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Estudo no Reino Unido mostra quanto cada montadora emite de carbono

Getty Images
Imagem: Getty Images
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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

23/04/2021 09h20

O assunto da semana foi a Cúpula do Clima organizada pelo governo dos Estados Unidos. No mínimo os problemas que estão sobre a mesa dos líderes globais são demasiados complexos e ainda longe de um consenso muito por causa do ceticismo e de falta de transparência de governos e empresas, que adiaram o quanto foi possível o enfrentamento do aquecimento global, que é problema de todos que habitam o planeta.

O mundo automotivo também agiu assim. Por exemplo: você tem ideia de qual é a emissão do seu veículo ou da sua marca preferida? E seria capaz de quantificar qual a sua contribuição individual para o aquecimento global?

Realmente faltam instrumentos e metodologias acessíveis a todos para popularizar a informação de qual é a pegada de carbono de um indivíduo, de uma empresa ou até mesmo de um país. Ainda estamos engatinhando, mas algumas iniciativas apontam um caminho.

É o caso da plataforma Uswitch.com, dedicada exclusivamente ao consumidor do Reino Unido. Eles produzem uma série de informações relevantes, como comparações de produtos e serviços. O objetivo é difundir o consumo consciente para o cidadão no Reino Unido.

Dessa forma o Uswitch.com criou metodologia para mostrar a pegada de carbono das marcas que vendem veículos nos domínios da rainha Elisabeth II. A matemática é complicada e pode até levantar alguns questionamentos. Mas como ainda não há um método que possa ser adotado em todos os países, vale a iniciativa para perceber quais as montadoras que mais contribuem para as emissões de CO2 naquele país.

A Ford foi a montadora que mais emitiu no período de um ano, porque foi a que mais vendeu veículos no Reino Unido em 2019. O total é de 30.160 kg de CO2 por quilômetro contabilizando as 236 mil unidades vendidas antes da pandemia. Cada veículo Ford emite, em média, 2.740 kg de CO2 ao ano.

Além do volume de vendas o cálculo utiliza os dados do New European Driving Cycle, NEDC, um padrão internacional de testes que avalia a emissão dos motores dos automóveis. Além disso, considera-se outra medida, esta dos Estados Unidos, para definir quantos quilômetros um carro roda em um ano. O estudo adotou o padrão estadunidense de 21.726 quilômetros rodados em doze meses.

A combinação desses dados encontra um fator de quilograma de CO2 por quilômetro rodado, que é a estimativa do Uswitch.com para cada montadora. Veja o resultado das cinquenta marcas de veículos vendidas no Reino Unido aqui.

A Volkswagen foi a segunda que mais emitiu no Reino Unido, com 24.540 kg de CO2 por quilômetro, somando os 201.786 novos veículos emplacados em 2019. Cada carro tem uma emissão de 2.630 kg de CO2 ao ano.

Outro dado curioso desse estudo coloca as marcas de luxo como as maiores poluidoras individuais. A Bugatti, por exemplo: com quatro unidades comercializadas em 2019 contabiliza 11.211 kg de CO2 emitidos em 2019. Isso porque o fator de emissão calculado é bem superior comparado com as outras marcas. A Ford tem um fator 0,13 kg/km, a VW, 0,12kg/km, enquanto a Bugatti tem 0,52 kg/km.

O Reino Unido, que se separou da União Europeia, está elaborando uma proposta ainda mais ousada do que a do bloco. A Comissão Europeia anunciou na quarta-feira, 21, acordo dos países do bloco para reduzir em 55% as emissões totais do continente até 2030, na comparação com os níveis de 1990.

A indústria automotiva, que não participou da elaboração das metas no continente europeu, diz que será difícil atingir os objetivos porque nove anos é um tempo curto para promover a transição para os veículos elétricos.

Carlos Tavares, presidente da Stellantis e ex-presidente da ACEA, a associação dos fabricantes europeus de veículos, alertou recentemente AutoData que o alto custo dos elétricos atenderá a demanda dos consumidores mais ricos. E que o possível banimento dos veículos com motor a combustão dos grandes centros deixará a classe média europeia fora do mercado automotivo. Essas duas hipóteses tem o potencial de tornar inviável os compromissos assumidos com o Acordo de Paris.

Por isso é necessário dar acesso a informações como a pegada de carbono de um veículo. Não apenas durante sua utilização mas também, e inclusive, as emissões do processo produtivo, da manipulação da matéria-prima dos milhares de itens de um veículo em toda sua extensa cadeia e por aí vai. Assim como hoje sabemos qual o valor nutricional de um alimento, sua composição, os diversos ingredientes químicos utilizados na confecção de remédios...

Só assim será possível promover uma transição para a economia de baixo carbono que o planeta tanto necessita.

Carro X Avião. A Uswitch.com fez uma comparação interessante para mostrar a relação de grandeza das emissões automotivas. Calculou quantas milhas um avião 737-400 precisa percorrer para gerar as emissões da frota das marcas vendidas no Reino Unido em 2019.

Calculadora. Os 236 mil Ford vendidos em 2019 emitiram 30.160 kg de CO2 por quilômetro rodado. O avião precisaria voar 1.526 milhas, pouco mais de 2.450 quilômetros, para jogar a mesma quantidade de CO2 na atmosfera.

*Colaboraram André Barros e Vicente Alessi, filho