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Stellantis, GM ou outras marcas? Quem ocupará o espaço da Ford no Brasil?

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

22/01/2021 04h00

Quem poderia imaginar há seis meses, quando o nome Stellantis surgiu pela primeira vez, que neste janeiro tanta coisa poderia acontecer: para o bem e para o mal.

Em julho, com a pandemia prejudicando a visão de futuro sobre a economia, a Stellantis, nome inspirado a partir do verbo latino stello, que significa iluminar com as estrelas, literalmente iluminou o primeiro trimestre de 2021, dizendo que até lá a fusão da FCA com a PSA estaria concluída.

Muitos apostaram que a coisa aconteceria mesmo em março, devido à complexidade para unir os interesses e criar um caminho comum para as até então duas tradicionais fabricantes e suas distintas marcas.

Aparentemente todos os envolvidos nessa fusão trabalharam rápido e com muita eficiência, pois ainda no desabrochar de janeiro, meio anestesiados com a pandemia crescendo e a vacina chegando, a Stellantis balançou os sinos das bolsas de valores e começou a operar oficialmente. Um grupo com faturamento de € 167 bilhões [em 2019], catorze marcas e 400 mil colaboradores no mundo todo não é algo desprezível.

Principalmente quando chegam dizendo que pretendem "redefinir o futuro da mobilidade" e, para isso, respeitarão as decisões governamentais em cada canto do planeta e definirão sua estratégia baseados nesses parâmetros. E ainda que não pensam em demitir, em fechar fábricas, em sair de algum país, nada disso.

O CEO Carlos Tavares repetiu várias vezes no seu primeiro dia de trabalho que a Stellantis é justamente um escudo para as marcas das duas ex-empresas, porque a escala produtiva permitirá que os planos possam ter continuidade.

Ainda é muito cedo para dizer como será a atuação das marcas da Stellantis no Brasil, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Peugeot e Ram. Todos os planos estão em construção ou em validação neste exato momento. Mas como foi demonstrado de forma totalmente transparente durante a fusão é bom esperar algo muito em breve.

Até porque o mercado brasileiro, este ano, oferece oportunidade e tanto para se ganhar market share. E aí começa a história triste deste janeiro que, de pacato, não teve nada.

A centenária Ford deixa de produzir no País e abandona de 90 mil a 100 mil vendas que eram de seus produtos nacionais, Ka e EcoSport.

Muito se falou dos impactos sem precedentes na economia, na cadeia produtiva, nos postos de trabalho perdidos e na sensação triste de testemunhar uma marca tão querida deixando de operar industrialmente no País. Esta coluna tratou disso semana passada. O momento agora é de olhar para outro lado.

Por exemplo: 100 mil é volume respeitável de veículos em qualquer lugar. Como se comportará o consumidor que estava de olho em um Ford Ka e agora ficou órfão? E quais as marcas que estão se movendo para atrair esse potencial cliente? Certamente as marcas da novata Stellantis terão campanhas poderosas para disputar a clientela e melhorar seus desempenhos.

Mas, de acordo com estudo da plataforma de usados Auto Avaliar, uma marca pode estar alguns passos adiante nessa corrida. Analisando os veículos escolhidos em trocas pelos clientes donos de Ford Ka e EcoSport, a Chevrolet foi a mais citada, e um em cada quatro casos estudados apontou para um modelo Chevrolet, geralmente Onix e Tracker. A Auto Avaliar argumenta que as migrações no mercado de usados representam uma tendência para as vendas de carros 0 KM.

Esse movimento poderá agregar volume de produção para algumas marcas e assim fortalecer suas cadeias de fornecimento. Enquanto a saída da Ford causará estrago na vida de muitas pessoas e empresas, outras pessoas e outras empresas poderão melhorar o desempenho com essa lacuna no mercado.

É o caso da Hyundai, que foi preferida por 15% dos consumidores estudados pela Auto Avaliar. Fiat e Volkswagen foram o destino de 13% dos negócios de troca de veículos. JR Caporal, CEO da Auto Avaliar, acredita que há potencial para agregar 1 ponto porcentual no market share dessas três marcas.

Os órfãos da Ford que buscarão produtos da Chevrolet este ano podem elevar em 2 pontos porcentuais o market share da GM no País, segundo Caporal. É de se esperar o movimento das outras fabricantes para atender às expectativas da demanda que está na praça.

Trabalho. Ari Kempenich, diretor de consulting da Auto Avaliar, diz que as montadoras terão que elevar sua produção para acompanhar a demanda: "Outros pontos, como planos para atrair clientes, atendimento, e condições atrativas também serão fatores decisivos".

Briga boa. No mundo dos SUVs, um dos segmentos mais aquecidos do mercado, 20% dos clientes que tinham um Ford Ecosport trocaram por um modelo da Chevrolet, enquanto 16% migraram para Hyundai, 14% para Fiat e 10% para Volkswagen.

Campeões? Tracker, da Chevrolet, e Creta, da Hyundai, foram citados no estudo como os modelos que podem crescer no mercado ao longo do ano.

* Colaboraram Bruno de Oliveira, Caio Bednarski e Vicente Alessi, filho