um combo de recursos, onde entram o alerta de saída de faixa, controle de farol alto e até leitura de placas de sinalização de trânsito. Esse último, um apoio importante para quem se vive se distraindo com os limites de velocidade.

Com todos os dados registrados, o sistema faz a interpretação das informações em milésimos de segundos e o visor do Mobileye - outro item do dispositivo que deve ser instalado no painel - emite sinais de alerta assim que percebe algum tipo de risco, como a possibilidade de impacto com outro carro ou o cruzamento de pedestres e ciclistas.

Ao emitir um alerta, dá sua grande contribuição ao motorista: um tempo de reação para reduzir a velocidade, desviar do obstáculo ou parar o carro. Algo fundamental para a redução de acidentes de trânsito em tempos em que não faltam estímulos para desconcentrar o motorista, concorda?

Preço do dispositivo poderia cair pela metade

No Brasil, uma resolução de 2018 prevê isenção de imposto de importação para autopeças que não podem ser produzidas pela indústria nacional para instalação diretamente na linha de produção de veículos. Portanto, neste momento, o benefício é uma exclusividade das fabricantes de automóveis e que não chega a todos os consumidores.

Isso porque o importador compra o equipamento e recolhe o imposto normal, o que acaba encarecendo o produto no balcão. A compra e instalação do Mobileye têm custo médio de R$ 4 mil.

Mas, como explica Celso Gitelman, CEO da FFTech, se o benefício do imposto de importação para esse tipo de produto valesse para todos, o valor poderia cair pela metade. Ou seja, na faixa dos R$ 2 mil.

"Uma redução do imposto pode garantir que a instalação chegue a toda frota já existente em nosso país - hoje mais de 58 milhões de automóveis - e não só nos modelos mais requintados que saem das fábricas com o equipamento", reforça o executivo.

Dispositivo é antídoto contra o excesso de confiança

A verdade é que a evolução tecnológica aplicada aos carros e a consequente elevação do nível de segurança, em muitos casos, acaba provocando um efeito contrário.

A tranquilidade oferecida pelos novos recursos de segurança torna alguns motoristas muito mais "seguros" de si. E, assim, mais imprudentes ao volante. Um desiquilíbrio que pode ser corrigido com a popularização de recursos como o alerta de colisão frontal.