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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Blá, blá, blá" de Greta também é para a indústria automotiva

Reprodução/Instagram Greta Thunberg
Imagem: Reprodução/Instagram Greta Thunberg
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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

22/10/2021 04h00

O tema mais abordado ultimamente pelos executivos do setor automotivo, e do universo industrial de forma geral, é o meio ambiente. Todas essas pessoas que dirigem o destino de empresas nacionais e multinacionais precisam urgentemente colocar seus negócios na rota da descarbonização, eliminando de toda e qualquer atividade seu rastro sobre o ambiente.

Não é o destino de um planeta, que começa a responder com eventos extremos à atividade predatória do seu mais ilustre habitante, o homo dito sapiens, que impulsiona este movimento. Está em jogo a "sustentabilidade", ou continuidade dos negócios.

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Aliás, palavras como ecossistema e sustentabilidade estão sendo utilizadas indiscriminadamente para associar atividades industriais que causaram graves danos à natureza como "sustentáveis" ou redes digitais que conectam [para vender] produtos, serviços e consumidores à complexidade, beleza e eficiência da Mata Atlântica, o ecossistema mais biodiverso do planeta. É com a apropriação dessas belas palavras que começa o blá, blá, blá.

É espantosa a cara de pau do ser humano, sobretudo desses líderes industriais e de gente do mercado financeiro, quando confrontados com a difícil realidade dos fatos: os impactos dessas atividades podem se tornar irreversíveis.

Mas para desviar do assunto e mostrar seu "engajamento" à causa do meio ambiente esses executivos apresentam planos e expectativas para resolver os problemas num futuro ainda incerto. Ou despistam suas reais responsabilidades descrevendo alguma iniciativa pessoal, como separar o lixo doméstico ou as lições que passam a seus filhos sobre a preocupação e atitudes que contribuem com a natureza.

Esses discursos são utilizados para demonstrar um pretenso alinhamento dos negócios industriais com os ecossistemas originais, aqueles responsáveis pela evolução das espécies e que permitem as trocas de umidade, temperatura e pressão que formam o ambiente único de nossa atmosfera, proporcionando oxigênio e água para a vida prevalecer.

São as mesmas indústrias que contribuíram de alguma forma ao longo de sua breve história neste planeta para que estivéssemos, todos nós, pressionados pelo aquecimento global e outros eventos naturais que podem, ao longo das próximas décadas, tornar a vida um inferno na Terra.

Se não é verdade isso deixaremos de despejar lixo no oceano e evitaremos a navegação tão poluente quanto a dos carros na Terra? Pararemos de sangrar a própria Terra extraindo seus minerais, seus alimentos e sua água, derrubando e destruindo sua cobertura original em nome do desenvolvimento? Continuaremos a atacar inescrupulosamente as espécies, comendo alguma delas ou simplesmente extinguindo outras da vida nesse planeta, também em nome do desenvolvimento?

Nestes últimos meses, em diversos encontros com líderes do setor automotivo, ficou ainda mais claro que a transformação que a indústria vem promovendo com investimentos bilionários não só para produzir veículos com emissão zero mas, também, para alterar o modelo de produção atual para algo ambientalmente mais amigável, não mudará o status quo do negócio, que é explorar alguns novos recursos e outros nem tanto para obter resultados lucrativos.

Quando a jovem ativista sueca Greta Thunberg diz, na presença de líderes e representantes mundiais, que são trinta anos de blá, blá, blá ela também está levando essa mensagem aos presidentes de empresas e entidades ligadas a todas as atividades industriais.

Há quase um mês a adolescente apontou o dedo e denunciou em um encontro de preparação para a Cúpula do Clima, COP 26:
"Não existe um planeta B, não existe um planeta blá-blá-blá, economia verde blá-blá-blá, neutralidade do carbono para 2050 blá-blá-blá".

São os consumidores do futuro fazendo cobranças e deixando o recado: "Nossas esperanças e sonhos se afogam em suas palavras de promessas vazias", como bem lembrou Thunberg.

Não é mais o momento de palavras vazias da parte dos líderes, sejam eles governamentais ou empresariais. O que disse a ativista Vanessa Nakate, de Uganda, sobre o aquecimento global e seus impactos nas populações mais vulneráveis?:
"É o momento de nossos dirigentes despertarem, chegou a hora de nossos líderes pararem de falar e começarem a agir. Já é hora de os poluidores pagarem, é a hora de cumprirem com as promessas".

Como se vê o grupo de "pirralhos", como foi qualificado por um político decadente ativistas como Thunberg, já é grande e barulhento o suficiente para que se preste atenção a seus anseios. Imaginem o que vai acontecer quando se tornarem clientes de seus produtos.

Glossário [para aplicar corretamente as palavras]

Antropoceno: período relativo à época mais recente da Terra, a era Cenozoica, caracterizado pelos efeitos do impacto da atividade humana nos ecossistemas do planeta, tais como as alterações climáticas.

Biodiversidade: reunião que contempla todas e/ou quaisquer espécies de seres que existam e convivam na biosfera, em certa região ou num período de tempo; diversidade.

Ecossistema: sistema ecológico que inclui o conjunto das relações dos seres vivos e destes com o ambiente; biogeocenose, biossistema.

Sustentabilidade: qualidade ou propriedade do que é sustentável, do que é necessário à conservação da vida.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL