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Carro elétrico: chineses têm 65% dos carregadores do planeta

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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

01/07/2022 04h00

A acessibilidade para o carregamento dos veículos elétricos é fundamental para o sucesso da eletrificação automotiva. Desde o início desse novo momento da indústria da mobilidade, e que acompanho de perto já há uns bons cinco, sete anos, a pergunta de Tostines nunca foi respondida pelos líderes desse setor: quem vem primeiro, a infraestrutura ou os carros? Até agora, mesmo após dezenas de bilhões de dólares investidos na eletrificação, nem um e nem outro demonstraram que vieram, ou virão, para fazer essa tão falada transição e acabar de vez com os combustíveis fósseis e as emissões.

Mesmo ainda insuficiente para promover essa mudança por lá um dado saltou aos olhos esta semana: a China, com 1,150 milhão de estações de carregamentos públicos para veículos elétricos, dispõe de 65% de todos esses aparelhos em funcionamento no mundo.

A diferença para o segundo país nesse ranking, em números de estações, é de quase dez vezes, o que demonstra que ainda há muita coisa para acontecer até os veículos elétricos realmente começarem a cumprir a sua missão de eliminar o CO2 da equação do transporte global. Isso se houver garantias de que as fontes de geração de energia elétrica sejam limpas, ou, então, continuarão por aí nos próximos anos usando carvão ou outro combustível poluente para gerar eletricidade, como vem ocorrendo, inclusive, na China.

Os Estados Unidos possuem 115.527 estações públicas de carregamento o que, obviamente, é insuficiente para um país continental e terra natal da Tesla. A Coreia do Sul, pequeníssimo país na comparação com o colosso estadunidense, e certamente com uma frota infinitamente menor, possui 106.701 carregadores públicos, ocupando a terceira posição do ranking.

Na Europa, continente que vem se esforçando para retirar veículos a combustão interna de circulação, a Holanda é o país com mais carregadores públicos, 85.453, a França possui 54.240, a Alemanha 50.972 e o Reino Unido 36.984.

Outro ponto importante desse levantamento feito pelo site de educação a investidores stockapps é que na China somente 41% são carregadores rápidos ou ultrarrápidos, no total 477 mil, e outros 677 mil são aparelhos públicos com capacidade mais lenta para abastecer as baterias dos veículos elétricos. Nos Estados Unidos 81% dos sistemas públicos são de carga lenta.

O Brasil nem figura nessas estatísticas e, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, são ridículos 1.250 pontos de cargas em todo o País. 47% estão obviamente no Estado de São Paulo, na Capital e nos arredores. E são pouquíssimos aparelhos de carga rápida ou ultrarrápida.

Para compreender a distância que o carro elétrico está de se apresentar como a solução definitiva para o desafio das emissões e da mobilidade do futuro é preciso imaginar uma situação não tão absurda em alguns anos.

Começou o feriadão e dezenas de milhares de veículos saem de São Paulo. Destes 3 mil elétricos [mais ou menos o que a Anfavea calcula que foram negociados no ano passado no País]. E você está ao volante num deles, rumo ao Rio de Janeiro, uma jornada de apenas 400 quilômetros. Isso porque você está esperto e sabe que a rodovia Dutra tem muitos desses aparelhos. Quanto tempo estaria disposto a ficar parado esperando, numa conta de padaria, dez carros elétricos na sua frente aguardando o abastecimento numa máquina de carregamento lento?

Vamos continuar a fazer contas: por baixo uns 30 minutos cada veículo [sendo muito legal com você que está no fim da fila, pois para carregar 50% leva muito mais tempo do que isso]. E aí?: topa a aventura do carrão elétrico de centenas de milhares de reais e última geração?

A verdade que muitos não querem aceitar é que falta às iniciativas pró eletrificação o que sobra e é muito elogiado nos carros elétricos: torque imediato, a força que leva um veículo de mais de 1 tonelada a sair da imobilidade e ganhar velocidade instantaneamente, ao pisar no acelerador.

Sem um empurrão dessa magnitude não haverá tempo para os carros elétricos salvarem nem o planeta nem o modelo de negócios da indústria automotiva.

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