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Maverick: por que picape com nome de cupê chega para competir com SUVs

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Leandro Alves

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Colunista do UOL

20/11/2021 04h00

A Ford inventou um segmento no Brasil, o de SUVs compactos, e reinou sozinha no mercado por bons anos. Hoje esse tipo de veículo é o mais desejado pelo consumidor e o segmento que mais cresce no País. Pois agora, sem EcoSport, sem produzir no Brasil e bem mais modesta como importadora de veículos, a Ford pretende voltar ao jogo e competir com os SUVs compactos com uma picape, a Maverick.

Ainda é cedo para afirmar que esse modelo, que será lançado muito provavelmente em fevereiro, conseguirá, de fato, atrair o cliente sedento pela posição alta de dirigir, a suspensão mais elevada e outros atributos dos SUVs. Mas a primeira impressão durante clínica realizada esta semana com três versões da Maverick foi suficiente para compreender que a picape, que empresta o nome de um cupê de sucesso no País no século passado, pode colocar uma pulga atrás da orelha do aspirante a cliente de SUVs no ano que vem.

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Mas antes de falar dos seus atributos é preciso posicionar as expectativas da Ford e o comportamento do consumidor, principalmente por causa da pandemia, para tentar explicar porque uma picape pode ser uma anti-SUV. Tem a ver com as aspirações de um modo de vida mais flexível, principalmente do público jovem e endinheirado, que não terá uma base fixa mas passará períodos no campo, depois na praia e de volta à cidade.

Os SUVs, e o EcoSport em particular porque foi o pioneiro, capturaram esse desejo de maior liberdade das pessoas oferecendo a versatilidade de rodar nas estradas de terra e na cidade com o mesmo conforto e desenvoltura. Mas as exigências aumentaram e agora o consumidor precisa de mais espaço para levar seus equipamentos de mergulho, sua bicicleta, as ferramentas para cuidar da horta, o caiaque e uma série de outros utensílios essenciais para uma vida nômade.

Justamente essa versatilidade extra é que chama a atenção na Maverick. A apresentação estática revelou porta-objetos debaixo dos bancos traseiros, outros nas laterais da caçamba e até duas caixas enormes, também na caçamba, para guardar o que for preciso.

Não só isso: a Maverick oferecerá um espaço interno generoso e a posição alta de dirigir dos SUVs, mas não tão alta quanto a da Ranger, essa sim, uma picape raiz. Além do alçapão debaixo dos bancos tem uma configuração interessante de porta-objetos na cabine, sobretudo nos compartimentos das portas. Claro que todo o pacote tecnológico da atualidade, com painéis digitais, mapas, assistência ao motorista, conexão, estão aí. Mas isso só será possível conferir a partir do ano que vem.

Fabricada em Hermosillo, México, a Maverick já tem mais de 100 mil pedidos nos Estados Unidos. No Brasil será oferecida apenas uma versão, a topo de linha Lariat FX4 com motor 2.0 Ecoboost, tração integral AWD e transmissão automática de oito velocidades. No México, que já vende a Maverick, essa versão tem preço sugerido de 750 mil pesos. Numa conversão direta daria algo como R$ 200 mil.

Toro. Justiça seja feita. A picape pioneira nesse segmento no Brasil é a Fiat Toro. E o resultado de vendas ao longo da sua história no País demonstra que picapes com esse porte podem ter vida longa por aqui. Assim como o EcoSport a Toro desbravou esse segmento, mas não reinará sozinha por muito tempo. Além da Ford, Volkswagen e General Motors preparam novidades para entrar nessa disputa.

Toro, não! Durante a clínica com a Maverick e conversas informais com alguns executivos presentes o curioso foi perceber que, para a Ford, a Fiat Toro não é um concorrente. Falam até em concorrentes dentre os automóveis e, claro, os SUVs. Mas a picape brasileira líder nesse segmento porque não há concorrência não é uma... concorrente.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL